Os alemães Dew-Scented disponibilizaram online uma faixa do seu novo álbum, mais concretamente «Rituals of Time», bem como o vídeo-clip do tema «Turn to Ash», também do novo álbum «Issue IV», que está à venda desde dia 20 de Junho. Saquem-nos aqui.
Os dinamarqueses Hatesphere terminaram a composição dos temas do seu novo disco, chamado «The Sickness Within». A edição está prevista para o dia 26 de Setembro, via Steamhammer/SPV, ao que se deverá seguir uma digressão europeia.
No sábado, dia 9 de Julho, o Bar Porto Rio, no Barco Gandufe, recebe em concerto, a partir das 15.00h, os Motornoise, Dead Singer e Soda Káustica. Depois dos concertos a festa continuará pela noite dentro, com a música a cargo dos DJ's Rodas e Quisto. A entrada custa Eur 5,00.
Os thrashers brasileiros Mad Dragzter concluíram a pré-produção do seu segundo álbum de originais, chamado «Killing The Devil Inside», que deverá ser editado até ao final do ano pela Via Musique. A banda pretende filmar as sessões de gravação do disco, para incluír as filmagens num DVD que acompanhará o disco.
Depois de não terem tido sucesso no objectivo de encontrarem uma editora que lhes lançasse o álbum de estreia, os portugueses Cycles decidiram agora editar uma demo de quatro faixas em formato DVD, chamada «End Of December». A demo terá quatro temas audio (um dos quais com a participação de Patrícia Rodrigues, de ThanatoSchizO e outro com a participação de Paulo Barros, de Tarantula) e um vídeo, do tema «World of Sand». A data de edição desta demo deverá ser divulgada em breve.
Herman Li, o jovem guitarrista de Dragonforce, foi o vencedor do prémio de Melhor Guitarrista dos Metal Hammer Golden Gods deste ano. Por outro lado, os Dragonforce perderam o prémio de "Melhor Banda do Reino Unido", para o qual também estavam nomeados, para os Lost Prophets. Ao receber o prémio das mãos de Zakk Wylde, Li agradeceu aos fãs e disse não poder aceitar o troféu sózinho, convidando toda a banda a subir ao palco para partilhar o seu prémio.
As lendas do hardcore nova-iorquino 25 Tha Life regressam a Portugal já esta semana, para um concerto no dia 2 de Julho no Pavilhão do F.C. Torrense, na Torre da Marinha (Seixal). A noite começará às 20.00h, com actuações das bandas portuguesas Last Hop, Deadly Mind e For The Glory. A entrada custará Eur 10,00. As reservas de bilhetes são feitas para este e-mail. No dia seguinte, 3 de Julho, é a vez dos 25 Tha Life actuarem no Bar Ribeirinha, no Porto, a partir das 15.00h, juntamente com os portugueses Inverse, On Equal, Genoflie e No Forgiveness. A entrada deste concerto custará Eur 5,00.
Os Loudness assinaram um contrato discográfico com a Drakkar Recors. O novo álbum, «Racing», é editado no dia 6 de Setembro. Entretanto, no dia 22 de Julho, a banda actua no Earthshaker Festival, na Alemanha.
Já se sabe o nome de três das bandas que actuarão no Liperske III - Penaguião Metalfest deste ano: ThanatoSchizO, In Solitude e In Kairus. O festival decorre no dia 24 de Setembro em Santa Marta de Penaguião, a partir das 16.00h. Anuciaremos os nomes de outras bandas assim que forem sendo confirmadas.
A Noite da Juventude de Mangualde deste ano, que se realiza no dia 6 de Setembro próximo, contará com actuações de Angriff e Moonspell.
Eis os próximos concertos dos d3ö, que continuam a promover o novo disco «7 Heartbeat Tracks»:
09.07 - Café da Praia (S. Pedro de Moel)
16.07 - Teatro Caracas (Oliveira de Azemeis)
23.07 - Sociedade Harmonia Eborense (Évora)
O Festival Alta Tensão de Amarante, que se realiza no dia 16 de Julho próximo, vai contar com a participação da banda local Floyd Rose, que se junta no cartaz aos já anunciados nomes de Tarantula, Re:aktor, ThanatoSchizO, Painstruck, Pitch Black, Shrapnel e Morbius. O festival decorre no Parque Ribeirinho (junto ao rio) e tem início previsto para as 17.30h. A entrada é livre.
O blog Metal Incandescente está de regresso ao activo, depois de uma paragem de quase um mês por parte do seu editor Dico. Neste novo fôlego, o Metal Incandescente já não terá actualizações diárias, mas promete estar a par de tudo quanto se passa no metal nacional.
A Metal Bus Tour está a preparar uma excursão ao festival Wacken Open Air deste ano, que decorre entre os dias 4 e 6 de Agosto. A excursão parte do Parque das Camélias, no Porto e do Terminal do Colégio Militar, de Lisboa, no dia 2 de Agosto, e chega a Portugal de volta no dia 8. O preço da excursão será de Eur 215,00, com bilhete para os três dias do festival incluído, bem como acesso ao camping e às piscinas da vila de Wacken. A excursão prevê igualmente uma paragem de três horas em Amsterdão para uma visita à cidade.
Os finlandeses Deathbound, que contam com elementos de The Duskfall, ...And Oceans e Rotten Sound, disponibilizaram online três amostras de temas do seu mais recente álbum, «Doomsday Comfort», disponível desde meados de Maio. Saquem-nos aqui, aqui e aqui.
O Festival Tejo, a decorrer na Quinta da Marquesa (Azambuja) nos próximos dias 22, 23 e 24 de Julho, terá o seu dia de peso precisamente no dia 24, em que actuarão os alemães Kreator e os portugueses Moonspell e The Temple. A abertura de portas está prevista para as 20.00h, enquanto que os concertos começam às 21.00h. Os bilhetes custam Eur 15,00 por um dia - Eur 30,00 pelos três dias.
Os Masterplan - banda de power metal composta pelos ex-Helloween Roland Grapow e Uli Kusch e com Jorn Lande (ex-Ark) nas vocalizações - actuam em Portugal no dia 13 de Agosto, num festival de heavy metal na Praia de Mira. Para além dos Masterplan, actuarão no festival os portugueses Tarantula, Oratory, Arya, Timeless e Diesel-Humm!

Tellurique CD
Season Of Mist/Recital
Tem sido longo e penoso o processo de afirmação de Kill The Thrill no mercado europeu do metal e música alternativa mas, valha a verdade, isso não tem impedido os franceses de seguirem o caminho traçado por si próprios para a sua música. Se a estreia «Dig» soava a confusão e o mais recente álbum «203 Barriers» pareceia demasiado rendido às melodias ambientais, com «Low» pelo meio a fazer a ponte entre o noise do início de carreira e a abordagem ambiental da segunda parte da vida dos Kill The Thrill, nunca como em «Tellurique» o colectivo francês fez tanto sentido com a sua música. Um dos grandes problemas dos três primeiros discos da banda – a aparente desconectividade das suas influências – parece agora definitivamente arredado da música de Kill The Thrill, devido a uma auto-confiança muito maior, quer em termos de composição quer na interpretação, que faz com que o trio liderado por Nicolas Dick ultrapasse a barreira entre o puramente estranho e a originalidade. Aliás, as influências de Treponem Pal que tão bem faz a «Tellurique» - porque lhe acrescenta a vertente desumana que faz o metal/rock industrial ambiental de Kill The Thrill funcionar – sempre esteviveram nos álbuns da banda. Simplesmente,neste disco estão no sítio delas, como apenas mais um compenente da sopa de influências que os Kill The Thrill usam para matar a sua fome de originalidade. «Tellurique» pode não ser um prodígio técnico ou orgânico de música de fusão como a banda francesa pretende, mas cria um ambiente de frio desprendimento que sabe bem após algumas audições. Se dependesse de mim, também não era desta que os três músicos abandonavam este caminho musical, até porque «Tellurique» deixa no ouvinte uma imensa vontade de ver o que é que isto pode dar num próximo disco. (7/10)
- Most Precious Blood, Diecast e Napalm Death ao vivo no Paradise Garage - 20.00h
- Segle XIII, Attick Demons, Unified Theory e Side-Effects ao vivo no bar da Faculdade de Letras de Lisboa - 21.00h
- Cancer, Solid Impact e Loss Spectra Of Pure ao vivo no Bar Porto Rio (Porto) - 21.00h

