janeiro 31, 2005

SPOCK'S BEARD - ENTREVISTA

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Amputados do seu mentor e líder depois de «Snow», os americanos Spock's Beard souberam encontrar no seu seio um sucessor à altura de Neal Morse, na pessoa do baterista Nick D'Virgilio, e ultrapassaram o trauma com o álbum «Feel Euphoria». Dois anos depois, «Octane» traz-nos uns Spock's Beard mais rítmicos e progressivos, sem perderam a vertente melódica e quase pop que D'Virgilio lhes acrescentou, com a sua maneira de cantar e composição. Falámos com o novo líder da banda de rock progressivo mais conceituada dos Estados Unidos sobre o álbum «Octane» e também sobre algumas outras coisas...

Até que ponto é este álbum diferente do «Feel Euphoria», de acordo com a tua opinião?
É diferente porque os outros elementos escreveram muito mais música, especialmente o Dave. As músicas são um pouco mais directas que no último disco, um pouco mais rock, mas ainda assim, acho eu, muito progressivas. Acho que é toda a composição em si, que está a ficar melhor... não sei.

O que eu notei é que, seja qual for o principal compositor de cada um dos álbuns, eles soam sempre a Spock's Beard, Como é que vocês conseguem ter sempre esta sonoridade distinta, muito vossa?
Acho que tem a ver com nós os quatro a tocarmos juntos. A sonoridade acaba por sair naturalmente. Essa sonoridade natural é o que nós somos, e também o nosso engenheiro de som tem uma grande responsabilidade nisso. Ele permite-nos ter um som realmente bom no produto final. Acho que ele é uma das razões pelas quais soamos da maneira que soamos.

Se vocês num ensaio decidirem tocar blues, achas que o som vai ser de Spock's Beard a tocarem blues?
Sim. Mais ou menos. Acho que sim. Teríamos que nos concentrar para que saísse bem, mas nós somos quem somos, e isso acabaria por se reflectir no som.

O Jon Boegehold ajudou-vos também em algumas das faixas, certo?
Certo. O Jon Boegehold é uma parte importante deste novo disco. Ele e o Dave comunicaram muito pela internet, e ele acabou por escrever muitas das letras do novo disco. Ele é um compositor muito bom, e um bom amigo. É uma grande parte do álbum, e acabou por surgir como uma parte que se encaixou naturalmente.

Ele tem algum projecto musical?
Ele conhecia o Dave, o Alan e o Neal há muito tempo. Eu conheci o Jon através deles. Ele tinha uma banda que... como era o nome?... Como é que me posso ter esquecido?!... Bem, foi há muito tempo. Agora ele compõe coisas para a televisão e é o webdesigner do nosso site. Ele faz muitas coisas diferentes.

Em termos de letras, quais são os tópicos que vocês abordam com as músicas do álbum?
As primeiras sete músicas fazem um grande tema épico, que é sobre um tipo que é atropelado por um grande camião, e no momento em que é atropelado a vida dele passa num flash à frente dos olhos dele. É sobre isso que o primeiro tema épico fala. Passa pela fase em que ele era miúdo até ao momento em que o acidente acontece. Alguns dos outros temas são... o tema «There Was a Time» é sobre o passado... a última música do disco é simplesmente uma música rock divertida... tipo nós os quatro a sairmos juntos como amigos... a «Watching the Tide» é uma espécie de música triste sobre amor (risos). A «The Planet's Hum» é sobre um tipo que é teimoso, e sobre as coisas que ele está sempre a querer fazer. São temas estranhos, um pouco negros. É isso.

Sobre os sete temas conceptuais do disco... tu sabes o que aconteceu ao último tipo que escreveu um conceito para um disco de Spock's Beard, certo?
Não sei (risos). Diz-me.

(risos) Abandonou a banda!
Ah sim, é verdade (risos).

Contigo na liderança da banda agora, vais continuar a fazer os teus álbuns a solo?
Sim, eventualmente. Mas primeiro quero concentrar todo o meu esforço neste novo disco de Spock's Beard durante tempo. Vou ver até onde ele chega, e depois penso em fazer mais algum material a solo.

Ainda tens música que compões e que não se enquadra em Spock's Beard?
Sim. Acho que sim. Acho que acabaria por se enquadrar se trabalhássemos todos juntos nela. Não sei, a música que eu componho sozinho soa um pouco mais pop... algo desse género. É um pouco diferente, acho eu.

