
Tiranny Of Souls CD
Mayan Records/http://www.sanctuaryrecords.co.uk/home.php
Quer queiramos quer não, a carreira a solo de Bruce Dickinson passou para segundo plano quando o vocalista voltou aos Iron Maiden. Talvez seja essa a explicação para os sete anos de silêncio entre «The Chemical Wedding» e este novo registo. A verdade é que, pela primeira vez desde «Balls To Picasso», Dickison volta a trazer um conjunto de temas tão variado quanto longe do espectro de Iron Maiden. A esse facto não será alheia a reedição da parceria do álbum de estreia a solo do vocalista, com Roy Z, recuperada para «Tiranny Of Souls». A verdade é que este se aperfila como um dos discos mais bizarros de Bruce Dickinson porque, embora algo longe do experimentalismo de «The Chemical Wedding», nos permite testar outras personalidades vocais do vocalista de Iron Maiden. Apesar da entrada mais ou menos pesada e rápida do disco, apenas uma das faixas podia claramente ser de Maiden, e essa faixa é «Abduction». Tirando esse momento, o disco explora ambientes mais negros que, geralmente, fazem com que os ritmos das músicas sejam mais lentos e mórbidos do que aquilo a que estamos habituados ouvir Dickinson cantar. Épicos? Um pouco, talvez. Mas o sentimento que domina em «Tiranny Of Souls» é de um peso velado, em temas cujos riffs e melodias vocais não se desenrolam tão facilmente quanto seria de esperar, oferecendo ao ouvinte uma complexidade que, embora não impressione à primeira, faz compensar uma insistência no disco. «Tears of the Dragon» parece ter sido composta há décadas atrás, e são os ambientes pesados do tema-título, que permitam algum groove e dão toda a ribalta à exemplar voz de Bruce Dickinson, que moldam a personalidade deste disco. Uma personalidade longe da genialidade de outros tempos, mas certamente mais madura e complexa. (7/10)
Eis a programação da próxima semana do clube TocSin, que fica na Rua da Atalaia, no Bairro Alto, em Lisboa:
31.01 - Especial New Order/Joy Division com DJ Thakisis
01.06 - Especial Paradise Lost com DJ Kremathor
02.06 - The Panic Room com DJ Blitz
03.06 - Noite Metal com DJ Psycho
04.06 - The Graveyard Express com DJ Stygmata e DJ Treccine
O novo álbum das lendas do hard rock melódico Journey está pronto a ser editado. Chama-se «Generations» e sai no dia 29 de Agosto, via Frontiers Records. A primeira edição vai sair num ecolbook, com um booklet maior e várias fotos da banda que a edição normal não terá.
A banda alemã de death metal melódico Lay Down Rotten acaba de editar o seu segundo disco, «Cold constructed», através da Remission Records.
Em Setembro deste ano a Osmose Productions vai lançar «Mythological Occult Metal: 1991-2001», uma antologia em duplo-CD e duplo-LP de temas raros de Absu reunidos por Equitant e remasterizados por Porscriptor. Eis uma lista dos temas:
DISCO 1
01. «The Gold Torques of Uláid» (retirado da banda sonora do filme Gummo)
02. «Never Blow Out the Eastern Candle» (da compilação «World Domination»
03. «Stone of Destiny» (do álbum «Tara» - versão alternativa de «Hall of the Masters»)
04. «Immortal Sorcery» (do 7" «The Temples of Offal»)
05. «Sumerian Sands (The Silence)» (do 7" «The Temples of Offal»)
06. «Disembodied» (do 7" «The Temples of Offal»)
07. «?And Shineth unto the Cold Cometh?» including Prelusion to Cythrául (do 7" «?And Shineth unto the Cold Cometh?»)
08. «Akhera Goiti? Akhera Beiti (One Black Opalith for Tomorrow)» (do 7" «?And Shineth unto the Cold Cometh?»)
09. «Reliquiae Celticae» (do 7" «Hallstattian Swords»)
10. The Great Battle Moving From Ideal to Actual» (do 7" «Hallstattian Swords»)
11. «Old Tombs of Hochdorf» (do 7" «Hallstattian Swords»)
DISCO 2
01. «Deathcrush» including Silvester Angfang (da compilação «Originators Of The Northern Darkness: A Tribute To Mayhem»)
02. «Swing of the Axe» (da compilação «Seven Gates Oh Horror: A Tribute To Possessed»)
03. «Transylvania» (da compilação «A Call To Irons: A Tribute To Iron Maiden»)
04. «Bestial Invasion» (inédita, gravada em 1996)
05. «The Winter Zephyr (Within Kingdoms of Mist)» (gravada ao vivo em França em 1997)
06. «Highland Tyrant Attack» (gravada ao vivo em França em 1997)
07. «The Thrice is Greatest to Ninnigal (gravada ao vivo em Itália em 1995)
08. «The Coming of War» (gravada ao vivo na Alemanha em 1995)
09. «Book of Splendour» (gravada ao vivo nos Estados Unidos em 1993)
10. «Tasseomancy» (gravada ao vivo nos Estados Unidos em 1993)
A Eibon Records, editora italiana especializada em música obscura, tem dois novos lançamentos disponíveis. O primeiro é «The Means To An End», do projecto de power-noise Control. O segundo é «No Survivors For The New World», de Maath, numa onda mais dark-ambient. Os discos estão disponíveis por Eur 14,00 cada, com portes já incluídos.
A digressão Hell On Earth, que vai juntar algumas das melhores bandas de metalcore do momento como As I Lay Dying, Heaven Shall Burn, Evergreen Terrace, Agents Of Man, End Of Days e Naera, não vai passar por Portugal. A digressão acontece entre 23 de Setembro e 9 de Outubro, e tem já datas previstas para países como Alemanha, Suécia, Dinamarca, Áustria, Itália e Inglaterra.
Os 1349 estão neste momento em estúdio, no Nyhagen Studio, a gravar o seu terceiro álbum de originais, que vai chamar-se «Hellfire», e que deverá sair no Outono. Em Novembro, a banda deverá embrarcar numa digressão europeia com Gorgoroth, que tem uma data agendada para Portugal: dia 8, no Colinas Bar, em Branca, Albergaria-A-Velha.
No dia 11 de Junho actuam em Oeiras, no Jardim Municipal (junto à estação da CP) os Contratempos, Skazz e Skareta. Este mini-festival de bandas nacionais de ska tem entrada livre, e começa às 20.00h
A banda de death metal da Florida Paths Of Possession assinou um contrato discográfico com a Metal Blade Records. A banda é liderada pelo vocalista de Cannibal Corpse George 'Corpsegrinder' Fisher, e tem o seu primeiro álbum, «Promises In Blood», pronto a editr no final deste ano.
Os grinders portugueses Raw Decimating Brutality - que juntam nas suas fileiras elementos de Necrose, Deity Of Carnification e The Traumatics - acabam de lançar o seu EP de estreia, «Sperm To Grind Your Ears». São sete temas e um vídeo-clip de 'puro grindcore' que agradará a fãs de bandas como Extreme Noise Terror, Napalm Death ou Agathocles.
No seguimento do abandono de Arlock Dias das lendas nacionais do punk-rock Mata Ratos, a banda anunciou de imediato um substituto: Nuno Loureiro, de Painstruck.
RCA é o nome de uma banda de versões que conta no seu alinhamento com elementos de Ramp e ainda com Daniel, ex-Sirius. Vejam o calendário dos próximos sítios onde eles tocam aqui.
Os irlandeses Cruachan rescindiram o contrato discográfico que os ligava à Karmageddon Media. A rescisão foi amigável, e a editora holandesa vai ainda ter direito a relançar a demo de 1994 da banda, «Celtica», com alguns bónus como a faixa inédita «Timmy», que tem sido tocada pelos Cruachan em alguns espectáculos.
O novo vídeo-clip de Dark Moor, do tema «Before the Duel», retirado do álbum «Beyond The Sea», está já disponível para download. Descarreguem-no aqui.
«Primal Exhale», o álbum de estreia dos finlandeses Excalion, prepara-se para ser editado na Europa, via Sound Riot Records, no próximo dia 27 de Junho. Em Agosto é a vez do disco ser lançado nos Estados Unidos, enquanto que no Japão o lançamento é feito no dia 17 de Junho. Os Excalion são uma mistura de influências de bandas como Nightwish, Symphony X e Stratovarius.
O ex-baterista de Blind Guardian Thomen Stauch apresentou já o seu novo projecto: chama-se Savage Circus, e marca o regresso 'às raízes' do senhor, num estilo mais vincadamente speed-thrash metal melódico. O resto da formação de Savage Circus consiste em Jens e Emil de Persuader e Piet Sielk de Iron Savior.
Os Peste & Sida actuam ao vivo no dia 15 de Junho no Fórum Lisboa, na Avenida de Roma, em Lisboa, a partir das 22.00h.
Os italianos Infliction assinaram um acordo com a Cruz Del Sur Music para a edição do segundo álbum da banda, que irá chamar-se «The Silencer». Depois do disco de estreia, «The Faint Smell Of Suicide», ter sido lançado pela editora alemã Cartel Media, os Infliction chegam agora à Cruz Del Sur, para um disco que deverá colocar a banda finalmente no mapa do metal europeu, mercê da presença de um vocalista muito especial na formação: Björn Goosses (Night In Gales). «The Silencer» terá 11 faixas, entre as quais uma versão de «The Voice», de Ultravox, e será editado em Outubro. Escutem uma versão pré-masterizada do tema «Eyes See Black» no site da banda.
Os americanos Disinterment - que praticam um death metal brutal na onda de bandas como Lividity, Fleshgrind e Dying Fetus - lançaram ontem o seu novo álbum, «Graveyard Fronication», através da Nice To Eat You Records.
No dia 25 de Julho os Manowar vão editar a aguardada caixa de DVDs «Hell On Earth IV», a última da série de edições com esse nome. Este quarto volume foi, mais uma vez realizado por Neil Johnson, com mais de 70 ângulos de filmagem e vai ter qualidade sonora 5.1 surround. A caixa vai conter dois DVD's que retrata a digressão de 2002 Warriors of the World e um CD áudio como bónus, que conterá o tema «King of Kings», que fará parte do próximo álbum de originais. Os bónus dos DVDs incluem entrevistas com a banda, cenas filmadas nos bastidores, comentários de todos os membros da banda, várias aparições em programas de TV por alturas da digressão e algumas outras surpresas.
- Edição de «Purity: The Darwinian Paradox», de Dam
- Edição de «Vinland Saga», de Leave's Eyes
- Edição de «Room V», de Shadow Gallery
- Edição de «Mindrevolutions», de Kaipa
- Reedição de «Wiederhören», de Kraan
- Reedição de «Nchtfahrt», de Kraan
- Reedição de «Live 88», de Kraan
Os Pitch Black foram obrigados a cancelar a sua actuação no festival Underfest deste ano devido a compromissos profisionais de alguns elementos da banda. A Thrash Metal Dominon Tour 2005 segue dentro de momentos.
No próximo dia 3 de Junho os Corpus Christii e os Flagelum Dei actuam ao vivo no Jinx Bar, no Bairro Alto (Lisboa), a partir das 22.30h.
A editora norueguesa Nocturnal Art Productions, fundada por Zamoth (ex-Emperor, Zyklon) assinou um contrato de distribuição exclusivo com a Candlelight Records. A partir de agora, todos os lançamentos da Nocturnal Art serão editados e distribuidos pela Candlelight. Este acordo chega depois de vários anos de colaboração entre as duas editoras para o mercado norte-americano. A Nocturnal Art Productions tem no seu catálogo nomes importantes da cena norueguesa como Red Harvest, Aeternus e Mindgrinder e o seu passado é glorioso, com lançamentos de bandas como Emperor, Limbonic Art, Sirius, Tormentor, etc. O futuro parece também promissor, com jovens bandas como She Said Destroy?, que parecem assegurar estabilidade para os próximos tempos da editora.
Os Phantom Vision actuam no dia 4 de Junho do Rock House Café, de Alenquer, com a primeira parte a cargo dos gothic-rockers Rome Nine Roses. O espectáculo começa à meia-noite.

Vinland Saga CD
Napalm Records
Com a velocidade avassaladora com que Liv Kristine Espenaes Krull se apressou a lançar este segundo disco depois da estreia «Lovelorn», seria de esperar – ou pelo menos de temer – um conjunto de temas não tão brilhantes. Nada de mais errado. A ex-vocalista de Theatre Of Tragedy está de volta, com a sua banda de apoio de luxo (que, para o mundo do metal, responde pelo nome de Atrocity), para um disco ainda melhor do que «Lovelorn», mais variado, mais imponente, mais frágil e mais belo. Baseado na lendária viagem de Leif Erikson à Greenland, por volta de 1.000 AC, este disco estará já bastante próximo de todo o potencial que a voz de Liv Kristine terá ao seu alcance. Com o seu timbre suave e sensual – o mais característico do metal gótico desde pelo menos há uma década – a senhora tem ao seu dispôr baladas emotivas, temas épicos cantados em dueto com Alexander Krull - vocalista de Atrocity e seu marido - e puros hinos góticos, incluindo o tema que fecha o disco, cantado em norueguês. Pelo meio, pormenores que demonstram a classe desta ensemble: melodias que apenas sugerem influências folk, sem as esfregar no nariz de quem ouve a música, e passagens arrepiantes de guitarra acústica. «Vinland Saga» é luxo gótico em todo o seu esplendor, e coloca um par de temas, nomeadamente «Farewell Proud Man» e «New Found Land» nos anais do estilo, sem esquecer o single de avanço do disco - «Elegy» - um tema cuja beleza é poderosamente ampliada pela paixão que Liv Kristine não consegue despegar da sua voz. Mais que técnica, «Vinland Saga» mostra os tomates de uma mulher cuja voz, por si só, faz de uma música banal uma grande música de contornos góticos e semi-clássicos... como se não bastasse, a senhora é apoiada por um grande poder de composição e uma banda que, cada vez mais, é a ‘sua’ banda. (8/10)

Os britânicos Skyclad preparam-se para actuar pela primeira vez em Portugal já no dia 4 de Junho, no Auditório Exterior da Casa da Cultura de Beja. A primeira parte do concerto dos criadores do folk-metal será assegurada pelos espanhóis Evadne e pelos portugueses Ho-Chi-Minh. A entrada é livre e os concertos começam às 22.00h.

No dia 12 de Junho os X-Cons e Along The Way tocam ao vivo no Ribeirinha Bar, na Ribeira do Porto, junto ao Mercado Ferreira Borges. Os concertos começam às 16.00h e a entrada custará Eur 3,00.
- The Ransack, Sick Maniacs e Vizir ao vivo no Bar Académico de Vila Real - 22.00h
- Opus Draconis, Infernal Kingdom e SkyEyes ao vivo no Marrafas Bar, em Pé de Cão (Torres Novas) - 22.30h
- Prime ao vivo no Bocage Bar, na Benedita - 23.00h
- Corvos ao vivo nos Recreios da Amadora
- Pitch Black, Burning Sunset, Along The Way, Chronical Hat, Bed Noise, [reckless] e NAD ao vivo na Praça do Rossio, em Aveiro

Os “Trashers” The Temple nunca estiveram parados, e desde do lançamento, há cerca de uma década, de «The Angel, The Demon & The Machine» têm-se ‘entretido' com dezenas de concertos e várias gravações que ganharam o estatuto de mito no underground punk-metálico. Tendo como mote a óptima aceitação do novo álbum «Diesel Dog Sound», editado pela independente britânica Copro Records, a Feedback passou uma tarde à conversa com a banda, falando-se de tudo um pouco.
Por: João Matos
Muitos dos vossos fãs estão numa faixa etária já um pouco abaixo da vossa, e nem se lembram de os The Temple terem pertencido àquele ‘pelotão da frente’ que assinou pela Skyfall. Fala-me um pouco desses tempos já longínquos.
Bom, para já, neste género de música sempre houve uma certa diferença de faixas etárias entre as bandas consagradas e o seu público. Só a Britney Spears é que tem a mesma idade que o público dela... e mesmo assim... Eu lembro-me de ter 15, 16, 17 anos e ouvir Metallica, Iron Maiden e Megadeth que eram bastante mais velhos que eu. Porque é que isto acontece no metal, não sei. Talvez as coisas sejam mais genuínas. Não se pega num puto e se promove um álbum cheio de merdas compostas pelo produtor. Tem que haver atitude, sinceridade e personalidade. A arte é das poucas coisas que se apura com a maturidade. Esse tal ‘pelotão da frente’ era um grupo de bandas que começava, em Portugal, a construir um trabalho mais consistente e poderoso. Era a génese de algo que estava para vir. Foram bandas que deram nas vistas pelo que faziam numa altura em que realmente o rock e o metal não tinham a visibilidade que têm hoje, embora nem se tenham passado muitos anos. A Skyfall foi uma editora que escolheu essas bandas para fazer um trabalho que praticamente não havia em Portugal. E nós lançámos o nosso primeiro álbum.
Revivendo essa altura admites a ilusão pela qual todos passamos, em achar que talvez consigamos ser músicos sem ter que ter outra profissão... Ainda consegues hoje em dia viver essa inocência tão salutar e desejada?
Nesse aspecto tivemos sempre uma atitude diferente. Nunca pensámos em viver só da música. Pelo contrário, sempre pensámos que o ideal era viver bem de outra coisa qualquer para poder fazer música à vontade, sem pressões, como queriamos e quando queriamos. Falávamos nisso. E pensávamos que nunca teriamos que ser obrigados a fazer certas coisas por uma editora só para ganhar a vida.
Em quantos concertos é que vocês já vão? Enumera-me meia dúzia de concertos que tenham tido um papel decisivo, ou pelo menos inesquecível.
Já perdermos a conta.... no entanto há concertos inesquecíveis, como ter ido tocar à Prisão-Escola de Leiria e ao Estabelecimento Prisional de Lisboa. São experiências interessantes, mas depois podemos apontar concertos com Machine Head – Lisboa e Porto - Entombed, Moonspell e Life of Agony como grandes testes à capacidade de tocar com outras bandas.
Têm noção de que é possível fazer a analogia de vocês serem os “Xutos” do metal lusitano? Como é que conseguem estar há 10 anos com o mesmo line up? Desanuviam em sacos de boxe?
É uma pergunta interessante... e de alguma forma vista como um elogio. Dez anos é muito tempo... mas quando fazes algo genuíno é mais fácil durar muito tempo. Quando os projectos são insípidos e vão atrás de modas correm o risco de acabar tão depressa como começaram.
Acham que desde «The Angel, The Demon And The Machine», o underground regrediu? Ou é por fases?
O underground nunca regride. Enquanto houver uma corrente principal há-de haver sempre uma alternativa para os desalinhados. Mas as formas mudam. O underground era diferente há uns anos. Havia menos coisas, menos informação. Isso fazia com que se desse mais valor ao que havia e ao que se tinha. Por outro lado, talvez fosse mais fácil distinguir o que era genuíno do que não era. Hoje a indústria é gigante, e fabrica-se muita coisa. Nascem bandas por todos os cantos, para satisfazer este ou aquele mercado. Fazem-se bandas de gajos com ar de maus e que tocam música para meninos, etc. O que é dificil hoje no underground é distinguir as coisas. Porque hoje é moda ser underground.

