fevereiro 26, 2005

SCAR SYMMETRY - ENTREVISTA

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A primeira grande surpresa oriunda da Suécia deste ano já é conhecida. Chama-se Scar Symmetry e junta na sua formação os guitarristas Jonas Kjellgren (Carnal Forge, Centinex, World Below) e Per Nilsson (Altered Aeon), o baterista Henrik Ohlsson (Theory In Practise, Mutant, Altered Aeon), o vocalista Christian Älvestam (Unmoored, Incapacity, Torchbearer) e o baixista Kenneth Seil. Esta autêntica selecção sueca musical compôs, gravou e agora apresenta um disco, «Symmetric In Design», que mistura em doses iguais death metal, metal melódico e metal progressivo, com laivos geniais e técnicos sem perder, no entanto, um sentido de metal extremo. Já há quem fale em estreia do ano. O guitarrista Jonas Kjellgren explicou-nos como surge um álbum como «Symmetric In Design», e abriu-nos alguns dos planos futuros de Scar Symmetry.

Esta é banda é, hoje em dia, aquilo que pensaste que seria quando a formaram?
Sim.

A ideia que tinhas da banda e de como seria o primeiro álbum, nessa altura, é exactamente como saíram as coisas?
Não. Não exactamente. Não tínhamos ideia de como iria soar, mas sabíamos que iria ser algo deste género. Nós nunca tínhamos tocado juntos antes, por isso não tínhamos ideia de como iria sair. Para além disso não tivemos tempo para ensaiar. Nós, os guitarristas, limitámo-nos a gravar as músicas num gravador, e depois o Henrik - o baterista - veio ao estúdio e deu algumas sugestões. Foi muito divertido ouvir o resultado final depois, com os sintetizadores. Para além da guitarra, o Per acrescentou muitas partes de sintetizadores, que acabaram por levar as músicas numa direcção musical interessante, julgo eu. Para mim isto é muito interessante com teclados, porque nunca os tinha utilizado nas minhas músicas. É divertido.

Achas que o mesmo tipo de espontaneidade vai surgir quando fizerem o segundo álbum?
Não. Nós já falámos sobre isso, porque já estamos a escrever algumas músicas novas. Nós tentamos fazer o nosso melhor, e não ficar agarrados a uma receita fixa. Podemos ter uma música que tenha apenas voz limpa, ou uma música que tenha apenas voz gutural. Mas o próximo material vai ser mais progressivo, vai ser mais técnico, julgo eu. Porque agora sabemos aquilo que cada membro da banda é capaz de fazer, e vamos usá-lo ao máximo (risos).

Há alguma hipótese de vocês perderem alguma melodia, com essa abordagem mais técnica?
Sim, vamos abandonar a melodia totalmente. Não (risos), estava a brincar. Vamos tentar manter a melodia, mas não vai ser a coisa mais importante. Acho que as músicas não têm que ser melódicas; basta serem interessantes para quem as ouve. E também devem ser divertidas de tocar ao vivo, e não uma chatice.

Provavelmente vocês têm que ter um equilíbrio entre as duas coisas... se vocês fizerem uma música muito complexa em termos de ritmo e estrutura e depois a tocarem ao vivo quando abrirem para uma banda maior, provavelmente o público não vai percebê-la, e até a pode achar desinteressante.
Sim, nós tentamos equilibrar um pouco as coisas. Se a música for demasiado estranha... eu sei pela minha experiência; se eu for a um concerto e a música for totalmente estranha, eu não gosto. Porque não a compreendo. Podes ter elementos muito progressivos na música, mas julgo que também tens que ter melodias para as pessoas se lembrarem. Algumas melodias viciantes são importantes.

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Estás totalmente satisfeito com o álbum? Achas que vais ser capaz de ouvi-lo de vez em quando para o resto da tua vida?
Sim, acho que sim. Mas nunca o escuto.

Não?
Não. Eu raramente ouço a minha música. Quando recebo o CD normalmente escuto-o uma vez e retiro as minhas conclusões. Depois começo imediatamente a trabalhar em novas faixas (risos).