Vain City Chronicles CD
Season Of Mist/Recital
De uma assentada, e em poucos anos, a cena norueguesa soube produzir uma série de bandas de metal/rock alternativo com excelentes vocalistas femininas: estou a referir-me a The 3rd & The Mortal, Tactille Gema, Atrox e estes The Crest. Os The Crest têm um início de carreira ligado ao doom metal melódico, mas as raízes electrónicas do guitarrista Kristian e a poderosa voz de Nell, ambos membros fundadores da banda, deixavam antever outros voos. «Letters From Fire», o disco de estreia da banda editado em 2001, cinco anos depois da criação dos The Crest, levantava já uma ponta do véu do que por aí vinha. «Vain city Chronicles» chega quase quatro anos depois, com Nell já anunciada como a nova vocalista das super-estrelas Theatre Of Tragedy, e um punhado de ideias novas. O rock alternativo com influências metal de «Letter From Fire» metamorfoseou-se numa espécie de post-rock melancólico rico em arranjos e melodias com sentido, com uma dimesão muito humana emprestada pela voz de Nell, que – julgo que não por acaso – traz várias vezes à cabeça do ouvinte um nome: The Gathering. Ainda assim, há alma própria em The Crest. «VainCcity Chronicles» pode partir do pressuposto de que o rock tem que ser ‘post’, de que a composição actual já não pode fugir muito ao que foi feito antes, mas os arranjos das músicas, que chegam a incluír um violino velado, resultam bem e conseguem transpôr uma atmosfera melancólica muito intensa para o disco. Mesmo nas primeiras faixas do álbum – as mais descaradamente rock, energéticas e pesadas, de sempre por parte do colectivo norueguês – os The Crest não largam a sua imagem de banda-melancolia, que lhes fica bem e que vai agradar a quem gosta de sofisticação na música que ouve. Não sei como será o novo álbum de Theatre Of Tragedy, mas «Vain City Chronicles» deixa claro o motivo pelo qual Nell não abandonou os The Crest quando foi recrutada pela super-banda norueguesa: é que a música deste grupo contém alguma da mais pujante vitalidade que a cena escandinava já apresentou ao resto da Europa nos últimos anos. (8/10)
Eis a programação desta semana do clube TocSin, que fica no n.º 172 da Rua da Atalaia, no Bairro Alto (Lisboa):
29.06 - Mundo Paralelos (dark wave, alternativa, industrial, electro) com DJ's [MaKina] e M
30.06 - Panic Room (gótico, psycho, punk, post-punk, m. portuguesa) com DJ Blitz
(Vasco)
01.07 - Noite Metal + 1.º aniversário TocSin com DJ Psycho
02.07 - Noite gótico/electro/industrial/80's com DJ Dark Venus
05.07 - Especial Bauhaus/Peter Murphy com DJ Thakisis
- Segle XIII e Ethereal ao vivo n'O Culto Bar, em Cacilhas (Almada) - 22.00h

A incrível energia e entusiasmo com que os cinco alemães que respondem pelo nome de Deadlock se entregam à sua mistura de black e death metal extremo de contornos góticos é apenas igualada pela extrema forma de vida que levam. Sendo assumidamente uma banda vegan straight-edge, o grupo divide a sua música entre as mensagens que tenta passar dentro deste assunto e uma incrível capacidade de compôr temas extremos, agressivos, pesados e ao mesmo tempo atractivos e por vezes com uma fragilidade de voz feminina estonteante. A propósito do novo disco, «earth.revolt» - o segundo dos Deadlock, falámos com o vocalista Johannes Prem.
Texto: Fernando Reis
Sentiram alguma pressão no processo de composição e gravação deste disco, por estarem agora numa editora maior e por estar a ser muito dinheiro investido em vocês?
Não sentimos qualquer pressão... a colaboração com a Lifeforce Records tem sido, até agora, simplesmente espantosa. Encontrámos uma grande editora que apoia a nossa música e estilo de vida, mas também novos amigos que nos ajudam no que fazemos, por isso para nós é perfeito estar na Lifeforce Records.
Qual é o vosso sentimento em relação ao álbum agora, que está gravado e fora das vossas mãos? Estão totalmente satisfeitos com ele? Mudariam alguma coisa nele agora, se pudessem?
Na minha opinião o «earth.revolt» é o lançamento com melhor produção, mais complexo e mais forte de Deadlock até agora, e é por isso que estamos muito satisfeitos com esta nossa criação. Mas, enquanto músico, nunca deves chegar a um ponto em que estás totalmente satisfeito contigo próprio porque nessa altura não serás capaz de ultrapassar as tuas capacidades e chegar a um novo nível – e a estagnação é a pior coisa que pode acontecer a uma banda. Mesmo gostando muito do nosso novo disco, vamos definitivamente tentar melhorar as nossas capacidades com o próximo material.
Vocês têm uma voz feminina em algumas das músicas, que encaixa muito bem. Mas vocês não têm nenhuma vocalista feminina na banda. Porquê?
A Sabine Weniger é a rapariga responsável pelos teclados e bonitas vocalizações femininas nos nossos últimos três discos, mas como ela é uma música profissional, anda sempre demasiado ocupada para estar constantemente em digressão connosco. Por isso ela apenas nos ajuda quando entramos em estúdio e, ao vivo, deixamos o computador fazer o trabalho dela.

Ainda assim, estão a pensar usá-la para alguns concertos?
Não. A Sabine está demasiado ocupada com as outras bandas dela, como te disse. E se não for ela, não haverá mais ninguém a fazer esta posição em Deadlock. Ao vivo tem resultado muito bem correr os sons dos teclados a partir do laptop e, assim, ninguém sentirá falta da típica atmosfera negra de Deadlock quando tocamos ao vivo.
O disco lida com o conceito que vocês começaram no split-CD com Six Reasons To Kill. Queres explicar-nos esse conceito?
Como somos uma banda vegan straight-edge a maioria das nossas letras lida com esses tópicos. No split começámos a contar uma história sobre um pequeno soldado – que representa um pequeno grupo de pessoas que sabe aquilo por que luta – que decide seguir o seu próprio caminho, não ligando ao que as massas lhe dizem para fazer... ele é demasiado fraco para forçar o inimigo a ceder, e por isso morre, mas agora no «earth.revolt» o mundo começa a limpar-se de todos os parasitas e, no fim, uma nova vida bela ergue-se das cinzas da humanidade.
Achas que o amor é, de alguma forma, um assunto demasiado ‘maricas’ para fazer parte de um disco de metal extremo?
Penso que não. O amor e compaixão são sentimentos tão fortes e ideais que não podem ser lamechas de todo. Estar numa banda de metal não tem que significar que cantes sobre morte e destruição; podes usar a tua música como uma arma para lutar contra tudo aquilo que achares que vale a pena combater. E, a propósito, não existe ódio sem amor, eu amo este planeta e todos os seres vivos mas por outro lado odeio ardentemente as pessoas que tentam destruí-lo todos os dias.
Qual é o vosso método de composição? Como é que chegam a uma faixa épica como a «May Angels Come»? Sabem desde o início que vai ser uma faixa longa, ou acontece naturalmente?
Os dois compositores de Deadlock são o guitarrista Sebastian e o baterista Tobias. Eles compõem toda a música e quanto terminam uma música a minha tarefa é escrever letras para encaixar nela. Todas as músicas são compostas assim... posso dizer-te que faixas como a «May Angels Come» também me surpreendem, porque o Tobias e o Sebastian dizem-me que acabaram uma nova música mas nunca me dizem que vou ter que fazer letras para 10 minutos ou alguma coisa do género. Mas no fim resulta tudo maravilhosamente bem (risos).
Vocês praticam black/death metal com toques góticos e estão numa editora que tem maioritariamente bandas de metalcore. Não têm medo que o perfil da Lifeforce Records afaste alguns possíveis fãs do vosso estilo de música?
Quanto comparado com os nossos últimos lançamentos, o acordo com a Lifeforce abre-nos a porta para uma audiência maior e, julgo, vai fazer com que mais gente escute Deadlock. Vão existir críticas em todas as fanzines importantes, impressas e online, e se as pessoas gostarem do que ouvirem devem comprar o CD e prepararem-se para ser totalmente devastadas por uma das últimas resistências vegan straight-edge em termos de metal, por parte de uma das melhores editoras em todos os tipos de metal extremo. Estamos mais que contentes em fazer parte da família da Lifeforce, e espero que as pessoas gostem do que esta aliança vai produzir no futuro.
Algumas editoras assinam bandas alemãs apenas a pensar nas possibilidades de mercado que lhe oferecem, o que resulta numa reputação meio obscura do metal extremo alemão fora de portas. Isso preocupa-te?
Não ligo porra nenhuma ao sítio de onde uma banda vem, e espero que a maior parte das pessoas pense da mesma maneira. Tem tudo a ver com a música e a mensagem, e não com o facto de se ser oriundo da Alemanha, dos Estados Unidos ou de outro sítio qualquer. Os Deadlock praticam música extrema, um estilo de vida extremo, e é tudo.

