junho 28, 2005

DEADLOCK - ENTREVISTA

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A incrível energia e entusiasmo com que os cinco alemães que respondem pelo nome de Deadlock se entregam à sua mistura de black e death metal extremo de contornos góticos é apenas igualada pela extrema forma de vida que levam. Sendo assumidamente uma banda vegan straight-edge, o grupo divide a sua música entre as mensagens que tenta passar dentro deste assunto e uma incrível capacidade de compôr temas extremos, agressivos, pesados e ao mesmo tempo atractivos e por vezes com uma fragilidade de voz feminina estonteante. A propósito do novo disco, «earth.revolt» - o segundo dos Deadlock, falámos com o vocalista Johannes Prem.
Texto: Fernando Reis

Sentiram alguma pressão no processo de composição e gravação deste disco, por estarem agora numa editora maior e por estar a ser muito dinheiro investido em vocês?
Não sentimos qualquer pressão... a colaboração com a Lifeforce Records tem sido, até agora, simplesmente espantosa. Encontrámos uma grande editora que apoia a nossa música e estilo de vida, mas também novos amigos que nos ajudam no que fazemos, por isso para nós é perfeito estar na Lifeforce Records.

Qual é o vosso sentimento em relação ao álbum agora, que está gravado e fora das vossas mãos? Estão totalmente satisfeitos com ele? Mudariam alguma coisa nele agora, se pudessem?
Na minha opinião o «earth.revolt» é o lançamento com melhor produção, mais complexo e mais forte de Deadlock até agora, e é por isso que estamos muito satisfeitos com esta nossa criação. Mas, enquanto músico, nunca deves chegar a um ponto em que estás totalmente satisfeito contigo próprio porque nessa altura não serás capaz de ultrapassar as tuas capacidades e chegar a um novo nível – e a estagnação é a pior coisa que pode acontecer a uma banda. Mesmo gostando muito do nosso novo disco, vamos definitivamente tentar melhorar as nossas capacidades com o próximo material.

Vocês têm uma voz feminina em algumas das músicas, que encaixa muito bem. Mas vocês não têm nenhuma vocalista feminina na banda. Porquê?
A Sabine Weniger é a rapariga responsável pelos teclados e bonitas vocalizações femininas nos nossos últimos três discos, mas como ela é uma música profissional, anda sempre demasiado ocupada para estar constantemente em digressão connosco. Por isso ela apenas nos ajuda quando entramos em estúdio e, ao vivo, deixamos o computador fazer o trabalho dela.

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Ainda assim, estão a pensar usá-la para alguns concertos?
Não. A Sabine está demasiado ocupada com as outras bandas dela, como te disse. E se não for ela, não haverá mais ninguém a fazer esta posição em Deadlock. Ao vivo tem resultado muito bem correr os sons dos teclados a partir do laptop e, assim, ninguém sentirá falta da típica atmosfera negra de Deadlock quando tocamos ao vivo.

O disco lida com o conceito que vocês começaram no split-CD com Six Reasons To Kill. Queres explicar-nos esse conceito?
Como somos uma banda vegan straight-edge a maioria das nossas letras lida com esses tópicos. No split começámos a contar uma história sobre um pequeno soldado – que representa um pequeno grupo de pessoas que sabe aquilo por que luta – que decide seguir o seu próprio caminho, não ligando ao que as massas lhe dizem para fazer... ele é demasiado fraco para forçar o inimigo a ceder, e por isso morre, mas agora no «earth.revolt» o mundo começa a limpar-se de todos os parasitas e, no fim, uma nova vida bela ergue-se das cinzas da humanidade.

Achas que o amor é, de alguma forma, um assunto demasiado ‘maricas’ para fazer parte de um disco de metal extremo?
Penso que não. O amor e compaixão são sentimentos tão fortes e ideais que não podem ser lamechas de todo. Estar numa banda de metal não tem que significar que cantes sobre morte e destruição; podes usar a tua música como uma arma para lutar contra tudo aquilo que achares que vale a pena combater. E, a propósito, não existe ódio sem amor, eu amo este planeta e todos os seres vivos mas por outro lado odeio ardentemente as pessoas que tentam destruí-lo todos os dias.