E depois de 10 anos, ainda és capaz de o ouvir?
Não sei (risos). Sei que, de qualquer modo, fizemos o nosso melhor agora. Espero que seja um guitarrista melhor dentro de 10 anos, por isso quem sabe se não me vou rir do disco (risos).

Quando ouviste pela primeira e única vez o álbum, notaste algumas coisas que gostarias de ter feito de modo diferente?
Não. Fiquei realmente satisfeito. Havia mesmo algumas coisas que eu não me lembrava de ter gravado. "O que era aquilo?! Oh merda! Já me lembro!". Coisas desse género.

...É o que acontece quando as coisas acontecem com muita espontaneidade...
Exacto. E foi muito divertido... acho que a música deve ser divertida, tanto a criar como a tocar, e também a ouvir. É por isso que eu toco guitarra. É porque é divertido, e não por outra razão qualquer. Porque se quisesse ganhar dinheiro, devia fazer outra coisa, acho eu (risos). Começar uma editora e rippar todas as bandas. Talvez faça isso (risos). "Quanto é que vendemos?"; "Nada"; "Então porque é que tens um carro novo?"; "mmm... mmm... ganhei a lotaria". É uma grande ideia.

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Como é que vocês compõem este tipo de música?
Bem, para este álbum eu fiz todos os riffs de guitarra e coisas desse género para sete das músicas, e o Per fez as guitarras para cinco das músicas. Depois enviei os riffs de guitarra para o Henrik, o nosso baterista, para que ele pudesse criar os ritmos e experimentar as músicas em casa dele. O Henrik também escreveu todas as letras. Ele escreveu as letras de todas as músicas, e depois enviou-as ao nosso vocalista, porque ele vive muito longe do sítio onde nós vivemos. Ele colocou algumas linhas vocais para nos mostrar o que podia fazer, e nós sugerimos-lhe algumas coisas. Foi algo deste género. Nós não fizemos jams das músicas. Mas vamos tentar fazê-lo para o próximo disco, porque ensaiámos este fim-de-semana inteiro, e tentámos algumas coisas diferentes... vai ser muito porreiro, acho eu. Muito melhor do que este álbum.

Vocês vão então mexer numa equipa ganhadora e mudar a receita que vos proporcionou fazer um álbum como o «Symmetric In Design»?
Sim. Vamos afastar-nos dessa receita. Nós queremos tentar alguma coisa nova. Talvez vá soar igual a toda a gente que escute mas tarde... mas desde que tenha um sentimento fresco para nós, é bom.

Eu notei, na voz mais melódica do Christian, que ele tem umas certas semelhanças com Nightingale?
Pois tem. Nós também notámos.

Nightingale é uma influência para ele?
Não me parece. Acho que ele tem uma voz similar ao Dan Swäno, mas acho que é coincidência. Acontece que ele soa assim quando canta; não tenta conscientemente soar como ele. Acho que têm uma voz similar.

É porreiro ter um estilo de vocalização assim, quase num estilo hard rock progressivo, num álbum de música extrema.
Pois é. É isso que eu gosto nele. Ele sugeriu-nos a maior parte das linhas vocais, e eu fiquei tão surpreendido quando ouvi as melodias... nunca tinha pensado naquele tipo de melodias para este tipo de riffs. Acho que o Christian é muito bom... gostamos muito de tê-lo na banda.

O Per também vai tocar as partes de teclados no próximo disco?
Sim. E eu também vou fazer umas partes de teclados.

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E quando tocarem ao vivo? Como vão fazer?
Nós temos os teclados gravados num gravador midi... basta reproduzi-los para uma faixa click quando tocarmos ao vivo. Nós não conhecemos teclistas, por isso é impossível termos um. Não há muitos tipos a tocar teclados por aqui.

Então não é o caso de vocês gostarem tanto de tocarem teclados que não permitem que entre nenhum teclista na banda...
Não, seria agradável ter também um teclista na banda, que pudesse sugerir as partes dele, de teclados. Gostaria disso. Mas não conheço nenhum teclista, por isso é impossível. Por isso temos que fazê-lo nós mesmos.