Podes dizer-nos porque escolheram este caminho vegan straight-edge?
Ser vegan é a única forma de vida livre de crueldade e mostra uma solução para quase todos os problemas económicos. Cada um dos membros de Deadlock adora o modo de vida vegan straight-edge e agrada-nos muito partilhar este planeta com todas as outras criaturas sem matar e explorar o planeta. Para nós, é pura e simplesmente a única forma de viver e é por isso que tentamos espalhar a mensagem.
Achas que isso pode dar alguma atenção-extra à banda e, pelo contrário, a exposição da banda pode ajudar a espalhar essa vossa mensagem?
Espero conseguir a atenção do público não apenas devido à nossa música, mas também à mensagem, porque na minha opinião estas duas coisas estão muito intimamente ligadas. Mas não creio que ser vegan ou straight edge nos dê uma atenção especial, porque é uma forma de vida extrema e vão existir sempre tantas pessoas que gostam do que dizemos como as que odeiam.
De que outras artes gostas – literatura, cinema, pintura – e as tuas obras e artistas favoritos, por favor...
Adoro ir ao cinema e ver DVD’s. Os meus favoritos são o Senhor dos Anéis, o Troia ou o Renascer dos Mortos, por exemplo... não sou um grande leitor de livros ou apreciador de quadros, por isso não posso dar-te grandes nomes nesses campos... excepto um: Roland Straller. Ele é um artista e pintor inacreditável... é o responsável por todas as capas de Deadlock, desde o 7” ao split-CD com SixReasonsToKill, até termos encontrado o magnífico Peter Hoffmann da Glashaus Design que nos fez o design do «earth.revolt».

Earth.Revolt CD
Lifeforce Records/Recital
Uma banda de metal extremo que advoga um estilo de vida vegan straight-edge não é muito normal, mas ela existe precisamente na forma destes Deadlock, que há nasceram há seis anos na Alemanha. «Earth.Revolt» é já a quinta entrada na folha de discografia da banda, depois de um 7”, um MCD, um CD e um split-CD com Six Reasons To Kill. O que aqui temos é uma mistura de estilos que é mais difícil de destrinçar do que de ouvir. A base do som de Deadlock é um metalcore muito orientado para o estilo melódico do death metal sueco em termos de riffs de guitarra, enquanto que a voz vai oscilando entre o metalcore americano e claras influências de In Flames. Depois, os Deadlock acrescentam riffs disparados em sucessões quase ininterruptas, ao estilo de death e até de black metal, e enfeitam o prato com um som de teclado e uma voz feminina que emprestam à música do quinteto uma dimensão gótica. Bem sei que, dito assim, de chofre, parece uma grande misturada, mas «Earth.Revolt» demonstra como os Deadlock dominam bem as influências que praticam, transformando-as num estilo muito próprio que equilibra agressividade e belas e frágeis melodias como se fosse a coisa mais natural do mundo. Os arranjos chegam a ser orquestrais e épicos, dado o luxuoso cuidado colocado em cada pormenor das músicas deste disco. A composição compreende uma tamanha variedade que vai da grande e complexa faixa de 10 minutos «May Angels Come» até à pequena «Harmonic», que demonstra o quanto vale ter uma vocalista como Sabine Weninger à disposição. Em suma: originalidade, agressividade, energia, complexidade, melodia, beleza e um conceito lírico diferente e interessante – o que se pode pedir mais de um disco? (8/10)
Já é conhecida a data de lançamento de «Virus», o novo álbum de Hypocrisy: o disco sai no dia 19 de Setembro. A lista de temas do álbum também já foi divulgada. Inclui as faixas «Warpath», «Scrutinized», «Fearless», «Craving For Another Killing», «Let The Knife Do The Talking», «A Thousand Lies», «Incised Before I've Ceased», «Blooddrenched», «Compulsive Pshychosis» e «Living To Die».
Os black-metallers portugueses Opus Draconis vão andar em digressão pela Europa, juntamente com os brasileiros Hipnoid, na primeira quinzena de Outubro. Os países por onde a digressão tem passagem assegurada são a Alemanha, Suíça, Áustria, Bélgica, Holanda, Luxemburgo e alguns países da Europa de leste.

A 16.ª edição da revista Underworld sai para a rua na próxima semana. Este novo número contém entrevistas com Nile, Jarboe, d3ö, Darkest Hour, Dr. Frankenstein e outros, para além de um artigo sobre o projecto japonês Merzbow, um artigo sobre bandas de metal portuguesas com editoras estrangeiras e um conto exclusivo de José Luis Peixoto.
A Stygian Crypt Productions reeditou esta semana o segundo álbum da banda de doom metal russa Autumn, chamado «Chernie Krilja (Black Wings)». O álbum, que tinha sido editado originalmente em 2000 em formato cassete, conhece agora uma reedição em CD, com os temas remasterizados e um novo trabalho gráfico.
Os prog-metallers italianos Event Horizon estão prestes a terminar as gravações do seu álbum de estreia, «Naked On The Black Floor». O trabalho gráfico da capa do disco vai estar a cargo de Federico Rebusso (Magnificat, Cultus Sanguine).
- Edição de «Tried & Failed», de Evereve
- Edição de «I Am», de Tomas Bodin
- Edição de «Spectrum», de Steve Howe
- Edição de «Primal Exhale», de Excalion
- Edição de «MetalMorphosis», de Tarantula
- Edição do EP «24/7», de U.D.O.
- Edição do single de «Come Alive», de Helloween
- Reedição de «Audentity», de Klaus Schulze
- Reedição de «Body Love», de Klaus Schulze
- Reedição de «Dune», de Klaus Schulze
- Reedição de «Miditerranean Pads», de Klaus Schulze
- Reedição de «The Jewel», de Pendragon