Qual é o vosso método de composição? Como é que chegam a uma faixa épica como a «May Angels Come»? Sabem desde o início que vai ser uma faixa longa, ou acontece naturalmente?
Os dois compositores de Deadlock são o guitarrista Sebastian e o baterista Tobias. Eles compõem toda a música e quanto terminam uma música a minha tarefa é escrever letras para encaixar nela. Todas as músicas são compostas assim... posso dizer-te que faixas como a «May Angels Come» também me surpreendem, porque o Tobias e o Sebastian dizem-me que acabaram uma nova música mas nunca me dizem que vou ter que fazer letras para 10 minutos ou alguma coisa do género. Mas no fim resulta tudo maravilhosamente bem (risos).

Vocês praticam black/death metal com toques góticos e estão numa editora que tem maioritariamente bandas de metalcore. Não têm medo que o perfil da Lifeforce Records afaste alguns possíveis fãs do vosso estilo de música?
Quanto comparado com os nossos últimos lançamentos, o acordo com a Lifeforce abre-nos a porta para uma audiência maior e, julgo, vai fazer com que mais gente escute Deadlock. Vão existir críticas em todas as fanzines importantes, impressas e online, e se as pessoas gostarem do que ouvirem devem comprar o CD e prepararem-se para ser totalmente devastadas por uma das últimas resistências vegan straight-edge em termos de metal, por parte de uma das melhores editoras em todos os tipos de metal extremo. Estamos mais que contentes em fazer parte da família da Lifeforce, e espero que as pessoas gostem do que esta aliança vai produzir no futuro.

Algumas editoras assinam bandas alemãs apenas a pensar nas possibilidades de mercado que lhe oferecem, o que resulta numa reputação meio obscura do metal extremo alemão fora de portas. Isso preocupa-te?
Não ligo porra nenhuma ao sítio de onde uma banda vem, e espero que a maior parte das pessoas pense da mesma maneira. Tem tudo a ver com a música e a mensagem, e não com o facto de se ser oriundo da Alemanha, dos Estados Unidos ou de outro sítio qualquer. Os Deadlock praticam música extrema, um estilo de vida extremo, e é tudo.

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Podes dizer-nos porque escolheram este caminho vegan straight-edge?
Ser vegan é a única forma de vida livre de crueldade e mostra uma solução para quase todos os problemas económicos. Cada um dos membros de Deadlock adora o modo de vida vegan straight-edge e agrada-nos muito partilhar este planeta com todas as outras criaturas sem matar e explorar o planeta. Para nós, é pura e simplesmente a única forma de viver e é por isso que tentamos espalhar a mensagem.

Achas que isso pode dar alguma atenção-extra à banda e, pelo contrário, a exposição da banda pode ajudar a espalhar essa vossa mensagem?
Espero conseguir a atenção do público não apenas devido à nossa música, mas também à mensagem, porque na minha opinião estas duas coisas estão muito intimamente ligadas. Mas não creio que ser vegan ou straight edge nos dê uma atenção especial, porque é uma forma de vida extrema e vão existir sempre tantas pessoas que gostam do que dizemos como as que odeiam.

De que outras artes gostas – literatura, cinema, pintura – e as tuas obras e artistas favoritos, por favor...
Adoro ir ao cinema e ver DVD’s. Os meus favoritos são o Senhor dos Anéis, o Troia ou o Renascer dos Mortos, por exemplo... não sou um grande leitor de livros ou apreciador de quadros, por isso não posso dar-te grandes nomes nesses campos... excepto um: Roland Straller. Ele é um artista e pintor inacreditável... é o responsável por todas as capas de Deadlock, desde o 7” ao split-CD com SixReasonsToKill, até termos encontrado o magnífico Peter Hoffmann da Glashaus Design que nos fez o design do «earth.revolt».

Publicado por BillLaswell em junho 28, 2005 12:33 AM
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