O que é facto é que houve um grande interregno entre o vosso primeiro trabalho e este novo «Diesel Dog Sound». Sei que andaram sempre ocupados e compuseram mesmo alguns ‘futuros clássicos adiados’ como «Dementia», mas o que é que se passou para só agora este forte ressurgir?
Nunca tivemos agenda, nem prazos a cumprir, álbuns agendados, ou outras obrigações na banda. Tocámos sempre por prazer e o que fizémos foi sempre de acordo com os nossos princípios e ideias. Tudo na vida tem um lado bom e um lado mau, e obviamente temos prejuízos com a forma como encaramos e levamos as coisas. Um desses prejuízos é o tempo que demoramos para ‘aparecer’ com as coisas que fazemos. Mas nunca estamos parados. Temos tido sempre músicas novas, e as pessoas que nos acompanharam no caminho pelo underground ouviram-nas pela net ou nos concertos. Finalmente decidimos construir este álbum. E fizémo-lo com toda a força e empenho que tinhamos, mais uma vez.
Como é que chegaram a acordo com a Copro Records?
Foi um episódio engraçado. O ‘boss’ da editora, com quem nos cruzávamos de vez em quando, apareceu em estúdio num dia em que o nosso produtor estava mesmo a acabar de fazer a mistura final do tema «Millionaire». Nós vimo-lo a entrar, pois estavamos cá fora na ‘chill-out zone’. Depois de ouvirmos o produtor a passar a música lá dentro... o ‘boss’ sai do estúdio, vem ter connosco e pergunta-nos: "Man, that song blew me away, do you have a contract?"...e a partir daí deu-nos a entender que mesmo tendo o catálogo cheio fazia questão de abrir um espaço para nós assinarmos pela Copro....e assim foi.
E os quase dois meses que passaram em Inglaterra a gravar? Houve uma sensação de que finalmente eram uma banda de metal profissional? Ou estavam tão absorvidos que nem sentiram essa ilusão?
Aí está mais uma vez a questão. Não interessa ser uma banda ‘profissional’. O que interessa é ser uma verdadeira banda! E em Inglaterra sem dúvida que o sentimos de uma forma muito forte. Mas se calhar nem é no estúdio que se sente mais isso, é no próprio dia-a-dia. No fundo isso é o que acaba por interessar, e é isso que te faz feliz. Há muitas bandas profissionais que provavelmente nem se chegam a sentir uma verdadeira banda.
O álbum tem uma produção potentíssima! Fala nos um pouco do resultado final, visto pela banda.
Nós estávamos muito decididos em relação ao que queriamos fazer. Trouxémos o Dave a Portugal, à nossa sala de ensaio, tocámos e mostrámos-lhe bem o que queríamos. A nossa intenção era pôr aquilo num disco. Cru e intenso. E o Dave foi magnífico a traduzir isso no trabalho em estúdio. Ficámos com a sensação de que de facto ele nos compreendeu. E isso foi muito importante.
Como é que tudo se processou, lá em Inglaterra?
Veni Vidi Vici!
Fala-nos um pouco da temática lírica.
As letras deste álbum são fruto de reflexões e ideias. Umas vezes trata-se simplesmente da tradução de emoções e sensações, mas noutras abordam-se assuntos mais terra-a-terra, concretos, como as touradas onde meninas numas fatiotas ridículas entretêm pessoas sem escrúpulos com espectáculos de provocação e agressão de animais que não têm culpa nenhuma naquilo. Como as músicas, as letras nem sempre se podem explicar claramente. São a outra face de uma obra artística, de uma expressão que, com a música, funciona como um todo.
Já agora fala também um pouco das participações especiais que o álbum recebeu.
Na fase de concepção de algumas músicas, surgiu a ideia de que alguns elementos musicais poderiam ser interpretados por pessoas que achassemos que encarnavam o espírito específico desse elemento. Era uma questão muito simbólica, de mais uma vez dar uma verdadeira personalidade ao que estávamos a fazer. Isso aconteceu com uma guitarra que queríamos que soasse muito genuínamente ‘rock‘, com uma parte vocal que deveria ser mística e profunda, e com o acordeão. E naturalmente os nomes do Zé Pedro e do Fernando Ribeiro apareceram. E como símbolos que são, marcaram as músicas em que participaram de uma forma muito especial. O Ricardo Pereira para o acordeão resultou da procura de alguém com capacidade musical para concretizar certas ideias. Foram todos impecáveis.
Como é que está a ser feita a promoção? Existem já dois clips...Mas para além do trabalho nacional, estão a ter visibilidade lá fora?
A promoção deste álbum tem duas vertentes: nacional e internacional. Ao assinar com a Copro nós só colocámos uma condição: "Portugal é nosso, e queremos ter uma editora local". E porquê? Achamos que o mercado é muito especifico e precisa de um tratamento completamente diferente. Só para perceberes, em Portugal fazes cinco cópias em betacam digital do clip e só para Londres foram feitas 25 por clip. Já nem sei quantas foram elaboradas para o resto da Europa... Para além disso, em Portugal fizemos questão de elaborar um digipack mais sofisticado, com um DVD extra. Quanto à visibilidade... apenas podemos responder pelo que vemos nas ‘reviews’ que recebemos do estrangeiro. Se fores ao nosso site, percebes logo que estamos a chegar a países onde nunca tínhamos imaginado chegar... e receber reviews da Austrália, Grécia, França, Inglaterra, Bélgica, Holanda, Alemanha, Itália, etc... é sem duvida muito esclarecedor acerca do trabalho da editora.
E a nível de concertos? Vocês são de longe uma das actuações de metal mais profissional que já vi ao vivo, isto incluindo qualquer banda estrangeira. Prova disso foram as datas com Machine Head. Como é que está a agenda?
Antes de mais, obrigado pela critica... É bom ouvir isso. Nós achamos que um concerto é sem dúvida onde uma banda se exprime verdadeiramente. Há um conjunto de elementos - música, luzes, atitude, público - que tornam o evento numa cerimónia única e especial. E damos tudo para curtir ao máximo em cima de um palco. Em relação a datas, é um pouco incerto a forma como se processam as contratações para concertos. No entanto tocámos bastante no ano passado, de norte a Ssl e ilhas, Fnacs... e estamos sempre dispostos a tocar, desde que existam o mínimo de condições. Data confirmada é a presença no palco Quinta dos Portugueses no dia 27 de Maio no 11º Super Bock Super Rock.

E voltando ao passado... há cerca de dois anos, vocês prepararam um set acústico que redesenhou por completo o vosso repertório. Eu vi-vos na altura e arrepiava qualquer tipo de exigência. Porque não apostaram mais nesse esquema? Hoje podia-se falar de vocês como se fala de Blind Zero, por exemplo.
E isso era bom? Eu gosto muito de Blind Zero, e eles são pessoas impecáveis, mas nós somos uma banda diferente, com ideias diferentes. E neste momento queremos tocar desta forma: intensa, com muita potência e muita electricidade! O set acústico agradou-nos muito, mas felizmente não somos tão profissionais que tenhamos que o tocar sem nos apetecer. Talvez qualquer dia nos dê esse feeling outra vez, e aí voltaremos a fazê-lo com gosto. Foi uma experiência muito especial.
Como já referi, apesar de apenas dois álbuns oficiais, contam com uma extensa lista de temas gravados. Por muito difícil que seja, partilha connosco um top-ten de The Temple.
De facto é difícil, mas músicas que consideramos de alguma forma especiais são talvez o «Dementia», «Lonely», «War Dance», «Release my Demons», «Revolution», «Millionaire», «Baby Hate», «CyberVoodoo» e «22 Belzebu».
Os temas que ficaram por editar podem ser retirados do vosso site. Fala-me da eficiência que o vosso site tem na vossa divulgação
O nosso site, embora pareça algo banal e sem grande relevo, foi uma das coisas mais importantes que aconteceram nos The Temple. Através do site passámos a ter um contacto com as pessoas que gostam da nossa música que nunca tinhamos tido. Recebemos apoio e opiniões. Ficamos muito estimulados com isso. Vemos os downloads que são feitos. No underground a comunicação é muito mais difícil, e o site veio mudar completamente essa situação.
- Painstruck, Ho-Chi-Minh, W.A.K.O. e Subculture ao vivo no largo da feira da Moita - 22.00h
- WinterMoon ao vivo n'O Culto Bar, em Cacilhas (almada) - 22.00h
- Emilbus ao vivo no Neutro Klub, em Santos (Lisboa) - 00.30h

Reason CD
AFM Records
Os Shaman (que a partir de agora se vão chamar Shaaman por motivos legais) são, para quem ainda não sabe, a banda que reúne os vocalista, baixista e baterista que abandonaram a formação que fez dos Angra um fenómeno mundial. O que equivale a dizer que é a voz de André Matos que dá o mote nesta banda. «Reason» é já o terceiro disco, segundo de originais, depois de «Ritual» e do disco ao vivo «Ritualive». Basicamente, reforça a ideia do primeiro álbum de originais de Shaman: regresso às raízes de Angra, sem as demasiado carregadas componentes sinfónicas que levaram André Matos ao projecto Virgo, e com as baterias apontadas para o power metal que estende a carpete vermelha à voz de Matos. Com apenas uma guitarra, os Shaman conseguem ainda assim criar sólidos temas de power metal melódico, com bons riffs e solos minimamente interessantes, sem no entanto perderem de vista alguns elementos de teclados que, apesar de aparecerem timidamente, completam muito bem a música de «Reason», como já o haviam feito com «Ritual». Nada de novo, portanto. É, no entanto, no peso que está a principal novidade de «Reason», e com razão recorreram os Shaman a ele, uma vez que os riffs duros e pesados de temas como o grande «Turn Away», que abre o álbum, fazem um ponto de equilíbrio quase perfeito com a voz naturalmente melódica de André Matos. Uma referência especial para a versão de «More», de Sisters Of Mercy, que os Shaman gravaram para este disco: apesar de se enquadrar, mercê de um bom trabalho de adaptação instrumental, é um pouco estranho ouvi-lo com este registo vocal bem mais agudo do que o original. Ainda assim, registe-se a coragem de André Matos, que coloca aqui o outro poste da sua capacidade vocal, sendo que o primeiro foi colocado há mais de meia década quando presenteou os seus fãs com uma prestação vocal perfeita no tema «Wuthering Heights» de Kate Bush. (7/10)

Os The Womb actuam ao vivo no próximo dia 27 de Maio no Bar Ribeirinha, na Ribeira do Porto. O concerto começa por volta das 23.00h e a entrada custará Eur 1,50.
Os thrashers alemães Tankard tocam em Portugal no final de Setembro. Para já está confirmado um concerto no Hard Club, de Gaia, no dia 30 de Setembro, faltando ainda a confirmação de um concerto em Lisboa no dia 1 de Outubro. O concerto do Hard Club terá a primeira parte assegurada pelos Pitch Black.

Annihilation Of The Wicked CD
Relapse Records
Os Nile têm pouco a provar na cena death metal actual, que já os coroou príncipies de um reino comandado por uns Morbid Angel cada vez mais ameaçados pelo talento e técnica desta banda. As influências árabes do death metal dos Nile são apenas a ponta do véu que esconde um mundo pleno de exuberância técnica, peso intrincado e pormenores verdadeiramente épicos. «Annihilation Of The Wicked», tendo a tarefa ingrata de ser o regresso de uma banda consensualmente boa em todos os seus discos anteriores, mantém os Nile na senda da música que, apesar de técnica e brutal ao extremo, não perde profundidade nem originalidade. Optando por alguns temas mais lentos do que é habitual nos seus discos, o grupo americano deixa lugar para mais alguma negridão do que aquilo que os álbuns anteriores deixaram antever, não sacrificando no entanto nenhum dos elementos arábicos da sua música e nenhum dos temas herméticos das suas letras. Apenas torna as músicas mais complexas e dota-as de mais elementos e ambientes diferentes. «Chapter of Obeisance Before Giving Breath to the Inert One in the Presence of the Crescent Shaped Horns» é apenas um dos exemplos de como a música de «Annihilation Of the Wicked» pode ser mesmerizante e intigrante ao mesmo tempo que carrega bem fundo no acelarador e nos atira riffs, blasts, breaks e vocalizações sufocantes e abrasivos. Se dúvidas restassem em relação à supremacia dos Nile no death metal actual, este disco decepa-as com um golpe rápido e seco. (9/10)
A editora italiana Avantgarde Music tem três novos lançamentos a sairem esta semana. O primeiro é o novo da banda de black metal finlandesa de culto Azaghal, chamado «Codex Antitheus». O segundo é «The First Shade Of...» do projecto francês Grey, que segue a sonoridade de bandas como Thorn, Kvist ou Manes. Por fim, «Climax Of Hatred» é o novo disco de Ad Hominem, projecto de black metal demolidor do francês Kaiser W., conhecido de bandas como The Call, Omnes Ad Unum, Eradication e Antithesis.
Os portugueses Humanart, de Santo Tirso, acabaram de substituir um dos seus guitarristas, e procuram neste momento um novo teclista para as datas ao vivo que se avizinham. Quem estiver interessado no lugar pode contactar a banda através do mail _humanart_@no.sapo.pt ou do número 93 422 83 85.
Os portugueses Humanart, de Santo Tirso, acabaram de substituir um dos seus guitarristas, e procuram neste momento um novo teclista para as datas ao vivo que se avizinham. Quem estiver interessado no lugar pode contactar a banda através do mail _humanart_@no.sapo.pt ou do número 93 422 83 85.
Os Fragments Of Unbecoming estão em plena fase de composição para o seu próximo álbum de originais. Para já o título provisório do disco é «Sterling Black Icon», e alguns dos títulos já confirmados para as músicas do álbum são «Scythe of Scarecrow», «Breathe in the Black to See», «Of the Darkest Dye», «Sterling Black Icon», «Stand the Tempest» e «Live for the Moment - Stay 'Til the End». A banda planeia entrar em estúdio no final do Verão. O lançamento deverá ser efectuado no final deste ano ou início do próximo
- Edição de «How The Great Have Fallen», de Raging Speedhorn
- Edição de «Warriors Of The Rainbow Bridge», de Molly Hatchet
- Edição de «Without A Promise», de Shortie
- Edição do CD duplo «Live», de Ray Wilson
- Edição do DVD «A Night To Remember», de Evergrey
Os The Red Chord colocaram finalmente online o seu novo vídeo, do tema «Antmand». Vejam-no aqui.
Foi finalmente editado o segundo volume da compilação «Überthrash», que segue em tudo as pisadas da primeira edição: as bandas são as mesmas (Aura Noir, Ïnferno, Nocturnal Breed e Audiopain) e o formato também (7" duplo em gatefold), mantendo-se a edição limitada a 1.000 cópias. Encomendem a compilação directamente através do mail de Audiopain: audiopain@hotmail.com
No mês de Junho os Unearth vão estar de volta à Europa para tocr em alguns festivais e para alguns concertos em nome próprio, onde tocarão com Lamb Of God, Every Time I Die e Caliban. Os países por onde a banda americana passará serão a Alemanha, Áustria, Itália, Suíça, Holanda, França e Inglaterra.

O Hospital das Guitarras vai realizar no dia 28 de Maio - o próximo sábado - um workshop sobre o instrumento, que versará sobre assuntos tão variados como dead spots e hot spots, problemas de fase entre som, minimizar empenos ou torções dos braços, tirar melhor partido do amplificador, a ordem de ligação dos pedais, a importância dos cabos, acessórios e sua relação com o som, manutenção dos acessórios, como viver melhor com o Floydrose, problemas de afinação, como escolher as cordas, colocação de cordas para uma melhor afinação, conhecer melhor os pickup's e piezos. A apresentação estará a cargo de Jorge Nascimento, músico, construtor e restaurador de instrumentos. O workshop realizar-se-á no Auditório da Fundação CEBI, em Alverca do Ribatejo, no Parque Residencial Nortejo. Inscrevem-se e peçam informações adicionais para: workshops@hospitaldasguitarras.com
A webzine The Lodge tem finalmente uma nova morada, e está pronta a avançar de novo com novas críticas e entrevistas. Vejam-na aqui.