Harvest Ritual Volume I CD
Season Of Mist/Recital
Criados como um projecto de Killjoy para misturar as suas paíxões (música extrema e filmes de terror), os Necrophagia atravessaram várias encarnações, várias sonoridades e vários line-ups mas agora, com «Harvest Ritual Volume I» na mão, pode finalmente dizer-se que valeu a pena. Ultrapassada a fase-Anselmo (o vocalista de Pantera era o guitarrista e co-fumador de charros oficial da banda) e com um dos melhores elementos que Killjoy já recrutou (Mirai Kawashima, teclista de Sigh) no grupo, é tempo de finalmente, termos uma visão aproximada do que os Necrophagia deveriam ter sido desde o início da sua carreira, e não foram. Este novo álbum acaba por confirmar aquilo que «Goblins Be Thine» e «The Divine Art Of Torture» tinham deixado antever: que os riffs thrash-metal old-school e as vocalizações possessas de Killjoy funcionam muito melhor quando enquadradas no ambiente verdadeiramente pesado dos teclados de Kawashima e quando têm uma secção rítmica composta por músicos a sério (o baixo de Iscariah, de Immortal, de serviço e a bateria ‘convidada’ de Joey Jordison, de Slipknot e Murderdolls, a despontar num dos temas) a ajudar. «Harvest Ritual Volume I» acaba por ser um menu das possibilidades que os ‘novos’ Necrophagia têm à sua mercê: temas com abertura rápida e pesada e refrões afogados em teclados de filmes de terror dos anos 70, temas ambientais mórbidos arrastados assolados pela voz torturada de Killjoy ou pura e simplesmente música de thrash/death/gore com uma tendência sinfónica podem estar ao virar de cada esquina neste disco. Quando se fala em ‘gore-metal’ deveria ser disto que se fala, e não da mistura de distorção sem sentido e cheiro a charro que os Necrophagia fizeram até «Through The Eyes Of The Dead». Enquadrada pelo ambiente certo – outro dos grandes momentos do disco é a aparição de Bill Moseley (House of 1.000 Corpses e Devil’s Rejects) para uma narração arrepiante – a música de Necrophagia é fria e mórbida, extrema pelas razões certas e original pela abordagem que assume. (9/10)
Nos meses de Julho e Agosto, os Gorefest vão estar no Excess Studio em Roterdão, na Holanda, juntamente com o produtor Hans Pieters, para gravarem o seu quinto álbum de originais. A banda holandesa, recentemente reunida, tem 15 músicas para gravar, das quais 10 farão parte do disco. A mistura vai ficar a cargo do dinamarquês Tue Madsen, no seu estúdio caseiro, na Dinamarca, em Agosto. O grupo já prometeu manter um diário de estúdio no seu site oficial enquanto estiver em estúdio. Entretanto, no dia 18 de Julho, a Nuclear Blast vai reeditar todo o fundo de catálogo dos Gorefest, em discos que conterão material inédito, faixas de demos e outras raridades. Todos os temas vão ser remasterizados, e os booklets vão conter comentários do jornalista e escritor holandês Robert Haagsma, bem como fotos inéditas retiradas directamente das colecções privadas dos membros do grupo. Mais para a frente, sairá uma caixa com todas estas reedições.
Os Fear Thy Name anunciaram hoje o fim das suas actividades enquanto banda. Depois de seis anos de actividades, o grupo termina a sua actividade devido ao não-cumprimento dos objectivos a que os elementos se propuseram enquanto colectivo. Entretanto, ainda é possível encomendar a última demo dos Fear Thy Name, «Riding The Chariots Of War», por Eur 6,50, no site do grupo.
Os portugueses Karseron acabaram de editar uma nova demo. Chama-se «Krux Crucis», é distribuída no formato CD-r, e contém cinco temas do death/black metal com ambientes soturnos pelo qual a banda já é conhecida há vários anos na cena nacional. Para já, a demo está disponível apenas para promoção.
Os italianos Ensoph entraram nos estúdios Heartbeat (da YMC Division) para iniciarem as gravações daquele que será o disco sucessor de «Opus Dementiae». O disco chamar-se-á «Project X-Katon» e vai ser misturado por Giuseppe Orlando (Novembre, Stormlord, Klimt 1918, etc) no Outer Sound Studio, enquanto que a masterização vai ser feita por Goran Finnberg no The Mastering Room, na Suécia. Para já, está confirmado que Steve Sylvester, fundador e vocalista de Death SS, é convidado no disco, não apenas na regravação do tema «Sun of the Liar», como também na versão de «Sex Dwarf», de Soft Cell. Elyghen, de Elvenking, também deverá aparecer como convidado no disco, na qualidade de violinista. Entretanto, os Ensoph continuam a trabalhar nas gravações do seu projecto especial de música industrial, que vai chamar-se «The Hourglass Ordalia»; no entanto, a data de lançamento do disco foi ligeiramente adiada, de modo a permitir que todos os convidados terminem as suas partes. Ain Soph, Foresta Di Ferro, Bad Sector, Void Of Silence (a última gravação antes da separação), Canaan, Thee Maldoror Kollective, Ait!, Argine e Ran são os projectos envolvidos.
- 1.º PowerMetal Fest, com Segle XIII, Oratory, Unified Theory e Lostland, no Sound Planet (Montijo) - 17.00h
- Assacinicos ao vivo na Feira de S. João (Évora) - 23.30h
- Edição de «Earth.Revolt», de xDeadlockx
- Edição de «The Fullness Of Time», de Redemption

Executed CD
Morbid Records
Formada por Adriano, baterista de Night In Gales, com amigos como Jan, Jochen e Chris (todos de Hatefactor) e Tom (ex-Coronation), esta banda é uma espécie de escape de death metal ultra-técnico e brutal para todos os elementos envolvidos. Como resultado, temos um disco de estreia – este – onde a única coisa que terá sido tida em conta na composição é a possibilidade de colocar blasts, breaks e riffs de guitarra bem pesados e apertados no mais curto espaço de música. Ainda assim, os temas de «Executed» revelam algum cuidado em termos de equilíbrio musical no death metal de Grind Inc., e acabam por denotar uma atenção especial da banda em tornar a sua música mais acessível. Imaginem o que seriam os Cannibal Corpse hoje em dia, com a abordagem mais directa de Chris Barnes a puxar para um lado e a veia ultra-técnica do resto da banda a equilibrar por outro lado. É isso que os Grind Inc. Nos permitem imaginar com «Executed», um disco de death metal bem produzido, pesado e técnico q.b., mas com riffs capazes de agradar aos fãs de coisas mais melódicas, sem no entanto entrar por terrenos de melodia sueca. Não se trata de nada revolucionário, mas a simplicidade de ideias da proposta, aliada à execução técnica e composição intrincada, fazem de «Executed» uma peça bem interessante para quem gosta de death metal tradicional. (8/10)
A propósito do novo álbum «Nothing To Lose», que será lançado no dia 29 de Agosto, o guitarrista de Forty Deuce Richie Kotzen revelou recentemente o seu ponto de vista sobre algumas das faixas incluídas no disco.
«Oh My God» é a minha música favorita do CD... adoro as letras... muito típicas em mim... lembro-me de quando compusémos a música na minha casa: o Taka estava a cantar "oh my god, I fucked up again". O Ari, o Taka e eu estávamos a falar sobre estarmos bêbados e todos os erros que cometemos no passado e como nunca aprendemos com os nossos erros. Principalmente em relacionamentos. Nessa noite escrevemos a música juntos. Escreveu-se basicamente sózinha. O Taka e eu partilhamos o trabalho de guitarra e nesta música eu fiz o solo.
«I Still» é uma das músicas mais poderosas do CD e julgo que será a favorita do Ari e do Taka, bem como do Thr3e... é uma excelente música para tocar ao vivo, e o riff é muito bom.
«Start It Up» foi a última música que compusémos para o CD... queria escrever alguma coisa que fosse muito simples mas, ao mesmo tempo, rápido e agressivo. Vamos dar um concerto dentro de duas semanas, e vai ser a primeira vez que vamos tocar esta música ao vivo - espero que o público goste dela tanto quanto nós. Também toquei o solo de guitarra desta...
«Complicated» foi a primeira música composta para Forty Deuce. O Taka tinha a maior parte da guitarra já trabalhada e o Ari e eu escrevemos as letras e depois trabalhámos nas melodias todos juntos. Depois de gravarmos esta música percebemos que tinhamos uma coisa porreira ali, e depois compusémos a «Heaven» e a «Standing in the Rain».
«Say» é uma música que temos usado como abertura dos nossos concertos. Começa de uma maneira muito agressiva e acaba por introduzir a energia da banda... até agora tem funcionado muito bem.
«Heaven» é uma faixa única. Não existem muitas músicas de rock com estes tempos. É a segunda música alguma vez composta por Fourty Deuce. Lembro-me de estar no átrio do Headroom Studio a cantar aquela melodia do refrão e isso inspirou-nos imenso para acabarmos a música. Tal como na «Complicated», o Taka já tinha o riff principal feito e foi daí que partimos. Adoro o que o Taka toco no solo de guitarra deste música... memorável!
«Stand Up» foi composta algures a meio da gravação do disco... queríamos ter uma música positiva que contivesse um pouco de esperança nas letras... muito do nosso material em termos de letras é negro ou agressivo, e esta música acaba por resultar numa das faixas mais positivas.
«Next to Me» foi escrita mais ou menos na mesma altura que a «Start it Up»... tinha o riff e toquei-o para os tipos e toda a gente gostou, por isso começámos com ele... toco guitarra-solo nesta música também.
«Standing in the Rain» é de longe a melhor música em mid-tempo do álbum, na minha opinião. Acho que é uma faixa muito bonita, de uma forma muito negra... o Taka apareceu com a maior parte da música já pronta e algumas melodias... eu sugeri algumas ideias para as linhas melódias, e o Ari e eu compusémos as letras juntamente com o Taka.
«Wanted» contém uma das sonoridades mais mainstream do CD... é sobre alguém que muda para ter sucesso mas acaba por deixar alguém para trás no meio do processo... é uma espécie de música triste, suponho... esta normalmente tem uma boa reacção ao vivo.
«Nothing to Lose» é a balada oficial do CD... acho que é sempre preciso uma em cada disco... acho que a música tem muito de mim, principalmente nas mudanças de tom e nas melodias... é um pouco leve quando comparada com o resto do CD, mas acho que é excelente para fechar. Também fizémos a introdução do CD a partir desta música, por isso acaba por funcionar como uma espécie de capa e contracapa para o disco de Forty Deuce. Em termos gerais acho que fizémos um excelente álbum... temos uma sonoridade muito própria, devido ao facto do Ari, do Taka e de mim próprio escrevermos tudo em conjunto... é espantoso fazer parte de uma nova banda desde o seu início... espero que tenhamos possibilidade de entrarmos em digressão em breve!
Depois da genialidade do disco de estreia «Symmetric In Design», era uma questão de tempo até os novos deuses suecos do metal melódico Scar Symmetry chegarem a uma editora grande. A notícia chegou ontem: os Scar Symmetry são a nova banda da gigante alemã Nuclear Blast. Um novo disco deverá ser editado em 2006.
O Festival Alta Tensão de Amarante, que acontece no dia 16 de Julho próximo a partir das 16.00h, vai contar com actuações de Tarantula, Re:actor, ThanatoSchizO, Painstruck, Shrapnel, Pitch Black e Morbius.
A web-zine brasileira Psychosis Death foi sugeita recentemente a mais uma actualização, e conta agora com novas entrevistas a bandas como Facada e Executer, bem como novas críticas. Vejam-na aqui.
O quarteto americano Pharaoh, liderado pelo vocalista Tim Aymar (Control Denied), está a terminar as gravações do seu segundo álbum, no MCR Studio, com produção de Matt Crooks (Twisted Tower Dire, Division) e do guitarrista da banda Matt Johnsen. O disco vai chamar-se «The Longest Nigth», e deverá sair no Outono pela Cruz Del Sur Music. A capa vai ficar a cargo de Jean-Pascal Fournier (Immortal, Edguy).
- Segle XIII, Oddness e Ethereal ao vivo na Associação de Músicos de Faro (Faro) - 21.00h
- Grog, Namek, Brutal Orgasmo, Necrose, Underneath, The Ladder, Theyweregunshots, W.A.K.O. e Monogono ao vivo no Marrafas Bar, em Pé de Cão (Torrres Novas) - 21.15h
- Payasos Dopados, An X Tasy e Dive ao vivo no Teodósios Bar, em Guia - 22.00h
- Warm-Up Party do Power MetalFest 2005 n'O Culto Bar, em Cacilhas (Almada) - 22.30h
- Chemistery e The Plot ao vivo no Rock House Café (Alenquer) - 23.00h