E em relação aos tópicos das letras do Henrik... vocês estão por dentro dos assuntos que ele escreve nas letras, ou não se importam, desde que as linhas vocais funcionem?
(risos) Não sei. Eu acho que as letras deste álbum são muito boas, e eu sabia o que ele ia fazer com as letras. E nós apoiamos totalmente as letras dele. No entanto, eu não sou assim tão bom no inglês, e ele escreve de uma forma complicada. Mas acho que as compreendo perfeitamente, e apesar de serem um pouco estranhas, gosto delas (risos). Não compreendo exactamente cada palavra, mas gosto delas. Há algo como um conceito por detrás das letras, mas não compreendo muito bem qual (risos).

É algo do género de Vintersorg. Achas que ele gosta de Vintersorg?
Não sei. Eu fiz algumas perguntas ao Henrik sobre as letras, ele explicou-me e eu fiquei tipo "Uau! Porreiro!". E agora não me lembro... são tão complicadas para a minha cabeça pequena (risos).

Todos vocês têm outras bandas e outros projectos em que estão envolvidos. Isso não é um problema para Scar Symmetry?
Não. Não é problema nenhum. Porque as outras bandas em que eu toco, por exemplo, não são assim tão grandes ou famosas. Então não fazemos muitas digressões, e não há problemas. Seria muito diferente se eu fosse guitarrista de Iron Maiden... mas nós somos apenas bandas underground, por isso temos tempo para tudo.

Eu não diria que Centinex é exactamente uma banda underground... está um pouco acima da linha de água.
Sim, mas não fazemos muitas digressões. Talvez façamos uma ou duas digressões por ano actualmente. Sem ser isso, tenho montes de tempo livre.

E com os outros membros da banda passa-se o mesmo?
Sim. Eles também não tocam muito ao vivo.

Então dirias que os Scar Symmetry é a prioridade de todos vocês neste momento?
Não sei. Todas as minhas bandas são prioritárias, quando estou a escrever e a gravar os álbuns. Mas esta é a banda em que eu me divirto mais neste momento, porque é nova... é novidade para mim tocar com estes tipos. É muito divertido, e nós damo-nos todos muito bem. Somos bons amigos. Por isso espero que tenhamos muitas digressões, porque acho que nos vamos divertir muito na estrada. Para além disso, todos eles são muito bons músicos. Eu fico impressionado quando nós ensaiamos. Eu olho para o Per quando ele está a fazer algum solo de guitarra, e fico tipo "oh, uau! É fixe estar na mesma banda que este tipo" (risos).

Serias um fã de Scar Symmetry se não fizesses parte da banda?
Sim, julgo que sim. Seria.

Vocês já têm alguma digressão planeada para promover o álbum?
Não. Nada que eu saiba. Temos alguns espectáculos marcados para a Suécia e possivelmente alguns festivais, mas ainda não temos nada confirmado.

Se a editora não vos arranjar uma digressão europeia, achas que o álbum e as faixas são demasiado boas para a vossa editora?
Não, daria um pontapé no cu da editora, e dir-lhes-ia para se irem foder (risos). Não, mas eu acho que vamos arranjar uma digressão. Espero que sim. Mas, mesmo que não entremos numa digressão, vamos tocar os nossos concertos de qualquer modo, marcando nós próprios os espectáculos... talvez toquemos um ou dois espectáculos em Portugal, quem sabe? Nós queremos tocar ao vivo.

Achas que na 'cena' de hoje, que se chama cada vez mais 'mercado', a música não conta tanto para o estatuto de uma banda como a promoção e marketing feitos pela editora?
Sim, talvez. Acho que é isso que se passa. Se quiseres abrir para uma banda grande, digamos os Morbid Angel, a editora tem que pagar uns Eur 5.000 ou qualquer coisa do género, para que entres na digressão. E se for uma editora pequena, não terão o dinheiro. E isso é mau.

Conheces grandes bandas que sejam ainda desconhecidas por estarem em editoras pequenas?
Nada que eu possa mencionar, mas existem muitas bandas nessa posição, julgo eu. E ao contrário também... acho que há bandas que não são assim tão boas e que têm muito sucesso. É estranho o modo como isso funciona. Têm vídeos nas televisões e passam em todo o lado... mas quando ouves a música deles, não sentes nada.

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Publicado por BillLaswell em fevereiro 26, 2005 11:20 AM
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