Metat[r]on CD
Napalm Records
Com o selo da editora austríaca Napalm desde 1999, chega-nos o segundo longa-duração desta banda que esteve em Portugal no passado mês de Novembro. Após a saída de Alexandra P. em 2003, «Metat[r]on» apresenta-nos uns Darkwell completamente renovados, aptos a conquistar novos fãs e desiludir os mais antigos. Imaginem os dois últimos cds na onda de Tristania e Theatre of Tragedy e um novo álbum a puxar para os Dreams of Sanity e Lacuna Coil. Stephanie Luzie (nova vocalista) até tem um jogo de vozes, engraçado, com ela mesma, a sedução e doçura inerentes ao gothic metal sobressaiem mas enfadam. Ouvido com atenção, a homogeneidade dos riffs desde a 1ª à 9ª faixa assemelham-se a 40 minutos de uma só composição. Perdi a conta às vezes que ouvi este cd, todas as manhãs, a tentar escrever alguma coisa, a sentir que o álbum tinha alguma coisa de errado. Digamos que este não é, sem dúvida, um digno sucessor. (6/10)
Lurdes Matos

Grime vs. Grandeur CD
Metal Blade
Custa-me admitir isto, como grande fã de Mithotyn e dos primeiros álbuns de Falconer que sou, mas a verdade é que desde a saída de Mathias Blad que esta banda nunca mais reencontrou a sua melhor forma, que era um equilíbrio perfeito entre o poder do heavy metal mais clássico, das melodias folk vikings que remanesciam de Mithotyn e de uma espécie de metal extremo e rápido que ainda restava na guitarra de Stefan Weinerhall e na bateria de Karsten. «Sceptre Of Deception», de 2003, deixava antever a decadência dos Falconer, que «Grime vs. Grandeur» acaba por efectivar. Transformado em apenas mais uma banda de power metal épico onde apenas é possível – e com muito boa vontade – vislumbrar espectros das melodias vikings do tempo de Mithotyn ou mesmo dos primeiros tempos de Falconer, o grupo tenta propôr algo coeso e variado, mas só em parte o consegue. Primeiro porque a coesão soa a falso, com uma produção um pouco fraca demais para o peso a que os Falconer habituaram os seus fãs. Depois, porque a variação implica alguns temas abaixo da média – como «I Refuse» ou «Power» - e experiências completamente desenquadradas, como é o caso de «The Return», estupidamente perto do som de... Ozzy Osbourne. Apenas no último tema, «Child of the Wild», regressam as melodias verdadeiramente épicas à música de Falconer. É muito pouco para um disco de uma banda que, quer por problemas de formação quer por falta de auto-motivação, tem vindo a descer um caminho ascendente, e teima em apagar uma chama que ainda tem muita lenha para arder. (5/10)
A Palace Of Worms prepara-se para editar um disco de remisturas de temas dos neo-clássicos gregos Daemonia Nymphe. As remisturas serão feitas por projectos como Von Magnet, Beefcake, Nikodemos, Peekay Tayloh, Basilis, Mimetic Mute, Supermarket e Dani Joss.
Está confirmado: no dia 19 de Junho, o deus-lenda do heavy metal Dio, actua em Portugal, mais concretamente no Hard Club, de Gaia.
O vocalista Frank Regan abandonou os Raging Speedhorn. Frank não terá aguentado a pressão a nível de compromisso que implica pertencer a uma das mais requisitadas bandas da cena extrema britânica actual, que se terá agravado com o facto dos Raging Speedhorn estrem prestes a editar o seu novo álbum, «How The Greath Have Fallen» - que sai amanhã. Bloody Kev, antigo vocalista de bandas como Hard To Swallow, Iron Monkey e Helvis, é o vocalista que vai assegurar temporariamente o lugar de Regan, nomeadamente nos concertos de clubes que os Raging Speedhorn vão fazer logo a seguir ao lançamento do novo disco.
O concerto dos eslovenos Laibach amanhã no Hard Club será antecedido e sucedido por festas temáticas. Assim, hoje, o Heavens Gothic Bar, do Porto, faz uma warm-up party, com música a cargo dos DJ's Winter, Galatea e Rui Carvalheira. Amanhã, depois do concerto, também no Heaven's Gothic Bar, há after-party com música a cargo de Sérgio P.
Os thrashers extremistas Criminal vão fazer as primeiras partes dos concertos de Chimaira no Reino Unido no mês de Junho. A banda terminou recentemente as gravações do seu novo disco «Sicario», e regressa ao estúdio Stage One este fim-de-semana para começar a mistura com o produtor Andy Classen.
- Born From Pain, Zero Mentality, Painstruck, More Than Hate, For The Glory e If Lucy Fell ao vivo no C.R.P. de Campolide – 19.00h
- July 13, Decreto 77 e Azia ao vivo no Café Rio de Vila, em Vila Frescainha de São Martinho (Barcelos) - 21.30h
- Skeptik, Chaospit e Encephalon ao vivo no Bar Académico, em Vila Real - 22.00h
- Holocausto Canibal, Grog e Simbiose ao vivo no Jinx, no Bairro Alto (Lisboa) - 22.00h
- The Ransack e In Tha Umbra ao vivo no bar Ar de Rock, em Alcaria (Porto de Mós) - 22.30h
- Festa de lançamento do disco «Electronics», de [f.e.v.e.r.], no Dishorder (Cais do Sodré, Lisboa) - 00.00h
- Rome Nine Roses ao vivo n'O Culto Bar
- Dead Infection, Suhrin, Simbiose, Grog e Holocausto Canibal ao vivo no Barco Gandufe (Porto)
- Edição do single «Tornado», de Adema
- Rollsrockers, The Aster, Diana Jones e The Vietnam Whisky Dancers ao vivo no Bar Maria Fumaça, em Casais de S. Lourenço (Ericeira) - 21.00h
- Dead Infection, Suhrin, Simbiose, Grog e Holocausto Canibal ao vivo no Bar Porto Rio (Porto) - 22.00h
- Call To Power, Sick Souls e Korseron ao vivo no RockHouse Café (Alenquer) - 23.00h
- The Ransack, Dethmor e Anonymous Souls ao vivo mo Colinas Bar, em Branca (Albergaria-a-Velha) - 23.00h
- Blacksunrise e Hornet ao vivo no Contraste Bar, em Ceira (Coimbra) - 23.00h
- Opus Draconis ao vivo no Lótus Bar (Cascais) - 23.00h
- In Solitude e Hiffen ao vivo na Expomotor Açores, em Ponta Delgada (S. Miguel, Açores)
- Oratory ao vivo na I Feira Motard dos Açores (Ponta Delgada)
- Epping Forest e Humanart ao vivo no Café-Teatro Sá Miranda, em Viana do Castelo
- Ferro & Fogo ao vivo no Kamarro Club, no Barreiro
Os IQ já encontraram um substituto para o baterista Paul Cook, que vai realizar os seus últimos três concertos no mês de Julho. Depois disso, e a partir de Setembro, a banda inglesa vai continuar a sua Dark Matador Tour 2005 com Andy Edwards.
No sábado, dia 21 de Maio, os Skeptik, Encephalon e Chaospit actuam ao vivo no Bar Académico, de Vila Real, a partir das 22.00h. A entrada vale Eur 2,00.
No dia 21 de Maio acontece no Café Rio de Vila, em Vila Frescainha de São Martinho, em Barcelos, um concerto punk com actuações de July 13, Decreto 77 e Azia, com início marcado para as 21.30h. A entrada custará Eur 3,00, mas em contrapartida a cerveja estará à venda a Eur 0,70.
Os [f.e.v.e.r.] editam, no final deste mês, um álbum de remisturas chamado «Electronics». No disco, pessoas de projectos como Bizarra Locomotiva, Shhh..., The Ultimate Architects, Moonspell, Mofo, Sci Fi Industries, Aenima e Mechánosphere recriam temas dos [f.e.v.e.r.] com outros ambientes, ritmos e roupagens. No próximo sábado, dia 21, o disco será apresentado na Feira da Fanzine 2005, no Ponto de Encontro, em Cacilhas (Almada) entre as 22.00h e as 00.00h, passando depois a apresentação para o Clube Disorder, no Cais do Sodré, onde durará até às 04.00h da matina.
Este ano o escritório europeu da Metal Blade Records celebra o seu 10.º aniversário de existência. Para comemorar, a editora vai organizar uma noite muito especial, chamada Metal Blade Rrroooaaarrr, no dia 2 de Outubro, em Longhorn, Estugarda (Alemanha). Pelo palco passarão bandas como Amon Amarth, Brainstorm, Primordial e Cataract, que tocarão temas das suas discografias e a seguir formarão uma banda 'all-star' para interpretar algumas versões de outras bandas. Cada pessoa presente receberá um CD de presente. Os bilhetes custam Eur 20,00, e estão já abertos a reservas na página da Metal Blade.
Os Spiritual Beggars assinaram um contrato discográfico com a InsideOut Music. Até aqui considerados uma banda de stoner rock, Michel Amott (Arch Enemy) e companhia pretendem, com este passo, passar a ser vistos como uma banda de 'rock clássico'. Todos os que ouvirem o seu novo disco, «Demons», vão perceber porquê: Dio, Mountain, Purple, mas também Govt. Mule e Lynyrd Skynyrd vão ser as principais influências. «Demons» é editado no dia 20 de Junho, e vai ter direito a uma edição especial com DVD bónus.

Apesar de um início de carreira ligado ao black metal, os Goat Of Mendes chegam ao quarto álbum de originais, «A Book Of Shadows», com a fama de serem uma das mais interessantes bandas da cena alemã actual. Com um inconfundível sentimento de 'true' metal muito NWOBHM a pairar por cima de uma mistura que envolve também doom, thrash e pagan metal, a banda liderada por Surtur consegue criar dinamismo, peso e melodia de um modo quase único na cena internacional. Ligados à filosofia Wicca, os Goat Of Mendes apoiam-se numa década de experiência e na arrogância de quem tem coragem para voltar as costas a toda uma 'cena' de metal actual, e seguir o seu próprio caminho. Surtur, o vocalista e líder da banda, explica como podemos segui-los.
Qual é o teu sentimento agora sobre o disco? Ainda estás totalmente satisfeito com ele? Mudarias alguma coisa nele agora, se pudesses?
Da minha parte ainda estou muito satisfeito com o resultado do nosso último disco. Gosto muito das músicas – algumas delas são as melhores composições que nós já fizémos nos nossos 10 anos de carreira. Existe apenas uma coisa que eu mudaria se pudesse, que é a qualidade sonora em alguns aspectos. Está mais ou menos boa, mas depois da masterização final não fiquei totalmente satisfeito com o som das vozes. Tê-las-ia colocado um pouco mais baixas aqui e ali, porque agora pode ouvir-se uma espécie de ruído por baixo, em algumas partes. À parte disso, creio que conseguimos pelo menos manter a qualidade do «Thricefold».
Este é provavelmente o vosso álbum mais variado de sempre. Vocês planearam, desde o início, fazer um disco assim tão variado?
Não o planeámos – só que as músicas foram ficando assim durante a fase de composição e gostámos delas como estavam. A variação nas músicas reflecte o facto de nós estarmos abertos a muitos estilos diferentes de metal – seja ele black, death, thrash ou 'true’ metal. Todos eles têm as suas origens no movimento metaleiro do início dos anos 80 – o período em que nós crescemos, por isso é lógico que toquemos o que pessoalmente gostamos mais. À parte disso, é muito limitador uma banda concentrar-se apenas num estilo de metal. Nós focamo-nos muito na nossa mensagem das letras e em criar atmosferas. O doom metal, por exemplo, é perfeito para interpretar um sentimento depressivo, enquanto que a agressão exige um som mais thrash ou black, por isso seria estúpido tentar interpretar todos os sentimentos presentes nas nossas letras apenas de uma maneira.
Vocês têm algum tipo de regras quando compõem a vossa música, sobre o que pode ou não ser usado no estilo de Goat Of Mendes, e o que não pode ser usado?
Nós nunca mantivémos uma lei 'rígida' sobre o que pode ser feito numa música típica de Goat Of Mendes, e o que não pode ser feito. Se é METAL e contém uma atmosfera que se adapta, nós fazemo-lo. Não estou minimamente preocupado com o que as outras pessoas esperam, como uma 'verdadeira banda de metal pagão' deve soar e não me importo com o facto de haver ou não 'coros vikings' suficientes e coisas desse género numa música para que ela possa ser ouvida pela maioria comercial. Existem certos elementos únicos em todas as nossas músicas que são tipicamente Goat Of Mendes, estejamos nós a tocar uma música folk ou uma faixa extremamente agressiva - vai ser definitivamente fácil reconhecer que é Goat Of Mendes. Apesar disso, nunca usaríamos elementos de metal-falso como o metalcore, o hardcore, o nu-metal ou o neothrash.
Que tipo de público é o vosso? Vocês têm uma audiência maioritariamente constituída por fãs de metal extremo, por fãs de 'true metal' ou por fãs não particularmente ligados a nenhum estilo especial de metal?
Acho que é mais essa última categoria de pessoas, que são tolerantes em relação a diferentes estilos de música. Nós somos demasiado 'leves' e melódicos para o público do metal extremo e demasiado pesados e variados para os maníacos do 'true metal'. À parte disso, o nosso fã médio tem normalmente mais de 20 anos e na sua maioria são fãs que testemunharam várias ondas irem e virem no metal. Por isso compreendem o que queremos expressar com Goat Of Mendes muito melhor do que um headbanger mais novo, que cresceu a ouvir apenas um estilo - por exemplo black metal - e pode achar um pouco difícil de engolir tantas variações na mesma música.

Vocês usam instrumentos acústicos como o violino e a flauta neste disco. Foi difícil captar esses instrumentos em estúdio? Estão a pensar em voltar a usá-los no futuro?
Não foi nada difícil, porque o violino e a flauta são instrumentos verdadeiros, e não sons artificiais criados por teclados, e foram tocados por bons amigos nossos. O violino foi tocado pelo Zagan, que é o vocalista, guitarrista e violinista de Black Messiah, uma banda de viking metal da nossa área. A Ingeborg é a vocalista e flautista de Adorned Brood, uma excelente banda pagã/folk da Alemanha. O Zagan participou também no «Thricefold», o nosso terceiro álbum. Se existir outro álbum de Goat Of Mendes no futuro, vamos com certeza pedir-hes para participarem de novo!
Vocês estão muito ligados à filosofia Wicca. É algo que vocês seguem como uma religião, ou um tópico em que estão apenas interessados académicamente para usar nas vossas letras?
O conceito da Wicca foi ideia minha, porque sou eu que escrevo todas as letras de Goat Of Mendes. Sou um seguidor do caminho da Wicca desde os oito anos de idade, quando herdei a filosofia do meu pai. Ele era um médico omeopático e seguia os ideias pagãos, o que é muito incomum na sua geração. Gostei do modo de vida dele e apercebi-me que era um caminho muito mais lógico e positivo do que o cristianismo. Apesar disso, não vejo a Wicca como uma religião, porque não venero nenhuma deidade ou ser superior. É uma espécie de filosofia, mas muito importante. Para além de mim, a minha mulher Maia também é uma seguidora da Wicca e o Marco está, pelo menos, muito ligado a ela também.
Quais são as principais linhas da filosofia Wicca?
A Wicca baseia-se nos ensinamentos antigos da bruxaria, que significa a maneira de viver com e entre os poderes selvagens da natureza, da qual somos um aspecto, tal como qualquer outro animal ou planta. Acredita-se que qualquer ser é composto por duas energias opostas: a positiva e a negativa. Essas energias flutuam também livremente pelo universo e são muitas vezes descritas como 'magia', 'lei', 'caos' ou 'Yin e Yang'. A natureza trabalha para que as energias se mantenham equilibradas e assim o fazem também os seguidores da velha fé. O conceito destas energias serem o 'bem' e o 'mal' surgiu com o advento das religiões patriarcais - como o cristianismo - que desfez o balanço e, assim, as leis da natureza, porque uma parte da natureza foi condenada e dizimada.
Espalhando a palavra na vossa música e letras, não receias que a filosofia Wicca se torne demasiado conhecida e atraia pessoas que apenas a sigam por moda, para seguirem até mais longe a sua banda favorita?
Não, não creio que estejamos em risco de iniciar uma moda de seguidores de Wicca. Para dizer a verdade, gostariamos de ver pessoas inspiradas pelas nossas letras a informarem-se sobre a filosofia Wicca. Não é um hábito muito típico do metal escrever sobre uma forma de paganismo que não tem nada a ver com espadas, bebida, batalhas, florestas e todas as outras merdas que são tão populares hoje em dia e, por isso, muitas pessoas nos acusam de não sermos uma 'verdadeira' banda pagã. Seriamos muito mais populares se usássemos capacetes com cornos e lanças em palco, mas obviamente recusamo-nos a fazê-lo. Em vez disso divertimo-nos imenso a ver a quantidade de bandas que tentam ser os verdadeiros herdeiros dos vikings ou celtas e se auto-intitulam pagãos. A Wicca provavelmente nunca vai ser uma moda no metal, por ser uma filosofia demasiado pacífica e, por isso, de tão difícil adaptação para a maioria das pessoas. Mas se existir alguém que possamos inspirar, isso deixa-nos muito satisfeitos.
Vocês mantêm-se, de certo modo, abaixo da linha de água em relação à 'indústria' do metal actual, apesar da vossa música ser das mais interessantes que se faz hoje em dia. Achas que a música ainda é um factor importante para uma banda ficar conhecida? Mais do que os investimentos de marketing e promoção, por exemplo?
Não, infelizmente o sucesso de uma banda depende a 90% de uma boa estratégia de marketing, de uma promoção forte e acima de tudo da sorte de se cair na moda certa na altura certa. É muito mais fácil copiar o estilo de um grupo conhecido do que criar algo de novo. Por causa da enorme quantidade de álbuns que são lançados todos os meses, a maioria das pessoas não tem vontade de explorar novos estilos e gastar o seu tempo a habituar-se a algo que não é habitual. A maioria das pessoas preferem ouvir aquilo que já conhecem. É por isso que quase todas as bandas únicas nunca vão chegar muito mais longe do que conseguir um certo estatuto de culto entre uma minoria de fãs de metal mais esclarecidos.

Vocês estão a planear alguma digressão para promover este álbum?
Nós gostariamos muito, mas pouco depois do lançamento do «A Book...» o nosso baterista abandonou a banda e surgiram alguns outros problemas para serem resolvidos. Por isso, parece que somos forçados a re-organizar a banda primeiro. Vamos com certeza tocar ao vivo, mas neste momento simplesmente não podemos...
A cidade de Elvas vai acolher, no dia 11 de Junho, o festival itinerante Alta Tensão, com actuações de Moonspell, Re:aktor, ThanatoSchizO, TwentyInchBurial, Shrapnel e VS777.
Kurt Vanderhoof, que neste momento tem o disco do seu projecto Presto Ballet prestes a ser editado pela InsideOut Music no dia 6 de Junho, vai ter um Verão muito preenchido. A partir de dia 2 de Junho começa uma extensiva digressão europeia com a sua banda principal - Metal Church - que o levará a países como Bélgica, Inglaterra, Itália, Holanda e Suíça.
O novo baixista de Arya é Nuggy, ex-músico de Adelaide Ferreira e de bandas como SG's. Entretanto, os Arya estão a finalizar as gravações do vídeo-clip do tema «Go», que deverá estar pronto em Junho.