Day Of Reckoning CD
Century Media/Mastertrax/Recital
O sucesso do metalcore praticado pelos americanos Diecast no último disco «Tearing Down Your Blue Skies» é o principal motivo para esta reedição do trabalho de 2001, originalmente lançado pela Now Or Never Records e que supostamente nunca teve uma distribuição decente na Europa. Pois bem... tudo o que os fãs do estilo gostaram no mais recente disco está em plena fase de desenvolvimento em «Day Of Reckoning» como diz o press-release, mas já é possível perceber porque haveriam os Diecast de se tornar uma banda tão influente na comunidade metalcore três anos depois. Os riffs simples e eficazes, de duas guitarras, juntamente com uma secção rítimica mais que sólida e energética e a abordagem vocal tridimensional de Colin Schleifer, que alterna um estilo de vocalizações muito hardcore nova-iorquino com linhas melódicas dignas de figurarem no próximo álbum de Soilwork. O resultado é um disco de metalcore afogado em energia dinâmica e com uma variação musical que não é normal ouvir no estilo hoje em dia. Para além de tecnicamente competentes, os Diecast fazem questão de serem muito cuidadosos em termos de composição, revelando uma dieta de talento constituída basicamente por um menu de hardocre nova-iorquino, metal sueco e bandas influentes americanas como Fear Factory ou Machine Head. O resultado é possivelmente uma das explicações para o sucesso recente do metalcore, num disco que tem tudo para dar a volta à cabeça dos fãs do estilo e fazer compreender a quem não gosta de metalcore qual a essência da mistura que promete mudar, outra vez, a face do metal e do hardcore. (8/10)
A Frontiers Records disponibilizou online quatro samples do disco a solo de Philip Bardowell, «In The Cut», que foi produzido por Tommy Denander, com composições de nomes como Jim Peterik, Bobby Barth, Mark Spiro e Stan Bush. Encontrem-nos aqui, aqui, aqui e aqui.
«Shadows Are Security», o novo álbum de As I Lay Dying, entrou directamente para o 35.º lugar do top de vendas americano da Billboard a semana passada, com a impressionante quantia de 33.142 discos vendidos nessa semana em território americano.
A digressão Blitzkrieg 3 Europe, que junta na estrada Vader, Anorexia Nervosa e Rotting Christ, vai passar por Portugal. A data portuguesa acontece no dia 8 de Outubro, no Centro Cultural de Santo André, em Mangualde.
Os noruegueses Dimmu Borgir divulgaram em comunicado que dizem que não contam preencher o lugar vago de baterista com um membro permanente, pelos menos nos próximos tempos. Por enquanto, Tony Laureano, de Nile, vai ser o baterista de serviço, nomeadamente nos quatro festivais em que a banda vai tocar este Verão (Fury Fest, Tuska Festival, Earthshaker e Gates of Metal). O álbum deverá ser gravado por Hellhammer, de Mayhem. A composição para o novo disco deverá começar em Agosto ou Setembro, para um lançamento que não deverá acontecer antes da segunda metade de 2006. Para já, os Dimmu Borgir estão concentrados na regravação do álbum «Stormblast», de 1996, com Peter Tägtgren, nos Abyss Studios. Hellhammer também está a gravar a bateria deste disco. O lançamento está previsto para o final do ano, num trabalho que deverá conter muitos extras, incluindo algum material inédito.
Os Absolute Steel, mestres noruegueses de 'true' metal, assinaram um contrato discográfico com a Black Lotus Records. «Womanizer», o segundo disco da banda, vai já fazer parte deste contrato, e sair no Outono pela editora grega. Depois disso, a Black Lotus deverá também reeditar o álbum de estreia da banda, «The Fair Bitch Project», totalmente remasterizado.
No dia 15 de Julho a editora Blood & Iron organiza o seu primeiro festival em Cascais, no Lótus Bar. Vai contar com actuações das bandas Blacksunrise e Dawnrider e ainda com a animação de um DJ para uma after-party stoner. A entrada custará Eur 5,00 e o evento começa às 22.30h.
O novo álbum dos americanos Slough Feg vai ter uma edição em vinil a sair no próximo mês pela Forest Moon Special Products. Encomendem a vossa cópia directamente no site desta nova editora americana.
- Blasted Mechanism, Clawfinger, Grave, Morbid Angel e Entombed e Unleashed ao vivo no Festival do Ermal, em Vieira do Minho - 17.00h
- Segle XIII e Ethereal ao vivo na Oficina do Cais (Montijo) - 22.00h
- Process Of Guilt, Probation e Seven Stitche ao vivo no Rock House Café (Alenquer) - 23.00h
- Solid Impact, Dash e Loss Spectra Of Pure ao vivo no Colinas Club - 23.00h