Tu agora não és apenas o baterista da banda. Sentes saudades do tempo em que eras apenas baterista?
Mas eu ainda toco muito bateria. Agora sou baterista de Tears For Fears. Temos estado a fazer alguns concertos - tenho um concerto esta noite, por acaso. Neles eu só toco bateria e faço alguns coros. Toco também com o guitarrista Mike Kenelley, que tocava com Frank Zappa há muito tempo - toco bateria na banda dele. Por isso ainda toco muito bateria. Mas em Spock's tenho a oportunidade de ir para a frente, e isso dá-me prazer também.

Tu preferes estar à frente a cantar, ou lá atrás a tocar bateria? Se alguém te pedisse para escolheres uma coisa para fazeres o resto da tua vida, o que escolherias?
É difícil, mas poderia inclinar-me mais para escolher a parte de estar à frente. O único motivo para isso é o facto de eu tocar bateria desde os meus quatro anos. Tenho 36 anos agora, por isso são muitos anos. Estar à frente agora é uma coisa totalmente nova para mim, um pouco mais fresca e definitivamente excitante. Adoro fazê-lo. Por isso acho que escolheria ficar à frente, apesar de ir ter muitas saudades de tocar bateria. Não poderia ficar afastado dela muito tempo.

Os jornalistas têm-te colocado menos perguntas sobre o Neal Morse desta vez?
Eu tenho sempre umas quantas perguntas em cada entrevista sobre o Neal. Se eu já ouvi o último disco dele, o que penso do disco, se eu falo com o Neal, esse tipo de coisas.

Mais agora do que nas entrevistas para o «Feel Euphoria»?
Mais ou menos as mesmas. Bem, acho que eram um pouco mais da outra vez, porque era o primeiro disco que fazíamos sem ele e as pessoas queriam saber se achávamos que conseguíamos aguentar sem o Neal, como íamos conseguir sobreviver e esse tipo de coisas. Agora, efectivamente, já não são tantas como naquela altura.

E essas questões não te incomodam?
Não me incomodam nada, não.

Sabes se o «Feel Euphoria» vendeu muito menos que o «Snow»?
Não sei. Julgo que, pelo que sei, vendemos bastante bem.

Venderam mais?
Acho que vendemos o mesmo, se não mais, pelo menos até agora. Acho que foi devido a ser uma coisa nova, as pessoas estavam interessadas em ver como era, e acabaram por comprar o disco. Tivemos também a digressão e tal... acho que vendeu bastante bem. Não sei o número exacto, mas tenho falado com a editora, e os números são altos.

Isso é a prova de que vocês ultrapassaram definitivamente a "era-Neal Morse" na banda. Bem sei que artisticamente já o fizeram, mas os números acabam por provar que em termos de público também já o fizeram.
Exacto. Eu sei que estamos. Se não o conseguimos já, estamos perto.

Nos concertos da próxima digressão, vais apenas cantar ou também vais tocar bateria?
Vou fazer ambas as coisas. Convidámos outro baterista para vir connosco - vamos ter duas baterias em palco. Eu vou cantar em algumas partes, noutras vou lá para trás tocar bateria. Eu e o outro baterista vamos revezar-nos a tocar as coisas. Por isso, vou fazer as duas coisas.

Ritmicamente, este álbum é muito forte, por isso acho que vão ter excelentes oportunidades de usar ambas as baterias.
Definitivamente. O Dave é muito influenciado por Tool e bandas desse género. Por isso, em algumas das ideias que ele me enviou, quando eu estava a pensar em como ia fazer as partes de bateria nelas, eu ouvi os discos deles, para ver como eles faziam, como dividiam as batidas, como posicionavam o kit de bateria... foi porreiro, porque acabei por experimentar coisas diferentes.

Vocês têm também, por vezes, algumas influências de Pink Floyd nos solos de guitarra, como no «Of The Beauty Of It All». Quem é o principal fanático por Pink Floyd na banda?
Somos todos, para dizer a verdade. Mas o que estávamos a pensar, nessa música em particular, era no final da música. A parte lenta no final da música. Há muitas músicas de Pink Floyd assim. Muitos dos épicos de Spock's Beard acabam sempre de uma maneira grandiosa. E o que queríamos fazer desta vez - e de propósito - era que soassem como Pink Floyd: a bateria é grandiosa, mas não tão grandiosa, e tudo o resto é o que faz a música soar como Pink Floyd. Isso foi definitivamente influenciado por Pink Floyd, esse último pedaço dessa música.
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Publicado por BillLaswell em janeiro 31, 2005 11:24 AM
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