Mais do que um músico a brincar às versões, «Angelis Daemonae - Wiccan Aftermath» é um disco muito sério de um projecto muito especial. O Marcus H. Manigan tem surpreendido o mundo do metal extremo com os seus discos de Elvira Madigan - onde sózinho compõe, interpreta e grava uma mistura muito especial de black e dark metal, ambientes neo-clássicos e góticos. E é precisamente esse o mundo que este disco apresenta , com a particularidade de o fazer com temas de Jean-Michel Jarre, Scorpions, Chris deBurgh ou Tori Amos! Que «Angelis Daemonae...» não é o típico álbum de versões é o mínimo que se pode dizer deste disco e, por isso, esta conversa com Marcus ganha um relevo especial, tanto mais que o pequeno génio sueco decidiu brindar-nos com vinte minutos de conversa sincera e bem-disposta.
Quanto te surgiu a ideia de fazer um álbum de versões já tinhas consciência de que ias ter uma lista de faixas tão ecléctica?
A ideia surgiu pouco tempo depois do lançamento do meu álbum anterior - «Witches - Salem (1692 vs. 2001)». Queria fazer algo para 'recarregar baterias', por assim dizer, antes de começar o meu próximo álbum de originais, que está a ser uma tarefa hercúlea. O «Witches...» fez-me gastar muita da minha energia, por isso precisava mesmo de fazer algo completamente diferente. Acho que, subconscientemente, já sabia o que queria de um álbum de versões. E, de facto, não analisei ou pensei demasiado na direcção que queria tomar. Que iria transformar temas não-metal neste estilo de música extremo era a principal ideia, porque não vejo qual é o objectivo de regravar músicas que já são metal. A única razão para fazer um álbum assim é ser-se capaz de reinterpretar as versões originais de uma maneira totalmente nova, senão não passaria de um valente rip-off aos compradores de discos, uma tentativa de ganhar uns trocos facilmente ou até de fazer crescer o meu perfil na cena à custa do trabalho de outros - e isso é, basicamente, totalmente contra os meus princípios. Todos os meus preciosos álbuns são como viagens musicais e não queria que este disco fosse em alguma coisa diferente. A escolha de músicas recaiu sobre as que eu podia reinterpretar melhor de modo a que soassem como uma música original de Elvira Madigan. Por isso, acho que este álbum de versões é único, nesse sentido.
Diz-nos por favor porque escolheste nada menos que quatro faixas de Chris deBurg, e que critério usaste para escolher estas faixas especificamente...
As três últimas músicas do álbum fazem parte de uma triologia sobre o fim do mundo. Estas três faixas são mais ou menos as responsáveis pelo álbum ter sido gravado, porque estavam há já algum tempo em prioridade na minha lista de coisas 'a fazer'. Mesmo desde o final dos anos 80, quando comecei a tocar baixo e a ter ideias artísticas musicais, tenho o sonho de recriar estas músicas no formato metal.
Na verdade, foi o meu pai que comprou o álbum por causa da balada infame «Lady in Red», que tornou o senhor deBurgh tão conhecido - infelizmente, porque essa música em particular é uma merda e ele tem um currículo musical tão mais variado antes desse disco. Ouvi esse disco vezes sem conta, e quando surgiu a oportunidade de comprar uma colecção dos trabalhos antigos de deBurgh os meus olhos recaíram nesta música única que se assemelhava a algo como temas orquestrais pesados e baladas com contos de fantasia. Claro que o meu pai já não se importava muito com esse material antigo, porque tinha pouco ou nada a ver com o «Lady in Red». Mas aos meus ouvidos a música era como metal sem guitarras e voz agressiva, mas ainda assim com um peso inquestionável.
Por isso, as três faixas da triologia eram uma escolha natural, embora o «Spanish Train» não fosse. O facto era que tinha várias outras músicas em mente que mais ou menos fui experimentando, e como também experimentei esta, acabou por funcionar muito bem. Não pensei que funcionase, porque o original era tocado com uma orquestra completa e eu tinha apenas um sintetizador para competir com ela. Mas acrescentando algum metal e muito trabalho com as vozes consegui manter o dramatismo da história, e tornei-a mais negra e sinistra. Estou muito contente por ter escolhido essa faixa, porque parece estar a tornar-se uma favorita entre muitas - que é algo para o qual eu não estava definitivamente preparado. O álbum tem um pouco de deBurgh a mais, mas isso deve-se em parte ao facto da triologia estar dividida, embora ele tenha um interessante conjunto de músicas nos seus trabalhos mais antigos - por isso não seria de admirar que eu tentasse algumas coisas mais dele no futuro.
Falemos agora das versões de Tori Amos e Jean-Michel Jarre... também és fã destes artistas? Ouves muita música de piano, contemporânea, electrónica e experimental?
Sou, de certo modo, um fã da genial Tori Amos. Escolhi uma música dela para recriar muito devido a esse facto, e não porque o original fosse de alguma forma pobre. Apenas a fiz completamente diferente, e as músicas rápidas eram um ingrediente muito necessário para o álbum, na altura em que eu o estava a terminar. Por isso, foi também uma contribuição de última hora.
Em relação à faixa de Jarre - que foi, na verdade, composta pelo pai de Jean-Michel, Maurice Jarre - sempre foi uma peça que admiro imenso, desde que vi o filme Jacob's Ladder. O filme é um dos melhores que eu já vi, e aquela melodia negra e triste desfaz-me totalmente, para além apreciá-la também pela sua imprevisibilidade.
Gosto mesmo muito de material clássico e bonitas faixas de piano. A música electrónica não me é tão cara, mas coisas como Marillion são, e muito. Essa banda em particular, e a emoção que transmitem desde a mudança de vocalista é uma das maiores inspirações para a minha própria música. Para além disso, encontro muito talento da música asiática de vídeo-jogos e séries Anime. Existem verdadeiras pérolas que podem ser encontradas aí.
Também Nordman não escapou à tua busca de versões. Achas que alguns dos fãs de Elvira Madigan vão procurar alguma da música desta banda por causa da tua versão? O que achas que o teu fã-tipo vai achar da música deles?
Na Suécia, suponho que a maioria das pessoas conhecem Nordman porque eles foram muito grandes nos anos 90, com uma mistura muito especial de folk-pop - e a maioria das pessoas até pode ter um álbum ou dois deles. Fora da Suécia, não sei se os discos deles chegaram alguma vez a serem vendidos. Se alguns ouvintes mais novos, que não fizeram parte ou conheceram essa cena nos anos 90, acharem a música muito boa, talvez vão procurar os originais. Acho que as pessoas devem fazê-lo, porque o primeiro álbum que eles fizeram - de onde retirei o «Under Norrskenet» - é muito bom, mas não escondo que ficaria muito surpreendido se alguém o fizesse, em grande parte devido à inecessibilidade dos títulos. Se o fã-tipo de Elvira Madigan também gostar de folk, acho que gostará da música deles. É material muito melancólico com excelente melodias folk, e eles até tinham um vocalista de heavy metal. Acho que definitivamente funcionaria na Alemanha. É muito como uma versão mais leve de Subway To Sally, por vezes - misturado com coisas mais tradicionais.
Falemos agora de um dos mais altos momentos do álbum... «Alien Nation». Porquê Scorpions, porquê esta música?
Fi-la porque detesto o trabalho vocal do senhor Meine no tema original. Os riffs e a música em si são um dos mais altos momentos dos Scorpions para mim, mas quando as vozes lamechas entram no tom errado, estragam o peso. Quando a ouvi pela primeira vez pensei mesmo que a música teria beneficiado muito mais com vocalizações dark ou death. Não planeava, nessa altura, fazê-las eu, mas à medida que reunia ideias e alternativas para fazer no disco, agradou-me o pensamento de fazer esta música do modo que eu penso que deveria soar desde o início. Também me agradou o pensamento de incluir uma música mais heavy - na mesma onda do tema «Mad», do álbum «Blackarts» - em contraste com o material algo caótico.
É muito engraçado ver como as pessoas reagem à música. Algumas odeiam-na genuinamente e outras julgam-na um clássico! Eu próprio não sei o que pensar, honestamente, mas entra bastante bem no álbum.
Qual foi a parte mais difícil de tocar e a parte vocal mais difícil de cantar, de todas as versões que fizeste?
As partes mais difíceis de tocar foram provavelmente as muitas linhas de piano no «The Vision» e no «What About Me?», bem como no «At Zanarkand», mas isso tem muito a ver com o facto de eu nunca ter tocado teclado/sintetizador antes de Elvira Madigan, por isso não sou um teclista por natureza. O solo no «The Leader» também foi difícil porque estava obstinado em tocá-lo da maneira exacta que está no original. Lembro-me de pensar que o «Alien Nation» também seria difícil, mas assim que comecei a gravar, correu tudo surpreendentemente bem.
Em termos vocais, devo dizer que a música mais difícil foi a «Spanish Train», e isso deveu-se à quantidade de drama que tive que lhe colocar. Não se tratava apenas de cantar as linhas vocais a gritar ou grunhir ou cantar - tinha de contar a história correctamente. Lembro-me que regravei várias linhas vocais inúmeras vezes antes de ficar satisfeito.
Tentaste outras versões também, que acabaram por não resultar tão bem e portanto não entraram no álbum?
Sim, tinha várias músicas em mente. Tentei algumas, mas acabei por excluí-las por diferentes motivos. Queria fazer a «Forgotten Suns» dos Marillion, mas com o equipamento de estúdio que tenho actualmente não a conseguiria fazer suficientemente bem. Também gravei a bateria e alguns teclados da «Stargazer» de Kingdom Come, mas nunca a completei porque não consegui encontrar um sítio no álbum onde ela cabesse. Ambas as faixas ainda estão no fundo da minha cabeça como opções que podem ser usadas no futuro. Para além disso havia uma música do concorrente sueco ao Festival da Canção da Eurovisão que gravei quase completamente. Acho que algumas linhas vocais precisariam de ser regravadas, bem como algumas partes de guitarras, mas nunca a terminei porque apenas tinha vocalizações limpas e já tinha muito disso no álbum. Não soaria como um lançamento de Elvira Madigan. Para além disso - apesar de ser uma boa versão - soava a algo que os Manowar fizessem. Mas ainda mantenho essa versão e sempre que alguns dos meus amigos e eu nos sentimos com disposição para tal, colocamo-la a tocar e bebemos cerveja. Funciona perfeitamente.
Tentei também outra música de Chris deBurgh - «The Girl with April in her eyes» - mas obviamente já tinha demasiado material dele, e também a «Samarithan» de Candlemass foi considerada, com uma aparição de um amigo meu de enorme talento na guitarra, como convidado. Acabei por decidir não incluí-la, porque não se encaixaria, e parecer-se-ia demasiado com a «Spanish Train». É pena, porque o tom vocal adequa-se perfeitamente a mim, se eu cantasse com uma voz limpa.
Tentaste conscientemente ter uma espécie de coesão no álbum, uma espécie de linha condutora que atasse as várias versões? Porque o disco parece realmente o álbum de uma banda a tocar versões, e não uma compilação de várias bandas e estilos feita por um grupo...
Sim, isso era muito importante para mim. Todos os meus álbuns anteriores com a minha música original têm essa espécie de sentimento também. Um 'todo', por assim dizer. É como uma viagem da primeira à última faixa em que o ouvinte é levado por várias paisagens cuidadosamente coladas umas a seguir às outras. Se era para fazer um álbum de versões, queria tratar o material exactamente da mesma maneira - como se fossem originais meus - dado que queria que o disco soasse como qualquer outro lançamento de Elvira Madigan. É essa a razão pela qual muitas das músicas não chegaram ao álbum, ou até mesmo ao processo de gravação. Todo o CD dever ser sentido como uma unidade perfeita, e não apenas como um conjunto de boas músicas colocado num álbum apenas para ganhar dinheiro ou completar mais uma linha na discografia. Espero sinceramente que tenha conseguido fazer com que o álbum soe verdadeiro em relação ao que Elvira Madigan representa, apesar de nenhuma das músicas ter sido originalmente composta por este teu criado.
Com uma escolha musical tão ecléctica como a que revelas neste álbum, facilmente terás material para mais volumes de álbuns de versões no futuro. Estás a considerar fazê-los?
Ahh! Excelente! Fico tão contente por estares receptivo a isso, e significa muito para mim. Talvez considere a ideia no futuro - agora que perguntaste. Um álbum como este é recebido com muito cepticismo por vários elementos da imprensa porque apenas inclui versões e isso é muito triste. Quando mencionei pela primeira vez que iria fazer um álbum assim fui acolhido com alguns esgares, mas espero ter provado que todas as dúvidas eram desnecessárias. Existem alguns álbuns de versões por aí, e muitas vezes são apenas um objecto engraçado para se ter se se é um fã incondicional da banda ou dos artistas originais. Mas o «Angelis...» é verdadeiramente um álbum de versões como nenhum outro e orgulho-me muito disso. Algumas pessoas nem sequer se apercebem de que é apenas composto por versões!
De qualquer modo... posso considerar fazer algo similar no futuro ou uma espécie de continuação, se for algo que me apeteça fazer. Este álbum foi feito como terapia devido ao excesso de trabalho que tinha na altura, por isso se for apropriado, pode ser uma opção. É excelente saber que puxaste o assunto sem eu levar a conversa para essa direcção.
A interpretação e gravação destas versões fez-te, de alguma maneira, mudar a tua abordagem à composição das tuas novas músicas, para o próximo álbum?
Não exactamente a maneira como componho. Pego sempre am algumas coisas e melhoro a produção e mistura em cada álbum, e isso é algo que definitivamente fiz para este disco também. É algo importante eu ter feito este trabalho antes de começar o próximo disco. Para dizer a verdade, não creio que o disco em que eu estou a trabalhar agora fosse sequer possível se não tivesse feito o álbum de versões, principalmente devido à experiência de produção, que me ensinou bastante.
Para além disso, desenvolvi imensamente a minha abordagem em relação à voz neste CD, o que vai ser muito necessário para o trabalho que estou a fazer. Por isso, para mim, o álbum foi uma dádiva em todos os sentidos e tenho a certeza que vai parecer a peça que falta no puzzle que vai aparecer assim que o meu próximo álbum for lançado.
Por falar nisso, o que nos podes já revelar sobre o próximo disco?
Posso dar-te umas pistas. O que se passa é, eu tenho trabalhado no próximo disco há já três anos. Um ano de pré-produção - o que é algo que nunca tinha feito com os discos de Elvira Madigan antes! - que, a propósito, foi feita ao mesmo tempo que gravei o «Angelis...»; e dois anos completos em estúdio. Estou actualmente a gravar as vozes e os teclados deste projecto monstruoso. Vai ser uma obra totalmente conceptual, com apenas uma história contada da primeira à última faixa. Tem havido centenas de discos deste género nos últimos cinco ou seis anos e a razão pela qual eu o faço é, em parte, porque acredito que a maior parte dessas propostas falharam. Não encontro lançamentos que se comparem com as obras-primas conceptuais como «Dreamweaver» de Sabbat, «Brave» de Marillion ou todos os lançamentos de King Diamond até - e incluindo - ao «Conspiracy». As histórias ou são chatas ou pobremente contadas - e assim não compreendes ou não te importas com o que se está a passar. E de vez em quando uns génios lançam um conjunto de faixas com letras medíocres e incluem anotações entre as músicas no booklet apenas para explicar o que se está a passar. Acho que é para isso que é suposto as letras serem usadas. Por isso pensei, se eu ia fazer uma coisa destas, mais valia fazê-la bem. Por isso as letras e a história têm-me mantido ocupado durante dois ou três anos para que possam funcionar. Receio que seja por isso que esteja a demorar tanto tempo para surgir o sucessor do álbum «Witches...».
O disco vai chamar-se «Regent Sie», mas quando vai ser editado ainda não posso dizer. Tenho que fazer as coisas com calma e ser cuidadoso, para que sinta que tudo está a sair de um modo perfeito. Os sentimentos, o drama, a história e tudo. Vai ser como se Shakespeare tomasse esteróides de metal extremo (risos). As coisas podem sempre mudar durante a produção, por isso qualquer coisa que eu tenha revelado pode ser mudada um mês depois, ou algo do género.
Tu tens trabalhado sózinho em Elvira Madigan há já alguns anos. Quais são as maiores vantagens e as maiores desvantagens em trabalhar sózinho, em termos musicais?
A maior vantagem é a tirania de que me posso servir. Mas a tirania também provoca muita ponderação e reflexão, o que me pode atrasar por vezes. A solidão é também algo entediante de vez em quando. Não tens ninguém a quem mostrar as coisas ou a quem pedir uma segunda opinião, mas lá está - o meu passado provou que isso também é difícil: que as pessoas compreendam a minha visão. Normalmente tenho tantas ideias, que tocar um riff ou uma melodia pode não ser informação suficiente para alguém perceber completemente a visão/ideia que eu tenho como um todo.
Outra desvantagem é o facto de não poder tocar ao vivo e ter dificuldades em ensaiar. Isso é definitivamente um problema. Normalmente, posso levar um pouco mais de tempo a colocar as coisas correctas na gravação devido à falta de tempo para ensaiar. Depois, quando finalmente acerto, posso acabar por decidir mudar tudo, e é por isso que as sessões de gravação de Elvira Madigan demoram uma enormidade tão grande de tempo e, por vezes, se podem tornar algo chatas. Mas a compensação espera por mim no fim, quando me apercebo do facto que fui eu - totalmente sózinho - que criei todo o trabalho, e todos os elogios são dirigidos unicamente a mim. Essa recompensa ultrapassa tudo.
- Edição de «The 1st Chapter», de Circus Maximus
- Edição de «Icon», de John Wetton/Geoffrey Downes Icon
- Edição de «Overload», de Harem Scarem
- Edição de «Big Bang Theory», de Styx
- Edição de «Breaking The Fourth Wall», de Beecher
- Edição de «Affliction, Endocrine... Vertigo», de Overmars
Paradise Garage (Lisboa) 11.05.2005
Não deixa de ser sintomático uma banda como Evergrey não ter um sucesso transversal no metal e fora dele, devido à extraordinária mistura que faz de metal negro, técnico e épico, sem nunca descurar o sentido melódico, com uma classe superior à maior parte das bandas suecas. A única explicação possível para a banda não ser já uma instituição de consenso no que diz respeito aos gostos de todos os que apreciam metal é o facto de haver gente que ainda não os conhece. Essa é também a explicação para que o Paradise Garage estivesse com pouco mais que meia casa para ver a estreia dos Evergrey em solo nacional. Quem disse 'presente', no entanto, acabou por fazer os Evergrey darem um grande concerto. A banda tem argumentos técnicos para igualar uns Opeth em termos de prestação de palco, mas a sua música presta-se a uma reacção um pouco mais emotiva por parte da assistência, e foi isso mesmo que o público português fez, perante uma banda que entrou em palco algo expectante em relação ao modo como aquela meia-sala de gente poderia responder à sua música. No fim dos dois primeiros temas - «Blinded» e «End of Your Days» tocados de rajada, como no início do concerto de Gotemburgo agora transformado em disco ao vivo - ficou claro que era um grupo de fãs que os Evergrey tinham ali à frente, e a partir daí assistiu-se a uma prestação verdadeiramente memorável. Tom S. Englund, em luta com um volume algo baixo no seu microfone, mostrava uma boa-disposição rara, que o fez contar como um taxista lisboeta lhe roubou o telemóvel e entrar em diálogo com alguns elementos da assistência. Os temas essenciais iam-se desfiando em catadupa, com o brilho gótico-power-prog-qualquer-coisa que esta banda tem, com especial ênfase para os temas do disco «The Masterplan», que parecem os favoritos do público. Ainda assim, «Nosferatu» e «Recreation Day» também fizeram ensaiar uma espécie de slam entre as primeiras filas. O tema «The Masterplan» fechou a noite, com Englund a tocar entre o público e uma sensação de exclusividade entre quem assistiu a esta verdadeira noite de gala do conjunto sueco. Daqui a 10 anos, quando tocarem no Pavilhão Atlântico, já serão 5.000 as pessoas que dirão que assistiram a este concerto.
Os Desire aqueceram o palco aos Evergrey com a competência e solenidade musical que se lhes reconhece. A banda teve o condão de saber alinhar um conjunto de temas, de entre o seu doom metal emotivo, pesado e lento, que de alguma maneira se adaptou àquilo que eles estavam ali a fazer: uma primeira parte para um público que, maioritariamente, não é o seu, e que gosta de um pouco mais de velocidade e técnica no som que ouve. Ainda assim, os Desire são uma banda bem adulta - e finalmente em palco também o mostram, com competência, energia e atitude - e começam a justificar o estatuto de culto que, cada vez mais, têm na cena nacional, e mantêm na cena internacional.
A Revisited Records, sub-editora da InsideOut, continua este mês o seu fluxo de lançamentos, com novas reedições de discos de Klaus Schulze, casos de «Audentity», «Body Love», «Dune» e «Miditerranean Pads». Para o mês de Junho estão planeadas reedições de alguns dos mais fantásticos trabalhos de Amon Düül II: «Phallus Dei», «Tanz der Lemminge» e «Yeti», bem como o «BBC Recordings». Ainda no final de Maio haverá reedições de Kraan, dos discos «Wiederhören», «Nachtfahrt» e «Live 88».
Ron Lipnicki, baterista de Hades, vai juntar-se aos Overkill para a digressão europeia que a banda se prepara para iniciar.
Os hard-rockers alemães KickHunter deslocam-se a Portugal no início do mês de Junho, para uma digressão nacional que terá o apoio dos Arya. As datas são as seguintes:
03.06 - Bar Satori (Loulé)
04.06 - Ancas Rock Club
08.06 - Hard Club (Gaia)
09.06 - Armazém F (Lisboa)
10.06 - Ferstival de Anadia