External Frames Of Reference CD
Metal Blade Records/Recital
Uma jovem banda americana a estrear-se na Metal Blade, nos dias de hoje, costuma significar ‘metalcore’. É precisamente isso que aqui temos para criticar hoje. «External Frames Of Reference» mistura doses mais ou menos iguais de thrash metal moderno, death metal sueco e hardcore nova-iorquino, numa sopa interpretada com muita energia e entusiasmo, que acaba por disfarçar mal a falta de originalidade que o disco revela. De um modo sucinto, há energia, peso e vitalidade em «External Frames Of Reference», mas falta-lhe basicamente um elemento qualquer que separe os The Red Death da quantidade invulgarmente grande de bandas deste género que tem surgido do outro lado do Atlântico ultimamente – inclusivamente editadas pela própria Metal Blade. Nada contra a receita musical deste grupo, que em termos genéricos só peca por alguma falta de tridimensionalidade e variação vocal; o problema é que os The Red Death não se esforçam nem um bocadinho para fazer nada de diferente do que aquilo que os parâmetros da cena metalcore ditam actualmente, e o disco acaba por soar a gasto, mesmo antes da primeira audição ter terminado. Apesar dos esforços da banda para variar os ritmos, apesar de alguns solos de guitarra mais melódicos e bem conseguidos, apesar de uma produção bastante aceitável. Assim que estes cinco jovens decidirem fazer algo de diferente, com o talento e técnica que deixam antever nestes 10 temas, teremos com certeza aqui uma banda a ter em conta. «External Frames Of Reference», infelizmente, não passa de um cartão de visita que, apesar de novo, soa a gasto e usado. (6/10)
Os Symphorce terminaram as gravações do seu próximo álbum de originais, que vai chamar-se «GodSpeed», e que foi produzido por Dennis Ward (Pink Cream 69, Angra) no House Of Music Studio, em Winterbach, na Alemanha. O disco vai ser lançado pela Metal Blade no dia 5 de Setembro. Na próxima semana Achin Köhler (Brainstorm) começa a trabalhar na masterização do álbum. A capa foi desenhada por Travis Smith, conhecido pelo seu trabalho para bandas como Iced Earth e Nevermore. «GodSpeed» vai ter uma primeira edição limitada, com um DVD-bónus que inclui filmagens de concertos e bastidores e um vídeo-clip do tema «Cause for Laughter».
Os americanos Widow, que combinam heavy metal clássico com death metal, preparam-se para editar o seu segundo disco, «On Fire», na Europa já em Setembro, através da Cruz Del Sur Music. Já disponível há algum tempo no Japão e com lançamento esta semana nos Estados Unidos, «On Fire» sucede à estreia da banda, «Midnight Strikes», e promete aumentar a popularidade dos Widow por terras europeias.
Os Opus Draconis começaram já o processo de composição das músicas que farão parte do próximo álbum de originais.
Depois do enorme sucesso que foi o download exclusivo da faixa «The Place in your Heart», do próximo álbum de Journey, por parte dos assinantes da newsletter da Frontiers, o servidor da editora não aguentou tantos acessos e foi abaixo. Agora está de novo a funcionar e, como compensação para quem não conseguiu fazer o download da faixa, a Frontiers colocou online um novo sampler do disco, desta vez do tema «Faith in the Heartland».
Os americanos Spock's Beard estão a preparar a edição de um novo álbum, que será duplo, e estarão na Europa no mês de Outubro para uma digressão.
- Akkolyte, Payasos Dopados, Rent A Life, Dive, Kontrattack, Punk Com Manteiga, (the) Highest Cost e Your Mother And I ao vivo no Satori Bar, em Querença (Loulé) - 22.00h
- Process Of Guilt ao vivo na Feira de São João (Évora) - 23.00h
- The SymphOnix ao vivo nas Festas da Vila do Lordelo, em Lordelo

The Dominant CD
Morbid Records
Depois de 11 anos de carreira, os noruegueses Criterion chegam aqui, finalmente, ao seu álbum de estreia. A culpa destes 10 anos no undergrund a lançar demos, à media de uma de três em três anos, é certamente do facto do quarteto não tocar nenhuma espécie vanguardista ou old-school de black metal, e ter enveredado por um som mais tradicional de... death metal. Assim, e só depois de nomes mais sonantes como Blood Red Throne ou Myrkskog terem despontado na cena norueguesa é que os Criterion têm a sua oportunidade. «The Dominant» demonstra uma banda muito bem oleada em termos técnicos e de composição, que deixará os fãs e bandas mais conservadoras como Krabathor e Cannibal Corpse perfeitamente espantados com os níveis de perfeição que vão encontrar neste álbum que, afinal, e apesar de terem passado 10 anos, é de estreia. Ainda assim, o problema de Criterion é não porem o pé em ramo verde. Apesar da produção de Ram-Zeth acrescentar à música do grupo alguma profundidade (e uns tímidos teclados que despontam de vez em quanto), os Criterion não têm qualquer vontade de apresentar nada de revolucionário com os nove temas de «The Dominant» e, apesar de ficar no ar um cheiro a talento inconfundível, é aflitivo ver como a banda se recusa a pisar para além da linha vermelha que marca os limites do death metal técnico e pesado americano. Em termos puramente interpretativos, este é um disco sem mácula, com uma boa produção e temas que agradarão ao mais exigente fã do estilo. Num ponto de vista mais artístico, «The Dominant» parece ficar a meio daquilo que poderia ser. Esperemos que o próximo não fique. (6/10)
A Frontiers Records colocou online um sampler do tema «Wich for a Miracle», que vai fazer parte do álbum «The Battle» que junta os vocalistas Jorn Lande (Masterplan) e Russell Allen (Symphony X), com edição marcada para dia 19 de Setembro. Escutem-no aqui.
A LifeForce Records colocou na net novos temas de Caliban, Heaven Shall Burn e Fear My Thoughts disponíveis para dowload gratuito. Saquem-nos aqui.
Eis a programação actualizada do Rock House Café, de Alenquer, para o resto do mês de Junho e para o mês de Julho:
24.06 - Final do Rock ao Rubro II: Probation, Seven Stitches e Process Of Guilt
25.06 - The Plot e Chemistery
01.07 - Dark Ritual Fest II: Desire, Enchantya e Inherself
02.07 - Dark Ritual Fest II: Theriomorphic, Waco e Stuprum Dei
08.07 - Slot Machine
09.07 - Noctívagus e The Dead Poets
15.07 - Vortex e Probation
16.07 - Dispatch Note, Fireball e Teatrum
22.06 - Divine Lust e Masque Of Innocence
23.06 - Forgotten Suns
O novo website da banda holandesa de death metal Desensitised já está online. Visitem-no aqui.
A Revisited Records, sub-editora da InsideOut Music, continua durante este mês de Junho a série de reedições de Klaus Schulze, com o lançamento de álbuns como «Audentity», «Body Love», «Dune» e «Mediterranean Pads». Entretanto, a série de reedições de Kraan foi adiada, e os três primeiros discos da série, «Wiederhören», «Nachtfahrt» e «Live 88» sairão apenas no dia 18 de Julho. O inglês Paul Gurvitz, membro de bandas como The Gun, Baker Gurvitz Army e Three Man Army, vai ser o alvo seguinte da Revisited Records, com reedições de «Live», de Baker Gurvitz Army, «3» de Three Man Army e «Rated PG», disco a solo de Paul. As reedições de Amon Düül II foram adiadas para data a definir.

Winter Enclosure CD
Candlelight Records/Plastic Head/SPV
Até este álbum de estreia, as coisas parecem ter sido muito rápidas para as cinco raparigas norueguesas que fazem parte de Octavia. Em 2000 a ideia surgiu a duas amigas e, cinco anos depois, ei-las com o primeiro álbum na mão, editado por uma das maiores empresas discográficas inglesas de heavy metal, gravado por Herbrand Larsen e Arve Isdalk (de Enslaved e Audrey Horne) e com partes de piano e guitarra gravadas no Greghallen com Pytten. Tirando a particularidade de ser uma banda inteiramente feminina, no entanto, existe muito pouco em «Winter Enclosure» que justifique esta ascensão quase meteórica. O metal de Octavia é, seguindo o que o título do disco sugere, algo introspectivo e com muitas ligações ao estilo gótico, mas não cria ambientes nem melodias que entusiasmem por aí além. Excepção feita ao tema «Hunting Eye», em que as Octavia conseguem criar um tema verdadeiramente emotivo e belo, as músicas deste disco arrastam-se por meios-tempos rítmicos sem alma, o peso nunca assume as proporções que duas guitarras deixariam adivinhar e as harmonias vocais de Silje são quase sempre desprovidas de qualquer sentimento, apesar do tom bem coladinho a The Gathering. Do dramatismo apregoado no press-release não existe nem sinal e se, na maior parte da música de «Winter Enclosure», os teclados ganham uma preponderância quase capital, seria de esperar um trabalho mais cuidado e um maior virtuosismo na abordagem musical deste instrumento. Em suma, falta ainda muito para que o quinteto de norueguesas possa responder adequadamente às expectativas criadas, quer pela sua editora, quer por si próprias. Esperemos que a evolução comece já no próximo disco. (5/10)
Quem apanha na parabólica o canal 3Sat vai poder ver no dia 20 de Agosto, um sábado, de madrugada, um especial sobre a banda de rock progressivo alemã RPWL, que incluirá excertos do concerto da banda no Rockapalast.
As norueguesas Octavia vão ser as convidadas especiais dos Cradle Of Filth na digressão inglesa que a banda vai fazer na primeira quinzena de Dezembro.
Os Seven Stitches actuam na próxima sexta-feira, dia 24 de Junho, na final do Concurso Rock ao Rubro II, no Rock House, em Alenquer, juntamente com Process Of Guilt e Probation. Depois, no dia 3 de Julho, os Seven Stitches tocam ao vivo na Concentração Motard de Melides.

No dia 1 de Julho o Ribeirinha Bar, que na Ribeira do Porto, recebe os Solid Impact e Loss Spectra Of Pure em concerto, a partir das 22.00h. A entrada custará Eur 3,00.
- Stalker Vitki ao vivo no Santiago Alquimista (Lisboa) - 22.00h
- Edição de «Succumbra», de Vanguard

Room V CD
InsideOut Music/SPV/Mastertrax/Recital
Devo admitir a minha apreensão perante este regresso dos americanos Shadow Gallery ao conceito de «Tyranny», sete anos depois da edição do disco original, e com toda a expectativa criada à volta deste disco. Felizmente, a banda de Gary Wehrkamp e Mike Baker tem experiência suficiente para sair desta situação com um disco que não apenas confirma o estatuto dos Shadow Gallery como um dos principais grupos americanos de metal progressivo como constitui um dos mehores discos do estilo editados este ano. O grupo usa uma classe quase intemporal na composição dos 14 temas que formam as partes III e IV do conceito iniciado em 1998 com o álbum «Tyranny», e apresenta um metal progressivo contemporâneo, mais aberto em termos de influências e mais próximo do hard-rock de uns Rush ou Enchant do que a banda alguma vez esteve no passado. O conceito do disco permite a «Room V» dispôr da variação necessária para que os Shadow Gallery mostrem toda a sua classe, quer seja nos ambientes muito próximos de Pink Floyd a que a banda gosta de recorrer sempre que pode, ou nos ritmos complexos que nunca perdem de vista a essência da música e que fazem lembrar os mehores tempos de Fates Warning. «Comfort Me», a abrir o disco, chega a reeditar o dueto vocal de Mike Baker com Laura Jaeger do álbum «The Moon Revisited», e deixa os mais acérrimos fãs de Shadow Gallery à espera de tudo deste disco. E é isso que «Room V» nos dá: tudo o que os Shadows Gallery são capazes de fazer, no seu melhor momento de forma, cruzando uma energia incontida com o amadurecimento de músicos dotados. Tirando a melancolia quase emocionante de «Torn», é em «Rain», o tema que fecha o disco, que os Shadow Gallery nos oferecem alguma da melhor inspiração deste álbum, com um dos leads de guitarra mais felizes da cena progressiva de sempre. Agora que se pode olhar para os Pink Floyd com a distância que o tempo nos permite ter, é bom ter uma banda como os Shadow Gallery, com as influências certas nos sítios certos, a chegar a este grau de maturidade e a fazer um álbum cheio de classe, talento e pujança artística como «Room V». (9/10)
Os doomsters nacionais Process Of Guilt vão ter uma semana muito agitada em termos de concertos. No dia 23, quinta-feira, actuam ao vivo na Feira de São João, em Évora, a partir das 23.00h. No dia seguinte, sexta-feira é a vez dos Process Of Guilt subirem ao palco do Rock House Café, em Alenquer, também a partir das 23.00h, para a final do concurso Rock ao Rubro II./
Eis a agenda para esta semana do TocSin Club, que fica na Rua da Atalaia, no Bairro Alto (Lisboa).
22.06 - Noite old-school goth com DJ's Pé e Pierre Dumond
23.06 - Noite 80's (dos anos 40 aos anos 80) com DJ's Lu e Mia
24.06 - Noite metal com DJ Conqueror
25.06 - Noite gótico/electro/industrial/80's com DJ's Lady Starlight e Iggdrasil

No dia 24 de Junho, sexta-feira, os Solid Impact, Dash e Loss Spectra Of Pure actuam ao vivo no Colinas Club, em Branca, Albergaria-a-Velha (próximo da N1). A entrada custa Eur 2,50 e dá direito a uma bebida. A primeira banda começa a tocar às 23.00h.
Os suecos Pain Of Salvation voltam à estrada no final do Verão e no Outono. Para já, estão confirmados concertos em Setembro na Alemanha e o estatuto de cabeças-de-cartaz do festival ProgPower Europe, que decorre em Baarlo, na Holanda, no dia 2 de Outubro.
- Edição de «Shadows Are Security», de As I Lay Dying
- Edição de «Issue VI», de Dew Scented
- Edição de «Demons», de Spiritual Beggars
- Edição de «The Comatose Quandaries», de In-Quest
- Edição de «Black Nails And Bloody Wrists», de As We Fight

Recipe For Disaster CD
Century Media/Mastertrax/Recital
Existe alguma coisa no sul dos Estados Unidos difícil de explicar, mas que é definitivamente palpável na arte que emana das pessoas que cresceram lá, e que vivem lá. Quem aprecia o rock sulista de uns Molly Hatchet ou mesmo o sludge mórbido e insano de Beaten Back To Pure sabe ao que me refiro. Os Brand New Sin aplicam o conceito ao hard rock, e criam a etiqueta de ‘hard rock sulista’ que lhes vi ficar colada, provavelmente, até ao final da sua carreira. O hard rock sulista do quinteto distingue-se do outro hard rock primeiro pelo peso a mais que ostenta, com duas guitarras a tirarem partido de todo o seu potencial; segundo pela produção do disco, que é directa, crua e visceral, sem deixar perder, no entanto, nada do que se vai passando nos instrumentos da banda; por fim, a voz de Joe Altier, que é uma voz de HOMEM a cantar hard rock, o que não se vê muito neste estilo de música, tirando Black Label Society e umas quantas outras bandas. «Recipe For Disaster» vai, ao longo de 13 faixas, tirando partido destas diferenças, com riffs fortes, orelhudos e bem ligados à terra, solos onde se nota que o Sul não está morto e uma sólida abordagem rítmica. Até a balada de serviço ao disco, «Once in a Lifetime» soa sólida como uma camião interestadual a atravessar o Texas numa estrada deserta à noite, sob uma lua-espia.Fazia falta ao hard rock esta visão simplista do estilo, que no entanto não é música de carro, e que tem mais na sua essência do que aquilo que deixa adivinhar nas primeiras audições. Ideal para quem gosta do sabor a amargo que as melodias doces de Black Label Society costumam deixar na boca. (8/10)

Considerados um dos mais bem guardados segredos da cena norueguesa, os Emancer são um duo constituído por Mithrin (que toca todos os instrumentos e é a principal força criadora da banda) e Gorbag (vozes), que se arrisca seriamente a ser a banda mais vanguardista da Noruega, em termos de Black Metal desta nova geração. Na sua música cabem ritmos electrónicos, passagens acústicas e vocalizações épicas, melódicas e limpas, para além de um black metal com o típico sabor norueguês. Há Emperor, Limbonic Art e Mithras em Emancer, mas também há uma boa dose de... Emancer. A propósito do novo disco – o quarto de originais - «The Menace Within», acabado de editar, falámos com Mithrin sobre esta ameaça à estagnação do metal europeu que dá pelo nome de Emancer.Texto: Fernando Reis
À medida que vocês evoluem, a diferença entre os vossos álbuns começa a não ser assim tão grande, e o espaço para a evolução começa a ser mais curto. Qual achas que é a maior evolução que vocês apresentam no «The Menace Within», quando comparado com os vossos álbuns anteriores?
Acho que as diferenças entre os três primeiros discos foram enormes, mas o «The Menace Within» é uma espécie de continuação do álbum «Invisible». Eu fiquei muito satisfeito com o «Invisible», mas senti que havia mais a explorar com esse disco. Tinha muitas ideias sobre como desenvolver aquele estilo de músicas. Mais importante, queria fazê-las de um modo mais poderoso e com ideias mais claras de onde as músicas deviam ir – com uma ideia mais clara de ‘linha vermelha’ nas músicas. Acho que depois de alguns álbuns de experimentação em que se testam coisas diferentes acabas por encontrar algo que te define, por isso as diferenças entre os discos ficam mais ténues. Mas não vai existir estagnação em qualquer um dos meus futuros álbuns. Tenho necessidade de ser criativo. Não lanço um disco até estar totalmente satisfeito com ele.
Então calculo que estejas totalmente satisfeito, tanto em termos de produção como artísticos, com este disco. É o teu melhor álbum de sempre?
A ambas as questões: SIM! Também estou satisfeito com os outros álbuns, mas este está 100% da maneira que eu imaginava que iria ficar antes de o começar a fazer. É claro que se quer sempre uma produção melhor – ou seja, gravar num estúdio mais caro – mas esta é suficientemente boa para apresentar a música de uma maneira que eu gosto. A capa e o booklet são excelentes e, também eles, resultaram da maneira que eu tinha em mente.
Tu usaste quase todos os ex-elementos da banda como convidados para gravar este disco. Porque é que eles já não estão na banda, se continuas a usá-los para as gravações e para os concertos ao vivo?
Neste momento, a banda para concertos está inactiva. Tentámos operar com ela algumas vezes, mas não funcionava assim tão bem. A razão pela qual sou apenas eu e o Gorbag os ‘membros’ da banda é que eu sou a principal força criativa por detrás de Emancer. Eu escrevo e gravo toda a música sózinho. As vocalizações do Gorbag são uma parte importante do som de Emancer também. De certo modo, o Helstein faz agora também parte do grupo, porque a contribuição dele no último disco resultou de uma forma excelente. Quando ao X, ele apenas contribuiu com alguns samples para o «The Menace Within». A bateria no disco é programada, e ele não tem estado muito envolvido com a banda nos últimos anos.
O Helstein foi vosso guitarrista, e agora surge com essa fantástica prestação vocal de que falas. Vocês tinham-se apercebido do talento vocal dele quando ele era guitarrista da banda?
Para dizer a verdade, ele gravou todas as linhas de vozes limpas de todos os discos de Emancer, mas desta vez elas são mais importantes e melódicas. Trabalhámos muito mais nelas do que alguma vez antes, e uma vez que ele tinha escrito grande parte das letras esteve mais envolvido e motivado. Como te disse há pouco, está a tornar-se uma parte cada vez mais importante de Emancer.