«Revolution Calling» é o nome de uma compilação, a ser editada em formato CD+DVD pela Listenable Records no final de Junho, que junta o melhor das cenas hardcore e metal de França. As bandas escolhidas para a compilação são: Kevorkia, GTI, Hacride, Zubroswka, Gojira, Scarve, Comity, Hellmotel, Superstatic Revolution, Pitbull In The Nursery, Inhatred, Nerv, Aenima, Morgue, Klone, The Arrs, Nerv, Eyeless e As we Bleed, entre outras. Serão ao todo 18 faixas audio e 13 vídeos em DVD, disponíveis ao preço de um CD.
Quem gosta de black metal 'raw', tem aqui uma boa opção: os polacos Pogrom 1147 acabaram de editar o álbum «Black Metal Complete», com cerca de meia-hora de música, numa edição numerada à mão. Obtenham o CD por Eur 11,00, com portes já incluídos, através da editora Old Temple.
Os Waste Disposal Machine preparam-se para editar um novo EP, chamado «Interference», que conterá cinco faixas: «I Sing The Body», «Electric», «Girl Within a Motorcycle», «9:38 a.m.» e «Infotainment».
A Turkey Vulture Records continua à procura de bandas para o décimo volume da sua compilação «The Harder, The Better». Até agora, as bandas que confirmaram a sua participação neste novo volume são: Murderers Row (um projecto de Walter Ryan deMadball e Machine Head, Leo Curley de Biohazard, Bob Riley de Stigmata e Sean Nolan de Infected Minds), 25 Ta Life, New Society Of Anarchists, No Class Citizen, Mary's Cunt, Crime Lab, Screaming Mike, Society High, Holy Knight, Never Face Defeat, Terminal, Last Minute Messiah, Suicide, The Preps, Up For Play, New Society, Driven e Low Profile. Quem tiver uma banda e quiser participar, só tem que contactar a editora.
No dia 25 de Maio os portugueses WinterMoon, praticantes de metal melódico, actuam ao vivo n'O Culto Bar, em Cacilhas (Almada), a partir das 22.00h. Este concerto insere-se na promoção da demo-CD de estreia da banda almadense. No final do concerto a animação da noite ficará a cargo do DJ NS, da Loud!.
Os alemães Blind Guardian assinaram um contrato discográfico com a Nuclear Blast. Ao mesmo tempo, a banda anunciou a partida do baterista Thomen Stauch que, de acordo com o comunicado oficial, há já algum tempo que tinha uma visão musical diferente da banda. O substituto de Thomen ainda não foi anunciado, mas os Blind Guardian prometem que este precalço não vai atrasar em nada o próximo álbum de originais, que deve sair no próximo ano.
- Decapitated, Primordial, Epping Forest, Alkateya, Neoplasmah, Peste & Sida e Angriff ao vivo no Centro Cultural de Santo André (Viseu) - 16.00h
- Inner Helvete, InThyFlesh, Infernüs e Acceptus Noctifer ao vivo no Birras Bar (Covilhã) - 21.00h
- Ode Odium ao vivo no Grupo Recriativo Centieirense, no Cabo Ruivo (Lisboa) - 21.30h
- Lacrimosa e Gothminister ao vivo no Hard Club (Gaia) - 21.30h
- Lvperclia e Insaniae ao vivo no Bar Jinx, no Bairro Alto (Lisboa) - 23.00h
- Painstruck e Seven Stitches ao vivo no Rock House Café (Alenquer) - 00.00h
Quem apanhar a Bible TV na parabólica tem agora um bom motivo para dar uso ao canal. Nas próximas semanas o canal vai transmitir o concerto "Testimony Live", que está no DVD ao vivo de Neal Morse, editado no fim do ano passado. Morse, o homem da frente de Spock's Beard e parte integrante da super-banda Transatlantic, desistiu das suas bandas há três anos para se dedicar a uma vida religiosa e prosseguir uma carreira a solo. São os primeiros passos musicais dessa carreira que o concerto retrata e, nele, Neal Morse com a ajuda de alguns amigos, como é o caso do baterista Mike Portnoy, de Dream Theater.
Quatro semanas depois do seu lançamento oficial, o disco «Liquid Monster», de Brainstorm, continua a ter um percurso interessante nos tops de vendas da Hungria... 13.º lugar no Top Internacional (em que não entram bandas húngaras) e 40.º no Top Oficial era o resultado no final da semana passada.
O projecto de pagan-darkwave-ambient Liholesie, do russo Sever, vai lançar o seu segundo álbum no início da próxima semana, através da Stygian Cript Productions. «Home Vastland» sucede à estreia «Primeval Rotation», editada em 2004.
- Edição de «Prakeikimas», de Dissimulation
- Fullmoonchild ao vivo no Palco IPJ, no Parque da Bela Vista (Lisboa) - 16.00h
- Opus Draconis, Neurotic, Shadowsphere, The Firstborn, Decapitated e Primordial ao vivo no Pavilhão de Vale de Milhaços (Corroios) - 19.00h
- Goldenpyre, Infernal Kingdom, Black Tyrant, Pestifier, Inverse e Mavorte ao vivo no Luana Bar, no Centro Comercial Stop (Porto) - 21.00h
- God, Process Of Guilt e Insaniae ao vivo no Rock House Café, em Alenquer - 23.00h
- Oreleven e Boitezuleika ao vivo em S. Mamede do Coronado
Os suecos Evergrey, que ontem deram um espectáculo memorável em Lisboa, no Paradise Garage, preparam-se para editar «A Night To Remember» em DVD duplo já no dia 23 de Maio. Ambos os DVD's contêm sistema de som 5.1, e complementam o lançamento do mesmo concerto em CD-duplo, que está disponível há já algumas semanas.
Durante as sextas-feiras das próximas semanas decorre no RockHouse Café, em Alenquer, a segunda edição do concurso Rock ao Rubro. Eis o plano das eliminatórias, com os concertos a começarem sempre às 23.00h.
13.05 - 1.ª eliminatória - Process Of Guilt, Insane e God
20.05 - 2.ª eliminatória - Call To Power, Sick Souls e Korseron
27.05 - 3.ª eliminatória - Dr. Salazar, Unified Theory e Outer Skin
03.06 - 4.ª eliminatória - Probation, Reset e Ho-Chi-Minh
10.06 - 1.ª meia-final
17.06 - 2.ª meia-final
24.06 - final
Os Angel Blake colocaram o tema «Self Terminate», integral, da «Demo 2005», disponível para download na sua página oficial.
O concerto de Gazua, marcado para amanhã à noite no Lótus Bar, de Cascais, foi cancelado.

How The Great Have Fallen CD
Steamhammer/SPV
Não é muito normal uma banda com a experiência e rodagem dos Raging Speedhorn deixar-se influenciar pelo produtor, mas às vezes acontece. Ao terceiro disco, a banda britânica surge com um som mais sujo, mais distorcido, mais lento e menos incisivo. A culpa é, apostamos, do produtor Joe Baresi, cuja suspeita ligação a Queens Of The Stone Age parece ter um papel preponderante nesta ligeira mudança de direcção na sonoridade dos Raging Speedhorn. «How The Great Have Fallen» cruza a abordagem extrema do metalcore cru e bárbaro que a banda apresentou nos dois primeiros discos com uma espécie de nova sonoridade stoner-rock que confere mais distorção à guitarra e vozes da banda. O melhor resultado desta mistura é o tema «Dead Man Walking», em que o grupo preserva a velocidade original e lhe aplica a distorção da ‘nova’ sonoridade. No resto dos temas, invariavelmente, o ‘groove’ não soa a Raging Speedhorn, embora seja inegavelmente contagioso e quase irresistível a espaços, como no insuportavelmente pesado «Master of Disaster». Os Raging Speedhorn respondem assim ao avanço da moda do metal para um terreno que era seu há meia década – o metalcore – mas não deixa de ser um afastamento algo forçado, e «How The Great Have Fallen» pode passar facilmente como o primeiro disco de um qualquer projecto paralelo dos membros de Raging Speedhorn. (7/10)
Ainda não arrefeceu o split-CD com os italianos Grimness, e os grinders From The Ashes já estão a anunciar outro lançamento a meias. Desta vez o formato vai ser um 7", que a banda sueca vai repartir com os espanhóis Nashgul, que praticam death/grind. Por enquanto, ainda não há editora anunciada para lançar este 7".
Os lituanos Obtest estão a terminar a composição do seu terceiro trabalho de originais. O disco deverá ser editado no final deste ano pela Ledo Takas Records. A seguir à edição acontecerá uma digressão europeia com Loits.
Mais uma banda portuguesa confirmada no festival Super-Bock super Rock deste ano. O dia 27 de Maio vai acolher, no Palco Quinta dos Portugueses, os The Temple, para além dos já anunciados Blasted Mechanism, Primitive Reason, Blacksunrise, Tare Perdida e Bizarra Locomotiva.
Quem apanha o canal alemão VIVA na sua parabólica pode ter oportunidade de ver o novo vídeo de Leaves' Eyes, do tema «Elegy». Basta, para isso, que vote no vídeo-clip aqui. Os votantes ainda se habilitam a ganhar alguns prémios.
O projecto rock-opera Abydos, do vocalista de Vanden Plas Andy Kuntz, vai estar em palco durante várias semanas no Kaizerslautern Pfalztheatre, na Alemanha. O espectáculo chamar-se-á Heavy Mental Shadow Opera, versará sobre as estranhas experiências de um rapaz chamado Fly, e vai pertencer à programação cultural oficial do Campeonato Mundial de 2006. Os Vanden Plas, um coro e uma orquestra sinfónica vão ser os responsáveis pela música. O próprio Kuntz vai ter o papel de Fly.
- Champion, More Than Hate, Pointing Finger e From Now On ao vivo no Centro Popular de Trabalhadores, em Campolide (Lisboa) - 20.00h
- Evergrey e Desire ao vivo no Paradise Garage (Lisboa)
No próximo mês de Julho, as lendas holandesas do thrash metal Thanatos entram em estúdio para gravarem duas músicas que vão ser utilizadas em lançamentos futuros. Uma delas será uma regravação do tema «And Jesus Wept», um clássico dos primeiros tempos da banda, gravado originalmente em 1992. O outro vai ser uma versão de «The Burning Of Sodom», de Dark Angel.
Os suecos Exhale, mestres do grind/death metal, vão editar o seu disco de estreia pela Acoustic Trauma em Setembro. A banda, cuja sonoridade é descrita como uma mistura de Rotten Sound e Misery Index, entra em estúdio no Verão.
«Prakeikimas», o segundo álbum dos lituanos Dissimulation, deuses do thrash-black metal do seu país, é editado no final desta semana, mais concretamente no dia 13, em formato CD e LP pela Ledo Takas Records. Escutem samplers aqui e aqui.

Os Disillusion preencheram finalmente o lugar de baixista da banda. O quarto membro do grupo chama-se Ralf Willis e é nova-iorquino, tendo-se mudado para a Alemanha para fazer parte da banda. Os Disillusion encontram-se agora em estúdio a compôr material novo.
Os belgas After All editaram finalmente o seu novo álbum, «The Vermin Breed», em CD (através da Dockyard 1 Records) e em LP, em vinil azul (através da Killer Metal Records). A produção do disco esteve a cargo de Harris Johns (Helloween, Kreator, Voivod).
- Sick Souls, Reborn, Septic Miracle, Blasph3my e Stampkase ao vivo em São Roque, Poço Velho (Açores) - 20.00h
- Moonspell ao vivo na Semana Académica da Guarda, no Pavilhão do Nerga

Quem, há nove anos, ouviu a demo «The Awakeking Of Evil», de Firstborn Evil, estava longe de imaginar que esse era o início de um longo caminho evolutivo de uma banda que, cerca de uma década depois, é uma das mais importantes da cena nacional. Nove anos e dois álbuns volvidos, os Firstborn Evil deixaram entretanto caír o sufixo "Evil" do seu nome e tudo o que ele representava, e estão de volta com um dos mais ambiciosos trabalhos de metal alguma vez feitos em Portugal. «The Unclenching Of Fists» alia a componente extrema e técnica dos The Firstborn a uma pouco habitual vertente étnica, aplicada à música e conceito do disco, tornando-se, inesperadamente, nos maiores porta-estandartes de uma geração que percebeu que o metal pode não ser só metal, meia-década depois dos Fallacy o terem feito com a sua última demo. O vocalista e líder dos The Firstborn, Bruno Fernandes, guiou-nos pelos meandros do disco, dos últimos anos da banda e do conceito que está por detrás desta brutal evolução.
Sentes este álbum mais como um regresso, ou como uma continuação da vossa carreira?
Eu diria mais um 'renascer' de carreira. Olhando para trás para este disco e comparando-o com os outros, vejo-o mais mesmo como eu gostaria que tivesse sido o nosso primeiro disco. Falar de um regresso envolve identificar-me com o passado, que já na altura era algo que não fazia a 100% - muito menos agora. Não quero com isto renegar o passado e dizer que tudo o que fizémos foi inútil, porque se assim fosse tinhamos mudado o nome à banda, embora já o tenhamos feito, a dada altura (risos). Mas neste momento, olhar para este disco e compará-lo aos outros, embora os outros se calhar até tenham sido melhor recebidos pela crítica - principalmente o «From The Past Yet To Come» - do que este, pelo menos por alguma crítica... independentemente disso, considero realmente este disco um recomeçar, um renascer talvez. Não encontro o termo adequado, mas julgo que será por aí.
A banda chegou a acabar?
Não, nunca. Depois de fazermos uns 30 concertos num espaço reduzido de tempo, e isto tudo de uma forma muito imediata à gravação do «From The Past Yet To Come» e todo o trabalho de pôr o disco cá fora e promovê-lo... foi tudo um processo demasiado intenso para que nós conseguissemos simplesmente continuar a compôr como se nada fosse. Estávamos basicamente cansados da música, cansados uns dos outros, cansados da rotina dos concertos... então optámos inicialmente por parar de tocar ao vivo, que foi algo que só há cerca de um ano é que eu comecei a reconsiderar, e optámos também por... optámos não, aí já foi mesmo quase inconscientemente... eu e o Paulo, o principal compositor da banda, estivémos depois um ano em que, se calhar, se nos vimos quatro ou cinco vezes foi muito. E estou a falar de uma pessoa que considero um dos meus melhores amigos, senão o melhor, e com quem normalmente estou duas, três ou quatro vezes por semana, senão até cinco. E nós sentimos falta desse hábito, desse processo, dessa companhia. Em suma, o que se passou foi mesmo tirarmos um tempo de férias da banda, mas sem nunca sequer ponderarmos acabar com o projecto, e depois iniciámos um processo muito muito lento de compôr este trabalho. Porque à nossa falta de disponibilidade e, por vezes, também alguma preguiça, ainda se junta o facto deste ter sido um trabalho extremamente difícil de elaborar; qualquer pessoa que ouvir o disco certamente irá perceber o porquê. Toda a interligação dos temas, todo o trabalho de unir o conceito à música, todos os pormenores de que o disco está recheado e que julgo que as pessoas só se vão apercebendo a cada audição dos variados detalhes de cada um dos instrumentos, tudo isso contribuiu para que este disco de facto demorasse quatro anos a ser composto, embora deste disco ainda façam parte dois temas que compusémos e chegámos a tocar ao vivo na fase de promoção do «From The Past Yet To Come». Ou seja, estão aqui temas com cinco anos, e outros que foram compostos duas ou três semanas antes de começarmos a gravar o disco.
Quando vocês começaram o processo de composição do disco tinham consciência do trabalho que iriam ter?
Sabiamos que iria dar trabalho, mas nunca imaginei que fosse tanto. Foi um processo muito curioso, porque ao mesmo tempo que começávamos a aprofundar o trabalho, e a compôr, começámos a abrir cada vez mais portas e a descobrir cada vez mais potencialidades, o que se tornou um pouco no efeito da proverbial bola de neve, que vai ganhando dimensão à medida que vai fazendo o seu percurso. Nós cada vez estávamos a elaborar mais os temas, cada vez estávamos a trabalhar mais os pormenores... a vertente étnica... o primeiro tema deste disco já foi composto a pensar nesta vertente étnica, que cada vez nos abriu mais possibilidades, e muitas ficaram ainda por explorar, o que ainda pretendemos fazer para breve. Foi muito um trabalho de aprendizagem e também de alguma auto-descoberta e todos esses clichés um pouco foleiros mas que de facto foi isso que aconteceu. E no final nem sequer nos tinhamos apercebebido de que tinha passado tanto tempo, se não olhássemos para o calendário e disséssemos "espera aí, já estamos em 2004 e ainda estamos a compôr o disco - isto não é normal" (risos). De facto, se à partida imaginássemos o trabalho que isto iria dar, nem sei se teríamos enveredado por aí (risos), mas pronto... foi um processo minucioso e levámo-lo até ao fim. Com mais ou menos sobressaltos pelo meio, mas conseguimos. Conseguimos fazer o que queriamos dentro das nossas parcas possibilidades.
Como é que as influências musicais, estruturais e ideiais da música étnica chegaram à vossa sonoridade?
Mais uma vez foi um processo curioso. Se calhar estou a ser um bocado redundante com esta expressão, mas de facto foi, porque inicialmente eu elaborei... sei lá, em 2000 andava a ler sobre budismo e o conceito surgiu-me muito antes sequer de imaginar enveredar pelos campos da world music ao trabalhar para este disco. Mas começámos a ponderar a lógica de todo o conceito, e achámos que a melhor forma de realmente unir o conceito à música seria também incorporar na nossa música elementos étnicos. Inicialmente ponderámos ainda usar instrumentos tocados por nós, mas depois começámos a ver que, exceptuando um ou outro instrumento seria em grande parte impraticável. E, também como forma de pesquisa, comecei a adquirir inicialmente alguns CD's de world music para perceber também em termos de composição, de estrutura dos temas e das melodias e harmonias, de facto, o que se passava naquela zona do mundo. E, lentamente, o que começou por um trabalho de pura pesquisa, abriu-me todo esse horizonte da world music de que agora sou um confesso fã. É de facto um mundo fenomenal... há pormenores musicais que nos são completamente alheios e que são fascinantes. Alguns deles tentámos transportar para a nossa música, em parte através de samplers, noutra parte através mesmo de influência directa na composição: usámos escalas japonesas num dos temas e por aí adiante. Mais uma vez foi um... vou repetir a palavra "processo" porque já não me sai mais nenhuma, mas foi o percorrer de um caminho que funcionou muito também como a bola de neve que há pouco eu referi. À medida que se foi compondo e nos fomos iminscuindo nesse meio da world music fomos realmente apercebendo-nos das enormes potencialidades que traria para a nossa própria música. E embora o roubo de alguns samplers possa ser entendido por alguns como alguma forma de pirataria, da nossa parte é mesmo uma espécie de tributo a toda uma cultura musical, neste sentido estritamente musical, mas com tudo o que ela abarca, o que ela engloba. É uma espécie de tributo a todo esse universo musical que é, para a grande maioria de nós, desconhecido. E acho que as pessoas, se realmente tomassem contacto com esse universo musical, se aperceberiam de uma miriade de coisas fascinantes e formidáveis que nos são completamente alheias e que, em mim, causaram deslumbre, e julgo que em muitas pessoas também o farão, pelas reacções que tenho obtido do disco, ao ouvirem certos pormenores, e às vezes alguns que eu tenho que explicar o que é que está ali a acontecer. As pessoas ficam, em alguns casos, atónitas; noutros, mesmo muito interessadas em conhecer essas sonoridades. Espero que o disco também funcione como um abrir de horizontes para as pessoas que gostem dele nesse sentido. A ver vamos...
Até que ponto é que o curso que estás a tirar - arqueologia - te ajudou a abrir as portas no meio deste processo que tu acabaste de descrever?
Bem, certamente garantiu-me pelo menos alguma capacidade de trabalho metódico e de paciência sem a qual não conseguiriamos ter concluido este trabalho. Mas à parte disso, obviamente, embora o meu curso seja eminentemente de arqueologia, também temos uma vertente antropológica que por sua vez engloba todo o universo da humanidade nas suas variadas expressões culturais das quais a música faz obviamente parte. Aquele velho chavão da música ser a linguagem universal de facto é 100% verdadeiro, e às vezes é curioso quando te apercebes de certas semelhanças entre culturas tão separadas no espaço e no tempo. Noutros casos, através da própria evolução musical podes seguir o percurso de uma determinada etnia ou dos contactos dessa mesma etnia - outras vezes através da própria música. Tens o caso de duas vertentes vocais muito presentes no nosso disco, uma delas o khoomei de Tuva, que é aquele canto polifónico que os nómadas dessa região - a fronteira entre a Sibéria e a Mongólia - executam, e as orações e o canto dos monges tibetanos estão muito interligados entre si através da própria evolução do budismo, que da Índia depois teve uma deslocação para a Mongólia, e daí esse canto foi transportado para o Tibete, e evoluiu para aquilo que hoje conhecemos como os cânticos budistas, que acho que toda a gente sabe associar o som ao conceito. E este é um mero exemplo - este por acaso está presente no nosso disco. Às vezes é curioso... ainda há pouco tempo estive a ouvir um disco de um percussionista turco, que faz um crossover muito curioso entre a darbukha, de que ele é um mestre no seu país, e julgo que a nível mundial... ele agora está a viver em Barcelona e fez um disco com músicos de flamenco espanhós, e realmente o que à partida soaria como algo muito contrastante, não - o facto é que se interliga muito bem com os instrumentos de flamenco e o resultado final, às vezes, se não for explicado às pessoas, estas nem se apercebem que estão ali a lidar com duas culturas diametricamente opostas.
Isso dar-nos-ia pano para mangas... (risos)
Sim sim. Isso agora... a musicologia é uma disciplina muito pouco estudada em Portugal. Creio que no curso de antropologia haja talvez essa opção, mas não passa de uma opção, e merecia ser objecto de uma licenciatura e mestrado por si, mas pronto.

Explica-me agora o conceito de descerrar os punhos, aplicado no vosso álbum.
O descerrar dos punhos surgiu inicialmente... primeiro surgiu-me o título, para ser sincero, ao ler sobre budismo e ao encontrar algumas correlações entre o que se tinha passado ao longo dos tempos na banda e se calhar alguma forma de auto-aprendizagem, de auto-desenvolvimento e de evolução. O transmitir de uma mensagem negativa já fez o seu sentido, mas para mim hoje em dia não me sinto para aí inclinado. Esses fantasmas estão exorcisados há já algum tempo, e com este disco não foi essa a mensagem que procurámos transmitir. Assim, o descerrar de punhos, de uma forma alegórica, poderá entender-se nesse sentido como o abandonar de alguma revolta e de alguma fúria contra as mais variadas instituições que sentiamos, se calhar, no início da nossa carreira e agora se vão desvanescendo com o tempo. Noutro sentido, este que aprofundei mais do ponto de vista lírico, prende-se realmente com todo o processo de desenvolvimento de uma alma, que é transversal ao disco. É uma viagem através do espaço e do tempo de uma determinada alma - o acreditar nisso ou não, é subjectivo - mas de uma determinada alma, apesar de não falar em reencarnação, nem mesmo no próprio disco, já para evitar ferir susceptibilidades. Mas o processo pelo qual essa alma atinge o nirvana envolve uma libertação do mundo material, que é materializada nesse descerrar de punhos. O deixar de agarrar o mundo material é metaforizado nesse mesmo descerrar de punhos. Agora, se o conceito está bem - ou não - transmitido... eu creio que sim, porque - e já tive essa reação de algumas pessoas - o disco, embora seja muito rápido, e em algumas partes até um pouco furioso, as pessoas - e isso é uma reacção curiosa - têm-me dito que transmite uma certa serenidade. Não sou a melhor pessoa para o julgar, mas isso estava de certa forma inerente ao que nós queriamos atingir com o disco. Se o conseguimos foi porque tivémos 100% de sucesso no nosso objectivo temático. Não compusémos com esse intuito, mas já agora se o conseguissemos fazer, seria o ideal.
Achas que a cena portuguesa, e mesmo internacional, está preparada para um disco como este?
Isso terão que ser as pessoas a responder - eu não sei. Não gosto de falar da cena internacional, porque não creio que tenhamos expressão a esse nível, mas por acaso ainda há dois dias me chegou uma crítica da Holanda em que a pessoa que a escreveu se referia ao disco como algo que no papel parecereia totalmente errado à partida - a junção e a ponte que fazemos entre dois universos musicais - mas que no fundo resultava muito bem. Não sei, é muito subjetivo. Eu gosto de pensar que as pessoas estão abertas a novas propostas. Aliás, acho que para ouvirmos reciclagem dos mesmos discos basta irmos aos originais e não precisamos de ouvir mil vezes cópias com nomes diferentes. Mas lá está - creio que o tempo o dirá. Todos os nossos discos foram tendo uma aceitação muito gradual; de início as pessoas nunca sabiam muito bem o que fazer àquilo, depois lá iam percebendo - ou não - do que se tratava. E neste, muito mais do que nos outros, acho que será isso que vai acontecer. Agora, se de início as pessoas vão perceber ou não... eu julgo que sim, porque tenho tido... eu estava um pouco receoso em relação a isso, mas tenho tido um feedback bastante positivo. Agora, daqui a dois ou três meses poder-te-ei responder melhor a essa questão. Mas creio que sim.
E achas que a imprensa portuguesa está preparada para levar este tipo de música até às pessoas, sem preconceitos de qualquer espécie? Ficarias escandalizado se a imprensa especializada e as lojas especializadas não tratassem o teu disco de uma forma igual a um disco de heavy metal?
Escandalizar não me escandalizaria. Ficaria obviamente um pouco desiludido, mas não seria algo totalmente surpreendente. Até porque muitas vezes não é a música que fala mais alto nesse tipo de decisões. Mas não creio haver motivo para isso, até porque independentemente de toda a ambiência diferente que este disco poderá ter - e espero que tenha; pelo menos nós trabalhámos para isso - não creio que o disco chegue a ser assim tão chocante para as pessoas como se calhar à partida - e vou citar aquele tal jornalista holandês - se calhar no papel poderia parecer. Acho que os contrastes estão obviamente explorados no disco, mas ao mesmo tempo interligam-se bem entre si e a música creio que está coesa; não me parece que haja ali nada que vá alienar as pessoas à partida. Mas lá está - uma vez mais, só daqui a dois ou três meses é que eu poderei falar nisso com total certeza. À partida julgo que não, mas como de início disseste, não me escandalizaria.
Agora a seminal pergunta da cena portuguesa: o que é que nos falta para termos uma cena mais forte?
Mmmmm... sermos um país maior? (risos) Com mais mercado, talvez, mais mercado interno, mais público talvez. Creio que em Portugal há pouco público... público no sentido estricto. Ser mesmo público que compre discos, e que não esteja de mais alguma forma envolvido na pretensa cena. Acho que hoje em dia, e não critico as pessoas por isso - antes pelo contrário, acho que é de louvar as pessoas quererem desenvolver o meio - mas se fores a ver, três quartos das pessoas que ouvem heavy metal em Portugal estão envolvidas, seja com uma webzine, com uma fanzine, com um programa de rádio, com uma banda, com uma editora ou com uma distribuidora. Seja de que forma for, elas estão envolvidas no 'negócio' da música... se bem que falar de negócio a este nível é um pouco ridículo, mas não deixa de o ser porque há dinheiro envolvido. Mas não havendo público, e creio que foi o que vi numa entrevista a uma banda sueca - que lá se passava o mesmo: as bandas suecas tocavam muito pouco no seu próprio país porque não havia público para os concertos, porque as pessoas que iam ver os concertos eram membros de outras bandas e às tantas já era ali uma feira de vaidades em lugar de ser um concerto normal. Aqui passa-se também um pouco isso, obviamente com a desvantagem de não termos o reconhecimento que a cena sueca tem, e que poderá ter merecida ou imerecidamente consoante as opiniões. Mas acho que passa um pouco por aí. Outro aspecto, obviamente, é também não haver ainda, creio eu, ou ter-se perdido talvez, alguma originalidade e uma identidade própria que acho que faz falta para não nos tornarmos num mercado apenas de importação, mas também de exportação. Dou-te o exemplo da Alemanha, que é um mercado de importação enorme, mas é um mercado por importação por excelência; para aí desde os tempos do thrash que não sai de lá nada particularmente original, e as únicas bandas alemãs que, creio eu, continuam a vender alguma coisa são as bandas que vendiam nos anos 80. E para nos tornarmos um mercado de exportação julgo que teria de haver, mas de uma forma inconsciente - acho que trabalhar nesse sentido ia ser muito difícil - uma identidade musical maior das bandas portuguesas. Obviamente, competência há... então em relação a quando nós começámos a banda há 10 anos, as bandas hoje em dia são todas muito boas tecnicamente, e hoje em dia temos por aí músicos excepcionais; músicos em bandas de demo que tocam imenso, quando há 10 anos atrás os bons músicos contavam-se pelos dedos das mãos - e se calhar comparativamente a hoje já não seriam vistos como tão bons músicos como eram na altura. Mas se calhar alguma daquela originalidade naive que havia em 92/93, inclusivamente até quando nós começámos, aquelas bandas com um som muito característico que foram acabando ao longo dos tempos - algumas ainda existem, mas poucas. Essa originalidade mais ingénua, às vezes muito mal transposta para o papel - mas estavam lá as ideias - essa originalidade foi-se perdendo, ou dissipando, em prol de uma maior capacidade técnica, de uma maior capacidade de composição num sentido mais clássico do termo, mas que depois faz com que muitas bandas, embora muito boas e embora muito capazes, tenham demasiado vincadas as referências externas, e isso, obviamente, como tudo, tem os seus prós e os seus contras. Mas como contra vejo a perda dessa pouca originalidade que se teve em tempos em prol dessa mesma capacidade técnica, que por si acaba por ser também um factor a favor. É muito confuso... não sei se a minha resposta foi muito perceptível (risos).
Vocês acabam por ser já uma das bandas veteranas da cena. Sentes-te um veterano?
(silêncio)... Bem... é difícil responder-te a isso quando bandas com três ou quatro anos de existência já deram mais concertos do que nós em toda a nossa carreira, por exemplo, e se calhar já têm mais rodagem do que nós. Ma se por veterano entendes ter vivido transversalmente, por dentro, toda uma década de metal em Portugal, sim, nesse aspecto serei um veterano, por muito que me custe admiti-lo (risos). Com 26 anos sou muito novo para ser veterano em seja o que for, mas nesse aspecto sim. Agora, não creio ter ainda - nem sequer pretendo vir a ter - a experiência e o savoir-fair que algum dia me conduzam a paternalismos de segunda e a cair naquela perspectiva de "no meu tempo é que era", porque creio que isso não leva a lado nenhum. Olhar para o passado com nostalgia pode servir às vezes para olharmos para os erros que se fizeram e com eles aprender, mas para pouco mais serve. O que interessa agora é o futuro e olhar em frente... em frente é que é o caminho, como diz o povo.
E os concertos vão voltar?
Bem, os concertos vão voltar. Dentro da disponibilidade de todos os elementos, que não são muitas - o baterista Rolando tem uma agenda carregadíssima e mesmo qualquer um de nós hoje em dia tem mil e uma ocupações extra-musicais com que se preocupar, ou no caso do Paulo musicais mas com funções diferentes, e torna-se complicado às vezes arranjar o tempo para tocar tanto quando queríamos... essencialmente para ensaiar tanto quanto precisamos para poder tocar ao vivo. Mas espero que sim... temos agora o concerto em Barroselas, depois as duas datas com Primordial, estamos a ponderar mais duas datas antes do Verão, e depois do Verão também mais algumas. Mas nada de muito intensivo, porque sinceramente, por muito que o quiséssemos, não conseguiriamos nem teriamos disponibilidade para o fazer.

«The Unclenching Of Fists» CD
Procon Media/Equilibrium Music
Por qualquer motivo que não interessa agora aqui dissecar, os The Firstborn, que são uma das mais antigas e melhores bandas portuguesas de metal extremo, não têm o sucesso nacional e internacional que a sua música, atitude e trabalho os faz merecer, e isso quase acabou com a banda há pouco mais de um par de anos, quando Bruno Fernandes, o vocalista da banda, anunciou num concerto de homenagem a Tarântula, no Paradise Garage, 'o fim, ou talvez não' dos concertos ao vivo do grupo, e possivelmente do próprio projecto. Felizmente, o 'talvez não' prevaleceu e a cena portuguesa tem aqui finalmente oportunidade de testemunhar o desenvolvimento e amadurecimento musical dos últimos anos de The Firstborn, com um aguardado terceiro álbum de originais. «The Unclenching Of Fists» representa aquilo que o título sugere - o disco acaba com alguma da crispação da música da banda da Margem Sul, e introduz o elemento budista na música do colectivo; quer em termos sonoros, com samplers riquíssimos de música tibetana, throat-singing ou mantras, quer em termos ideais, com a disposição geral do disco com muito 'bom karma', ou até em termos de conceito, já que «The Unclenching Of Fists» é baseado em Bardo Thödol, o 'Livro dos mortos' tibetano. Aplique-se esta receita ao metal extremo, épico e complexo de uma banda que tem elementos essencialmente black e death, mas também thrash e power metal na sua música, e tem-se um dos mais ambiciosos álbuns alguma vez lançados em Portugal. A única 'traição' de que «The Uncleaching Of Fists» sofre é uma qualidade sonora que, embora clara e coesa, não acompanha a monstruosa evolução técnica, artística e mental dos The Firstborn. Ainda assim, a banda de Bruno Fernandes e Paulo Vieira não apenas volta a colocar o seu nome no mapa, como reforça a sua posição de culto na cena portuguesa, e dá um valente grito de (re)volta e (r)evolução na cena nacional e internacional. (8/10)
«The Unclenching Of Fists» já está disponível
A banda sueca de death metal The Bereaved encontra-se neste momento em processo de composição para o álbum que irá suceder à estreia «Darkened Silhouette». Até ao momento, a banda tem compostas oito faixas, sendo que o álbum ainda deverá ser editado este ano pela Black Lotus Records.
No dia 14 de Maio os Painstruck actuam ao vivo no Rock House Café, em Alenquer. A primeira parte ficará a cargo dos convidados Seven Stitches. Os concertos começam à meia-noite. Em outras notícias, os Painstruck rescindiram o contrato que os ligava à editora Paranoid Records.
O anunciado DVD oficial do Trauma Fest de 2004 já não vai ser editado, afinal. Aparentemente, é impossível melhorar a qualidade de som da gravação original, pelo que a Acoustic Trauma não vê nenhuma vantagem em remasterizar o som e editar o DVD.
- Requiem Laus, Zymosis, In Peccatvm, Psy Enemy e Spinal Trip ao vivo em São Roque, Poço Velho (Açores) - 20.00h
- No Turning Back, Steal Your Crown e Devil In Me ao vivo n'O Culto Bar, em Cacilhas (Almada) - 21.00h
- Fadomorse ao vivo no Uptown Bar (Porto)
- Edição de «High Class High On Silvery», de Silvery
- Edição de «Everlasting Souls», de The Breath Of Life
- Edição de «Roses», de RPWL
- Edição de «Live», de Ray Wilson
Non Human Level - a super-banda liderada por Christopher, guitarrista de Darkane - vai ter o seu álbum de estreia editado no mês de Setembro pela Listenable Records. A banda conta com o baterista da banda de Devin Townsend, Ryan, enquanto que o baixo vai ficar a cargo de Gustaf Hielm (ex-Meshuggah). O vocalista será Peter Wildoer (baterista de Darkane). As gravações já estão a decorrer, e deverão terminar no final deste mês.
Os alemães Luna Field firmaram um contrato discográfico com a Black Lotus Records. Depois do álbum de estreia «Close To Prime» editado em 2003 pela Season Of Mist e concertos ao lado de nomes como Belphegor, Dew Scented e Die Apokalyptischen Reiter, a banda de death/black metal voltou a estúdio - ao Mastersound, de Alex Krull (Atrocity) - para gravar o segundo disco, «Diva», que é editado no dia 13 de Junho.
Já está disponível o álbum de estreia dos polacos Cremaster, «Boletus Satanas», editado pela Conquer Records, e descrito como 'uma mistura de música que vai do rock'n'roll ao death metal'. Escutem um sampler aqui e encomendem o disco aqui.
O site oficial do festival Ozzfest colocou online novas faixas dos As I Lay Dying e The Black Dahila Murder, que vão fazer parte dos novos discos, que saem em Junho e Agosto, respectivamente. Escutem-nas aqui.

A Avantgarde Music acabou de editar uma edição em LP do álbum «The Eerie Cold», da banda de black metal suicida e misantropo Shining. A edição é limitada a 500 cópias, e feita em vinil pesado. Enviem as vossas encomendas para wounder@tin.it
Os Leave's Eyes colocaram online uma versão 'preview' exclusiva do seu novo vídeo-clip, gravado para o tema «Elegy». Vejam-na na página da banda.
Os Opus Draconis estão em plena fase de promoção do seu novo disco, «Satanic Truth About False Union», e têm alguns concertos marcados para as próximas semanas, como se pode constatar na lista abaixo. Entretanto, para a primeira quinzena de Outubro, está já agendada uma digressão nacional dos black-metallers luso-brasileiros com a banda brasileira Hypnoid.
13.05 - Millenium Fest (Seixal), com Neurotic, Shadowsphere, The Firstborn, Decapitated e Primordial - 19.00h
26.05 - Lótus Bar (Cascais), com My Enchantment - 22.00h
28.05 - Marrafas Bar (Torres Novas), com Infernal Kingdom e SkyEyes - 22.00h
04.06 - Bar Ar de Rock (Porto Mós) - 22.30h
02.07 - Rock House Café (Alenquer), com Grog, Black Widows e Theriomorphic - 21.30h

A banda brasileira Espada Negra - que pratica uma espécie de mistura de thrash, power e doom metal - acabou de lançar o seu álbum de estreia, «Kingdom Of Fear», e disponibilizou duas das faixas do disco no seu site oficial.
- Fleshgore, Lost Soul, Sanatorium, Holocausto Canibal, Pestifier e Decrepidemic ao vivo no Auditório da Casa do Povo de Recarei, em Vila de Recarei (Paredes) - 15.00h
- New Winds, TwentyInchBurial, Aside, Day Of The Dead, Blacksunrise, Albert Fish e If Lucy Fell ao vivo no Parque das Nações (Lisboa) - 15.00h
- No Turning Back, Eternal Bond, No Forgiveness e Larkin ao vivo no Bar Porto Rio, na Ribeira (Porto) - 16.00h
- Evadne e Hordes Of Yore ao vivo no Caluda's Bar, na Praça Aurélio Sousa (Porto) - 19.00h
Os Ramp estão confirmados no cartaz deste ano do festival Super Bock Super Rock, a decorrer no Parque das Nações entre 27 e 29 de Maio próximos. A banda de Rui Duarte e companhia actua no dia 29, o mesmo em que tocam Marilyn Manson, Slayer e Audioslave.
- DIY Infernalis ao vivo no Paradiso, na Rua do Passadiço (Lisboa) - 15.00h
- TwentyInchBurial, The Aster e Fiona At Forty ao vivo no Lótus Bar, em Cascais - 22.00h
- Matt Elliott, Ölga e Many Fingers ao vivo no Orfeão Velho de Leiria - 22.00h
- Evadne e Hordes Of Yore ao vivo no Jinx Bar, no Bairro Alto (Lisboa) - 22.00h
- The Howling e Echidna ao vivo no Hard Club (Gaia) - 22.00h
- Festival Wild Box 2, com actuações de Bruto & The Cannibals e We Were Wolves e música a cargo de DJ Johnny Five e DJ Luís Psycho, na Caixa Económica Operária (Lisboa) - 22.30h
- Panzerfrost e Sick Maniacs ao vivo no bar Ar de Rock, em Alcaria (Porto de Mós) - 22.30h
- Fellows ao vivo no Rock House Café (Alenquer) - 00.00h
- D3Ö ao vivo na Real Feitorya, na Ribeira (Porto)
- Corvos ao vivo em Alcanena
- Unified Theory ao vivo na Discoteca Day After, em Viseu
- Ferro & Fogo ao vivo no Arena Café, em Salvaterra de Magos

«Alpha» CD
Nuclear Blast/Recital
O sétimo álbum de originais para os alemães Such A Surge, em 12 anos de carreira, surge depois de uma experiência falhada, com o disco, «Rothlicht», de 1993, de adesão ao rock alternativo. Ainda assim, o perfil do quinteto da banda de dois vocalistas na Alemanha é grande, e é previsível um contentamento geral, por parte da imprensa e público local, com este regresso ao crossover original de metal, emo-core e algum stoner rock que os Such A Surge voltam a praticar neste disco. Ainda assim, continua a haver um grande problema na música da banda para nós, portugueses: é totalmente cantada em alemão. Apesar de bandas que cantam em alemão serem grandes por cá (os Rammstein são apenas o exemplo de cima de uma lista que inclui igualmente Svbway To Sally, In Extremo e Saltatio Mortis), os Such A Surge aplicam grande parte da sua melodia nas harmonias vocais dos dois homens da frente o que, convenhamos, não é muito agradável para quem não percebe uma vírgula de alemão, como é o caso deste vosso escriba. Ainda assim, salvam-se dois ou três temas, em que o colectivo sabe misturar peso com melodia, mas pouco mais. A maior parte dos temas de «Alpha» perde-se um pouco em incursões desnecessárias por partes a meio-tempo ou melodias com demasiado açúcar na voz. Um disco dispensável. (5/10)
«Alpha» já está disponível
Os australianos The Amenta disponibilizaram para download o vídeo-clip que gravaram para o tema «Erebus». Descarreguem-no aqui. Esta faixa faz parte do disco de estreia da banda, «Occasus», editada pela Listenable Records em Setembro do ano passado.
Os holandeses Morning, que misturam heavy metal épico com partes atmosféricas e progressivas, assinaram um contrato discográfico com a Black Lotus Records. O álbum de estreia, «The Hour Of Joy», vê a luz do dia em Setembro deste ano.
Os gothic-rockers finlandeses Sinamore são a mais recente banda a juntar-se ao catálogo da editora austríaca Napalm Records. O disco de estreia (ainda sem título provisório) vai ser produzido por Anssi Kippo (To/Die/For, Lullacry, Entwine, Children Of Bodom), e deverá ser lançado em Novembro deste ano.
Os portugueses Invoke já se encontram em estúdio a gravar o disco de estreia, «Next Of Kin». A produção está a cargo de Nexion K (Re-Aktor, In Thy Flesh). O disco será lançado em data a anunciar.
O novo álbum de Journey - 13º na carreira da banda de hard rock melódico americana - vai chamar-se «Generations», e é editado ainda este ano pela Frontiers Records. O disco foi gravado em Fevereiro e Março no Record Plant Studio, e mesmo onde os Journey gravaram o multi-platinado álbum de 1986 «Raised On Radio».
Os ingleses Dam, banda de death/black/thrash metal extremo inspirada em Carcass, Death, At The Gates e Emperor, assinaram um contrato discográfico com a Candlelight Records, válido já a partir do próximo álbum, que vai chamar-se «Purity: The Darwinian Paradox». A edição está prevista para o dia 30 de Maio.
A primeira eliminatória da edição deste ao do concurso Rock ao Rubro vai juntar no palco do Rock House Café, em Alenquer, os Insaniae, God e Process Of Guilt, no dia 13 de Maio.

«Let Us Lead» CD
Equilibrium Music
Se os Puissance são, hoje em dia, um dos principais nomes da cena dark-ambient de contornos industriais, deve-o em grande parte a «Let Us Lead», editado originalmente há 10 anos, e agora recuperado pela Equilibrium para este relançamento num luxuoso digipack, com letras disponíveis e o tema «Warfare» como faixa-bónus. A meio de uma década marcada principalmente pelas experiências estilísticas de um Rozz Williams que não chegaria vivo ao final dos anos 90 e antes da explosão industrial de bandas como MZ.412, «Let Us Lead» mostrou, profeticamente, o caminho para o dark-ambient: com a entrada triunfal de «Burn the Earth», cheia de teclados grandiosos e poderosos, os Puissance demostravam, logo desde o início, que nem só de sons industriais e ambient suave se faz o estilo. As influências ritualísticas de «Control» e as pistas medievais que a música do álbum deixa em quem o ouve, impressionam ainda hoje, 10 anos depois da edição original. Apesar da originalidade de «Let Us Lead» não ser tão gritante hoje em dia, continua a ser um trabalho impecavelmente construído e manipulado, de uma frieza e calculismo arrepiantes, e verdadeiramente assustador. Quem quiser traçar a rota do dark-ambient actual e contemporâneo, não tem mesmo maneira de contornar este disco. E, para introdução ao trabalho de Puissance, nada melhor do que esta luxuosa reedição com o selo de qualidade da Equilibrium. (8/10)
«Let Us Lead» já está disponível
Os Speed / Kill \ Hate, banda que conta com os membros de Overkill Dave Linsk (guitarra), Derek Tailer (guitarra) e Tim Mallare (bateria), filmaram recentemente um vídeo para o tema «Face the Pain», do álbum «Acts Of Insanity», recentemente editado pela Listenable Records. O vídeo foi realizado por Anthony M. Bongiovi, da TBJ Entertainment, Inc., que trabalhou anteriormente com Slayer, Marilyn Manson, AC/DC e Godsmack, entre outros.
No dia 21 de Maio os Holocausto Canibal, Grog e Simbiose actuam ao vivo no bar Jinx, no Bairro Alto, em Lisboa, a partir das 22.00h.
A Black Lotus reeditou esta semana o álbum 'perdido' homónimo de Doctor Butcher, a banda que contava com Chris Caffery e Jon Oliva de Savatage e que foi, em tempos, considerda 'o lado negro e mais pesado' de Savatage. A reedição que chega às lojas esta semana vem num atraente digipack de dois discos, e inclui faixas-bónus da demo, mais uma música nova.
A editora austríaca Napalm Records também já entrou no jogo do metalcore. Os americanos Hurtlocker firmaram um acordo discográfico com a editora, e estão já a produzir o seu álbum de estreia, «Fear In A Handful Of Dust». A mistura vai decorrer no Planet Z Studio, que tem no currículo nomes como Hatebreed.
Os Gazua actuam ao vivo no próximo dia 13 de Maio no Lótus Bar, em Cascais, a partir das 23.00h.
Os Morbid Death actuam ao vivo, no dia 6 de Maio, na Feira de Santana, em Ribeira Grande, na Ilha de S. Miguel (Açores).
O Metalicídio está a realizar um passatempo que vai dar direito a um livre-trânsito para o Festival Roquefest, que decorre nos Açores, na ilha de S. Miguel, nos dias 9 e 10 de Maio. Para ganhar o prémio, basta responder correctamente à questão que, a qualquer momento, vai ser colocada no fórum da página, juntamente com os dados pessoais. Este passatempo é válido até às 23.00h de hoje.

«Black Empire» CD
Escapi Music/Recital
Precisamente um ano depois da estreia, os Force Of Evil estão de regresso, aproveitando o balanço do relativo sucesso que obtiveram com o primeiro disco. Neste projecto, composto por membros e ex-membros de Mercyful Fate e King Diamond, com o vocalista de Ironfire Martin Steene, há pouco espaço para algo que não seja competência e talento. Consequentemente, o power metal que sai das colunas em «Black Empire» volta a mostrar a superioridade do colectivo no que diz respeito ao equilíbrio entre melodia e peso e às influências certas no sítio certo. Se «Black Empire» é em alguma coisa diferente do seu antecessor, essa diferença está com certeza no conjunto de temas lentos ou a meio-tempo que, mais ou menos a partir de metade do álbum, toma conta das músicas de «Black Empire». Por essa altura, já os temas de abertura «Black Empire» e «Back to Hell» convenceram o ouvinte da competência do heavy/power metal de Force Of Evil, algures entre Judas Priest e Mercyful Fate. Não deixa, portanto, de ser interessante a abordagem do quinteto a estes temas mais lentos, embora a coisa roce um pouco a boçalidade devido ao exagero, em termos de quantidade de músicas, a que somos submetidos. Ainda assim, «Days of Damien», estrategicamente colocada a meio do disco, mostra como seriam os Mercyful Fate com outro vocalista, com a sua característica teatral e épica, e dá um novo fôlego a um disco que, apesar de convincente, tem uns dois temas lentos a mais e perde fôlego ao longo da audição. (7/10)
«Black Empire» já está disponível
Os franceses Gojira vão reeditar em breve o seu segundo disco, «The Link», completamente remisturado e remasterizado, através da Listenable Records.
No dia 22 de Maio os eslovenos Laibach, reis da música industrial/electrónica europeia, com 25 anos de carreira, actuam no Hard Club, em Gaia, a partir das 22.00h, num concerto incluído no Fade In Festival. O bilhete custa Eur 20,00 em pré-venda e Eur 22,50 no próprio dia.
A Ventrilocution 'zine, uma das melhores webzines redigidas em inglês que são actualmente feitas em Portugal, sofreu uma actualização nova. Vejam-na aqui.
No dia 20 de Maio decorre no bar Porto Rio, no Porto, a partir das 22.00h, o Grinding Up Your Ass Festival, com actuações dos polacos Dead Infection, dos belgas Suhrin e dos portugueses Grog, Simbiose e Holocausto Canibal.
Angel é o nome da nova banda de Helena Michaelsen (ex-vocalista de Trail Of Tears), com alguns elementos de Imperia. O primeiro single, chamado «Don't Wanna Run», já está disponível, e contém três faixas: o tema-título, uma versão acústica de «Mother» e o tema «Heaven Darkness». Este single serve de avanço ao álbum de estreia, «A Woman's Diary - Chapter I», que deverá ser editado no Verão pela Black Lotus Records. Entretanto, o single não será vendido nas lojas, estando apenas disponível nas páginas da Black Lotus e de Helena Michaelsen, ao preço de Eur 7,00, com portes incluídos.
Os Deadlock têm duas faixas novas, retiradas do próximo álbum «Earth.Revolt», disponíveis para download na página oficial da banda. Escutem-nas aqui. O disco é editado no dia 28 de Junho via Lifeforce Records.

«In Love With The End» CD
Metal Blade Records
Apesar de não serem exactamente uma banda jovem, os Born From Pain estão destinados a serem mais lenha para a fogueira do metalcore actual. O estilo muito nova-iorquino do hardcore do grupo pode ter três álbuns às costas, mas isso não faz de «In Love With The End» um disco mais revolucionário ou espantoso. É certo que os Born From Pain são uma banda bem coesa e pesada, com recurso a duas guitarras e a ritmos rápidos na quase totalidade dos oito temas do álbum. Mas, hoje em dia, quase todas as bandas do estilo o são, e algumas com muito mais brilhantismo e dinâmica. (6/10)
«In Love With The End» já está disponível

North Arise CD
Heavy Horses Records
Com um trio constituído por voz/guitarra, bateria e baixo, os alemães Nordafrost praticam death/black metal que tem um pouco mais do que meras semelhanças com Dissection. Ainda assim, e tendo em conta que este é o disco de estreia da banda, depois do MCD «Dominus Frigoris», a coesão do grupo é apreciável, e a composição bastante escorreita e variada ao longo dos 10 temas do álbum – o que é, em parte, justificado pelo facto do guitarrista e vocalista Svartis ter experiência na cena, como membro de Insignium. Apesar de longe da genialidade dos deuses suecos, «North Arise» pode encher a medida a quem gosta de uma sonoridade extrema mais underground. (6/10)
«North Arise» já está disponível

«Jahilia» CD
Epidemie Records
Apesar de contar com quase dois anos de existência, o carácter underground deste disco, editado pela empresa checa Epidemie Records, e a sua singularidade, levam a uma actualidade da música de Dusk pouco vista no mercado cada vez mais consumista do heavy metal actual. Passemos, pois, às apresentações: senhores e senhoras, os paquistaneses Dusk são um duo com alguns anos de existência e alguns lançamentos, entre discos e demos, principalmente na cena europeia, devido ao carácter maldito do estilo no país onde vivem. Apesar de sempre terem tido uma abordagem etérea, orgânica e diversificada da sua música, «Jahilia» vai muito mais longe do que qualquer lançamento de Dusk alguma vez fez. Apesar de toda a diversificação e diferentes partes na música do duo poder funcionar como impeditivo para que algumas das melhores ideias do álbum se desenvolvam em toda a sua potencialidade, as partes ambientais proporcionadas na maior parte dessas diferentes influências compensa, em termos gerais, alguma dispersão que se possa sentir. Tirando isso, os Dusk passeiam classe no seu metal ambiental, místico e progressivo, com influências étnicas esporádica e um grande poder hipnótico em cada uma das oito faixas aqui propostas. Não fosse esta uma produção um pouco 'afundada' demais para a qualidade da música que ostenta, e «Jahilia» seria um daqueles discos capazes de mudar a vida de quem os descobre. Ainda assim, trata-se de um tesouro de inestimável valor para quem gosta de metal atmosférico e diferente, com o exotismo de uma banda que sabe, tanto em termos técnicos instrumentais como líricos e até de conceito, como fazer de um disco uma obra de arte intemporal. (7/10)
«Jahilia» já está disponível
No dia 7 de Maio os portugueses The Howling actuam ao vivo no Hard Club, em Gaia, a partir das 22.00h, em apresentação do seu novo álbum, «Howl Of Centuries». A assegurar a primeira parte estarão os Echidna. O bilhete custa Eur 5,00.
«Deviant Current Signal» é o nome da estreia dos franceses Hacride, que vai ser editada no dia 24 de Maio pela Listenable Records. A banda menciona como principais influências aos Meshuggah, Strapping Young Lad, Death e Mike Patton. Escutem um sampler aqui.
No dia 14 de Maio os Lvpercalia apresentam ao vivo o seu novo MCD «The New Blood», no Bar Jinx (antigo Limbo), no Bairro Alto, em Lisboa, a partir das 23.00h. A primeira parte será assegurada pelos Insaniae. A entrada custará Eur 6,00.
- Hyubris ao vivo na Semana Académica de Portalegre, no Pavilhão da Nerpor - 20.00h
- Peste & Sida ao vivo no Alvito (Beja)
- Blasted Mechanism e Micro Audio Waves ao vivo em Silves, junto à Fissul

«Candlemass» CD
Nuclear Blast/Recital
Como o próprio Leif, baixista dos Candlemass diz, não é fácil para uma banda antiga fazer um álbum de reunião. A pressão da imprensa, dos fãs antigos e de toda uma nova geração de fãs de metal pode tornar-se, pura e simplesmente, insuportável. Quase o foi também para os Candlemass, mas a banda sobreviveu para compôr e gravar um dos mais brilhantes discos da sua carreira. Todos os elementos dos Candlemass clássicos estão neste disco: os riffs intensos, funéreos e geniais, os ritmos que oscilam entre o lento e o groovy e a voz única de Messiah Marcolin, a verdadeira componente épica da música dos suecos, que faz a ponte entre o metal clássico e o doom metal tal como o conhecemos hoje. Mais: os Candlemass foram ao passado buscar todos estes elementos e apresentam-nos hoje, embrulhados numa produção actual e limpa, sem ser demasiado digital, mas suficientemente clara para mandar às urtigas todos os que acham que o doom metal tem que ser sujo, distorcido e podre. Escutem a faixa de abertura deste disco, «Black Dwarf», e compreendam de uma vez por todas que todo o peso do doom metal deve estar na música, nas letras e no ambiente, e não propriamente na produção. Os fãs antigos de Candlemass podem sentir falta do som podre dos primeiros discos, que aprenderam a apreciar como parte integrante da música do quinteto, mas a verdade é que «Candlemass» tem a atitude certa, mostrando que os Candlemass não são objectos de museu, e que a sua música é tão orgânica, viva e dinâmica quanto a tecnologia de gravação o permite. Neste caso, o grupo de Messiah e Leif Edling aliou essa abordagem a 10 faixas brilhantes do mais genuíno doom metal dos últimos 20 anos. Abençoados sejam por este regresso. (9/10)
«Candlemass» é editado hoje

A história do doom metal confunde-se com a história dos suecos Candlemass, talvez até demasiado. Álbuns como «Epicus Doomicus Metalicus», «Nightfall», «Ancient Dreams» ou «Tales Of Creation» reescreveram, na segunda metade da década de 80, a cartilha que havia sido originalmente escrita pelos Black Sabbath. Depois disso começou uma enorme travessia do deserto para a banda que introduziu a palavra 'épico' na expressão 'doom metal', até que em 2003 as notícias voltaram a ser animadoras, com a reunião anunciada, uma digressão de enorme sucesso e excelentes perspectivas para o futuro. Os Candlemass haveriam de separar-se ano e meio depois, sem o anunciado álbum gravado, para se voltarem a reunir volvidos alguns meses, desta vez a valer. O resultado é um álbum homónimo, que volta a reunir o line-up clássico de Candlemass, e volta a trazer o doom metal épico mais característico da história do metal ao seio dos fãs. «Candlemass» é não apenas um álbum de reunião perfeito, como faz esquecer que os últimos 15 anos passaram, ao mesmo tempo que insiste, em cada pormenor delicioso de produção, em lembrar que, afinal, já passaram 15 anos. A Feedback falou com o baixista Leif Edling, principal força criadora da banda e um dos dois vértices, a par do vocalista Messiah Marcolin, da mais histórica banda de doom metal desde os Black Sabbath.
Tens um sentimento genuíno de 'regresso' com este disco, ou para ti é apenas outro álbum, e é tudo o que o rodeia que é diferente?
Tenho que dizer que é definitivamente um regresso. Não é, com toda a certeza, apenas outro disco de Candlemass, porque não o posso descrever assim. Este disco é muito importante para mim e muito importante para nós. Tínhamos que fazê-lo muito muito bom, tínhamos que fazê-lo à velha maneira de Candlemass, mas também com um aspecto de modernidade. Porque se fosse de outra maneira, iraríamos os nossos fãs antigos, e não íamos ficar satisfeitos também. Então, era muito importante que o disco soasse bem e que tivesse boas músicas.
Sentiste a pressão de teres que fazer um grande álbum?
Eu não senti pressão nenhuma. Não sei se os outros tipos sentiram... eu posso apenas falar por mim próprio; nas músicas que escrevi, limitei-me a fazer o que sei fazer. Nós depois descobrimos que as músicas tinham a velha magia de Candlemass, e por isso estávamos bastante confiantes que o disco se ia sair bastante bem. Mas nunca se sabe como os fãs mais velhos vão reagir, e como a imprensa vai reagir, claro, mas até agora tem corrido tudo muito bem. As pessoas parecem adorar o disco. Eu tenho viajado pela Europa desde há uma semana, a fazer promoção, e as pessoas estão a passar-se com disco (risos). Neste momento sou um sacana com sorte (risos). Isto é muito mais do que aquilo que poderíamos ter desejado.
Já te distanciaste o suficiente do disco para me saberes dizer onde é que caberia, estilisticamente, na vossa discografia?
Não. Eu sou tão subjectivo nisso... apenas sei que tem todos os elementos típicos de Candlemass. Já ouvi alguém dizer que este seria o álbum que poderia ter surgido depois do «Tales Of Creation»... é claro que surgiu depois do «Tales Of Creation». Surgiu 16 anos depois do «Tales Of Creation» (risos), mas não sei... é difícil para mim dizer, mas parece que as pessoas que gostaram do «Epicus Doomicus Metalicus» também podem gostar deste disco.
Está algures no meio...
Sim, talvez. O disco tem definitivamente a essência de Candlemass, e as pessoas gostaram do «Epicus...», do «Nightfall» ou do «Tales...», acho que podem encontrar elementos neste disco que lhes agradem.
Se uma jovem banda de doom fizesse hoje um álbum como este que vocês acabaram de lançar, achas que teria sucesso com ele?
Isso é difícil de dizer. Eu nem sequer tinha certeza se nós teríamos sucesso ao lançarmos um disco. Talvez dependa um pouco dos fãs, talvez dependa da banda - se tocam muito ao vivo, se tratam bem os fãs. É complicado... as pessoas são um pouco cépticas em relação a ouvirem novos álbuns de bandas antigas. Nós descobrimos isso quando enviámos a nossa demo e as editoras disseram-nos que tinham um pouco de medo de ouvir o nosso novo material.

(risos) Porquê?
Porque pensavam algo do género "ok, estes tipos são bons ao vivo. Nós vimo-los no Bang Your Head ou no Wacken e a actuação deles foi inacreditável, toda a gente gostou do espectáculo deles, blá blá blá". Mas lançar um álbum é uma coisa totalmente diferente. Especialmente quando estás numa banda antiga, com uma espécie de 'lenda' à tua volta, tendo lançado discos clássicos como o «Nightfall». Numa situação destas, nunca se sabe. Eu não conheço muito o regresso de outras bandas, porque não compro assim tantos discos, e não ouvi assim tantos álbuns de reuniões... por isso não sei, mas acho que fizemos um bom álbum de regresso (risos). Apenas posso dizer que estou super-orgulhoso. Seguimos os nossos sentimentos, e fizemos o melhor que podíamos.
Entre essas editoras a quem enviaram a demo, alguma delas era a Sanctuary?
Eles estiveram interessados no início, mas não estavam entre as editoras que mantiveram o interesse em Candlemass.
Como é que os membros da banda se deram uns com os outros na sessão de gravação do disco?
Fantasticamente. Divertimo-nos muito no estúdio. Brincámos uns com os outros, rimos, divertimo-nos, enquanto mesmo assim trabalhávamos bastante; trabalhávamos 14 horas por dia, apenas tínhamos um pequeno intervalo para almoçar e voltávamos logo para o estúdio. Mas foi fantástico. Resolvemos os motivos que nos levaram a discutir antes - nós não conseguíamos chegar a acordo em relação a como o disco devia ser feito, onde o devíamos gravar, quando, como e coisas desse género. Mas quando te sentas, falas e consegues tomar dois ou três compromissos, tudo se resolve. Nós fizemo-lo antes de entrarmos no Polar Studio.
É verdade que vocês decidiram voltar, nesta última vez, no casamento do Mappe?
Sim. Ele casou em Agosto, e nós estávamos lá todos, com os fatos... nós tocámos duas músicas no palco, com os nossos fatos, totalmente embriagados. E estava uma atmosfera óptima no casamento; nós falámos, e chegámos à conclusão que talvez fosse melhor continuarmos com a banda, porque temos algo de muito especial com Candlemass - temos uma química especial, temos uma sonoridade especial. Acho que somos algo únicos, de certo modo... enfim, temos algo de especial na banda, que funciona.
É por isso que têm algumas fotos de promoção deste disco com fatos?
Sim. A ideia tem origem nesse casamento, para dizer verdade. Mas não vamos aparecer assim em palco - aí vamos ser os velhos Candlemass. Mas nós pensámos que seria divertido fazer algo especial para o disco - e acho que ficámos porreiros, com aquele aspecto de Cães Danados... parece que estamos a sair de um funeral, e a capa do álbum a parecer uma espécie anúncio mortuário.
Exacto. Parece um daqueles anúncios de jornal...
Pois parece. Mas eu gosto - é muito artístico, minimalista, e é como uma declaração de intenções... tipo "isto é um novo início para os Candlemass". Como algo de fresco. Eu gosto das cores, gosto do facto de ser simples... gosto da capa.
Esse sentimento de 'novo início' é a razão pela qual chamaram simplesmente ao disco «Candlemass»?
Absolutamente.
Sentes então que vocês podem encetar toda uma nova carreira depois deste disco?
Espero que sim, mas ainda não sei. É demasiado cedo para dizer. Mas sinto-me abençoado por termos tido uma segunda oportunidade, de certo modo. Não há muitas bandas que tenham uma segunda oportunidade. Têm uma oportunidade, talvez editem um par de bons discos, e depois acaba. Mas nós andamos aqui há 20 anos, e agora temos um grande disco editado, uma óptima editora, as pessoas adoram o disco - isto é fantástico. Por isso eu sinto-me com muita sorte por ter esta segunda chance - talvez até uma hipótese ainda melhor desta vez. Mas mesmo que não tenhamos muito sucesso com este álbum, eu vou ficar muito satisfeito à mesma. Eu não estava à espera de tanto desde o princípio, de qualquer modo. A partir daí é tudo um bónus para mim (risos).
Achas que o facto do disco ser tão coeso, com uma produção tão boa e vocês terem uma editora como a Nuclear Blast por trás vai ajudar a banda a manter-se unida por muito tempo agora?
Eu sei o que queres dizer, mas acho que não é por isso, porque no estúdio, quando gravámos o disco, não sabíamos o que esperar. E nesta altura estaríamos contentes numa editora mais pequena também. Porque não esperávamos que a maior editora independente de metal da Europa pegasse em nós. As nossas expectativas eram muito baixas. Por isso, acho que teríamos feito um disco novo o ano passado de qualquer modo.
E a química na banda seria a mesma que agora, mesmo que não estivessem numa editora tão grande?
Sim, absolutamente.
O que achas que pode acontecer entre vocês numa digressão mais longa?
Nós não vamos fazer nenhuma digressão mais longa. Nós não podemos estar fora durante seis semanas ou dois meses, porque as pessoas na banda têm filhos e família. Nós vamos fazer digressões de três semanas - talvez um mês no máximo - depois voltar à Suécia por um bocado e depois ir para a estrada de novo. Desse modo seremos capazes de sobreviver um pouco mais.
Pode ser um bom mecanismo de protecção... vocês voltam para casa, descansam uns dos outros, e depois voltam à digressão...
Exacto. Tens que pensar em como fazes as coisas. Senão desgastas-te até não aguentares mais. Tens que ter muito cuidado com o que fazes, de modo a que saibas que consegues fazê-lo. Isso é muito, muito importante.
Tu estás no doom metal há mais de 20 anos, mas parece que só tens realmente sucesso quando o Marcolin está a cantar na tua banda. Não achas esse facto um pouco injusto?
Não. Candlemass é a banda em que eu toco; nós tivemos uma química fantástica nos anos 80, e eu tenho muito sorte por isso ter acontecido. Os discos que eu fiz sem o resto dos tipos, em 1998 e 1999, foram discos de baixo orçamento - nós não chegámos a tocar concertos, apenas um par de espectáculos na Suécia e poucas coisas mais. Nós reunimo-nos por causa da edição das versões remasterizadas, tocámos um Verão inteiro só para divertir os fãs e para nos divertirmos a nós. É claro que nós temos mais sucesso por nos termos reunido; fazer um disco de novo com o Messiah foi fantástico. Por isso, porque não? Candlemass é a minha banda, mas também é a banda dos outros tipos... nós temos algo fantástico juntos, por isso não sinto que sou o artista a solo Leif Edling a tocar com os Candlemass. Candlemass é a minha criação, e tenho a certeza que os outros tipos dirão o mesmo.

Consideras-te uma autoridade dentro do doom metal? Nestas entrevistas, quando as pessoas te perguntam coisas sobre o estilo, sentes-te à vontade para responder?
Não sei. Não sei tudo sobre doom, e não compro assim tantos discos. Não tenho muitos dos novos lançamentos. Por isso não posso responder a algumas das questões que me fazem. Posso apenas dar uma ideia dos meus pensamentos, do que gosto na cena doom actualmente. Sei uma ou duas coisas sobre Candlemass (risos), isso é certo, mas quando as pessoas me perguntam sobre bandas actuais, eu sou sempre obrigado a pensar um bom bocado. Faço sempre o meu melhor, e sei algumas coisas... conheço algumas bandas, mesmo assim. Gosto de Electric Wizard, gosto de Solitude Aeternus e coisas desse género... mas não estou muito dentro da nova cena.
Como reages a jornalistas que te entrevistam e não estão claramente preparados e informados, e começam a entrevista com perguntas como "faz-me um pequeno resumo da história da banda"?
Tento dar uma resposta o mais curta possível (risos), porque não consigo resumir uma carreira de 20 anos. É muito difícil fazê-lo... se vou responder a uma questão dessas de um modo apropriado, leva-me entre 10 a 20 minutos. É impossível. E isso já não acontece tanto hoje em dia, porque já estamos juntos de novo, desde a digressão da reunião, há uns dois anos, e respondi à minha conta de perguntas dessas na digressão, porque na altura estávamos com tantos fãs e pessoas da imprensa colocavam-me invariavelmente esse tipo de perguntas. Até agora tem corrido tudo bem... todos os jornalistas têm sido muito bons, muito simpáticos, gostam muito do disco... e colocam boas questões.
Então não tens problemas em continuares a responder a perguntas de tipos que nem sequer sabem o que tu tocas na banda?
Ainda não aconteceu. Tenho a certeza que ainda vai acontecer... talvez sejamos muito conhecidos, ou talvez a imprensa tenha feito o trabalho de casa, a fazer alguma pesquisa. Era o que eu faria, se fosse entrevistar alguém.
Às vezes quando apanhas tipos de grandes jornais generalistas, que estão apenas a escrever um artigo, levas com esse tipo de questões...
Sim, claro. Às vezes apanhas todo o tipo de perguntas estúpidas, ao ponto de nem acreditares. Mas tens que lidar com elas. Podes gozar com elas, ou dar respostas curtas, mas tens que manter sempre um sorriso na cara.
Temos uma promo do novo álbum (que contém o disco na íntegra) de Candlemass para oferecer à PRIMEIRA pessoa que nos enviar um mail a dizer quantos elementos fazem parte da banda. Não se esqueçam de enviar os vossos dados no mail, bem como a morada para onde querem que seja enviado o disco. O mail para as respostas: rage.war@oninet.pt
Os franceses Anorexia Nervosa vão integrar a digressão europeia de Vader, juntamente com Rotting Christ, que decorre entre 5 de Setembro e 23 de Outubro.
Os portugueses D'Evil Leech Project têm disponível um novo site oficial, onde é possível ouvir em streaming excertos de todas as músicas dos dois álbuns da banda e integrar o mailing list oficial do grupo.
Os death-metallers checos Pandemia acabaram de editar o seu novo álbum, «Riven», via Metal Age Productions. Entretanto, a banda já se encontra na América do Sul, onde vai realizar uma digressão local.
No dia 8 de Maio acontece no Parque das Nações, em Lisboa, a terceira edição do Animal Liberation Fest. Esta edição conta com actuações de New Winds, TwentyInchBurial, Aside, Day Of The Dead, Blacksunrise, Albert Fish e If Lucy Fell. Os concertos começam às 15.00h, e a entrada é livre.
- Path Of No Return, Eternal Bond, Kontrattack e Highest Cost ao vivo na Associação R. C. Músicos de Faro - 17.00h
- Edição do MCD «Elegy», de Leave's Eyes
- Edição de «Red On Chrome», de Crowpath
- Edição de «Fractured», de Capharnaum
- Edição de «Kill.Fucking.Everyone», de Watchmaker
- Edição do split-CD de Misery Index e Commit Suicide
- Edição de «Candlemass», de Candlemass
No início do Verão os polacos Hate vão gravar o seu novo disco, no Hertz Studio, na Polónia. O tempo de estúdio da banda serão seis semanas, durante as quais deverão ser gravadas oito novas faixas. O título do álbum será «Anaclasis», com o sub-título "A Haunting Gospel Of Malice And Hatred». O lançamento está previsto para Outubro, via Listenable Records.
Os finlandeses Finntroll vão ter uma actuação especial no Festival Earthshaker deste ano, na Special Opening Night, no dia 21 de Julho. Para além dos Finntroll, também os Turisas, Hustice o Holy Hell actuarão no dia de abertura do festival, estando ainda por anunciar uma banda-surpresa para esse dia. O festival estende-se depois pelos dois dias seguintes.
Já há data de lançamento para o próximo álbum dos alemães Dew Scented: «Volume VI» é editado no dia 20 de Junho, via Nuclear Blast Records. A primeira edição vai ser limitada, e conter um DVD-extra, que vai mostrar material ao vivo, para além de algumas outras coisas. A banda terminou recentemente também a rodagem do seu primeiro vídeo-clip de sempre, para o tema «Turn to Ash», que vai também estar presente no DVD. Entretanto, o guitarrista Flo abandonou o grupo; Marvin Vriesde (Blo.Torch e Severe Torture) é o 'novo' guitarrista, depois de ter participado nas digressões da banda de 1996 e 2002.
A Metal Age Productions vai editar, em Maio, um duplo-CD de Galadriel chamado «Empty Mirrors Of Oblivion». Esta edição conterá os três primeiros discos da banda e ainda dois vídeos-bónus em secção multimédia.

«The Second Insision» CD
Karmageddon Media/Recital
Apesar de tentarem desesperadamente carregar na tecla da diferença neste segundo álbum, os suecos Scaar não conseguem, com «The Second Insision», um trabalho verdadeiramente coeso e interessante de 'thrash metal moderno', como a editora gosta de lhe chamar. Depois de uma entrada algo previsível e até estereotipada para uma banda sueca, com «Deathmachine», o disco evolve para uma espécie de limbo criativo em que a banda vai tentando soar diferente, ora incluíndo partes mais lentas na sua música, ora acrescentando partes de vocalizações limpas em refrões. Regista-se a intenção, mas a coisa não é propriamente um prodígio de originalidade e genialidade. É como se «The Second Insision» encetasse uma viagem pela passagem do terror, em que as influências mais variadas - inclusivamente de algum hard rock - vão aparecendo para se mostrarem, mas não nos tocam verdadeiramente, e não lhes podemos tocar ou interagir com elas. No fim, com o tema «14 Years Of Abuse», a banda chama os fantasmas Pantera à cena, e mostra uma das mais rebuscadas influências da sua sonoridade, não deixando, definitivamente, a melhor das impressões, embora o disco seja interpretado e produzido de uma forma competente e profissional. (6/10)
«The Second Incision» já está disponível