Ele e tu foram os principais compositores das letras. Não devia ser o Gorbag – vocalista principal da banda – a tratar desse assunto?
O Gorbag nunca escreveu letras. Eu escrevi todas as letras dos três primeiros álbuns, mas desta vez senti que não tinha inspiração para escrever tudo. Por isso pedi ao Helstein para escrever algumas letras, sabendo que ele tem muita coisa criativa na cabeça, e ele fez um excelente trabalho. Acho que está na mesma onda, mas tem um estilo totalmente diferente de escrever, por isso foi óptimo. Ajudou também a variar um pouco as vocalizações, dado que foram arranjadas por mim, pelo Gorbag e pelo Helstein em conjunto. Antes eu arranjava todas as vocalizações sózinho. Novas influências são definitivamente importantes.
Tu usas muitas partes distintas e muitas influências diferentes em cada uma das tuas músicas. Tens um método de composição para as tuas músicas, ou as coisas surgem-te naturalmente?
Não existe um padrão pré-definido de composição quando eu escrevo uma música. Normalmente começo com uma ideia para o início e progressivamente vou desenvolvendo a música. Tenho sempre muitos riffs, partes e arranjos que quero usar de uma maneira especial ainda antes de existir uma música ‘à volta’ dessas partes. Por isso experimento esses pedaços e partes e normalmente novas ideias começam a surgir à medida que a música começa a tomar forma. Tento sempre gravar o que vou trabalhando, para que possa julgar o trabalho de uma forma mais fácil. Muitas vezes gravo uma versão muito primária de uma nova música e deixo-a ficar durante uns dias, para que possa voltar a ela e ouvi-la com uma mente mais aberta e depois modifico-a na medida do necessário antes de começar uma gravação ‘a sério’.
Tu usas muitas partes simples nas tuas músicas também, com a bateria quase sózinha ou interlúdios de guitarra acústica. Vês esta abordagem como algo que pode tornar-se uma imagem de marca de Emancer, ou este tipo de coisas podem nem sequer já fazer parte do próximo disco?
Acho que a interacção entre partes cruas e melódicas é muito importante para tornar as músicas e os álbuns mais dinâmicos. Usar contrastes para melhorar o resultado de partes diferentes da música é algo que me agrada muito fazer, por isso não vejo as partes mais melódicas desaparecerem da música de Emancer num futuro próximo. Mas existem sempre, é claro, maneiras diferentes de fazê-lo e, como te disse há pouco, não tenho qualquer padrão pré-definido de composição, por isso apenas com o tempo posso ver como as novas músicas se vão desenvolver.
Tu usaste uma melodia do filme Last Ninja 2 numa das tuas faixas, e mencionas o facto no booklet. Porque decidiste usar essa melodia?
Para dizer a verdade, não é um filme. É um jogo de computador do velhinho Commodore 64. Muita da música feita para esse computador me espanta, porque apesar de ser uma ferramenta muito simples alguns dos compositores conseguiram criar uma atmosfera fantástica com ela. Essa melodia específica é muito boa, e encaixava nas partes de coros da música. A transição das vocalizações limpas do Helstein para essa melodia e depois para os gritos finais do Gorbag com a composição sinfónica é simplesmente perfeita. Tenho muito orgulho nessa música.
A maior parte das bandas que ‘pedem emprestadas’ coisas desse género acabam por não revelá-lo, quer por receio de chamarem a atenção do dono dos direitos, quer também porque têm medo de criar suspeições na comunidade metaleira em relação aos seus gostos. Não te ocorreram estes dois temores?
Não tenho qualquer receio de processos legais ou qualquer coisa do género. Os donos originais teriam que passar por muito para conseguir muito pouco no fim, por isso não creio que existam problemas. Acho que é justo mencionar o compositor original quando se usam coisas de outros, e não me importa o que as pessoas possam pensar do meu gosto musical. De qualquer modo, quem me conhece chama-me “esquizofrénico musical”. Basicamente, ouço tudo o que me chama a atenção, me interessa ou me espanta de qualquer modo possível, sem ligar a estilos musicais.
Vocês dedicam a faixa «Reclamation of Merciless January» ao falecido Terje Bakken. A morte dele tocou-vos particularmente, ou foi principalmente a maneira como morreu?
O Terje Bakken foi o fundador de Windir, que foi a primeira banda de metal extremo da nossa região da Noruega a fazer demos e, mais tarde, álbuns. Desse modo, ele foi uma inspiração para mim, que me fez começar a minha própria banda, e encontrei-o algumas vezes. Também tocámos a abrir para Windir em dois concertos em 2003. A música dele era excelente e ele era um génio a criar atmosferas. Por isso sim, tocou-me particularmente e decidimos dedicar-lhe esta música. Acho que a música tem uma espécie de toque ‘à Windir’, por isso acaba por mostrar também como ele me influenciou em termos de composição.
Vocês provêm de uma pequena aldeia na parte Oeste a Noruega. Esse facto tem algum impacto, de alguma forma, na forma como a vossa música é feita ou nas vossas letras?
É uma questão complicada. Acredito que tudo o que te rodeia quando tu cresces afecta a personalidade que desenvolves, que acaba por afectar, por sua vez, a música que fazes. Por isso, de certo modo, crescer numa pequena aldeia no campo na Noruega provavelmente afectou a minha música.
Vocês vão tocar ao vivo para promover este disco?
Neste momento a banda para concertos está inactiva. Esperamos colocá-la a funcionar algures no futuro, mas não existem planos. O tempo dirá...
Este é o primeiro disco que vocês editam na mesma editora que lançou o disco anterior. Presumo que estejam contentes com o trabalho da Golden Lake Productions...
Sim, para uma editora deste tamanho eles fazem um bom trabalho. A promoção, especialmente na Europa central, é boa e a grande rede de contactos que eles têm tornou fácil a decisão de ficar com eles para este disco.

O concerto dos britânicos Cancer em Portugal, no próximo dia 29, sofreu uma alteração de cartaz. Assim, em vez dos Abyfs, as bandas que actuarão na primeira parte serão os Solid Impact e Loss Spectra Of Pure. A noite terá ainda a animação musical do DJ André Matos, da revista Blast. O início das festividades está previsto para as 21.00h e a antreada custa Eur 7,00.
Amanhã, dia 21 de Junho, o projecto experimental Stalker Vitki celebra o solstício com um espectáculo no Santiago Alquimista, de Lisboa (Rua de Santiago, n.º 19), a partir das 22.00h. A selecção musical estará a cargo da Equilibrium Music e da Dagaz Music. A entrada custará Eur 5,00.
Os transilvanos Negura Bunget estão a trabalhar a todo o gás no seu próximo disco, chamado «Om». As gravações estão prestes a começar, vão decorrer no estúdio da banda, e deverão estar terminadas em Agosto. Vai haver uma edição limitada do disco com um DVD, que incluirá um vídeo-clip de um dos temas do álbum, filmagens de concertos de Negura Bunget, uma galeria multimedia, entrevistas, um making-of e vários outros extras. Em Outubro e Novembro a banda vai andar na estrada pela Europa fora.
Os Dragonlord - banda liderada pelo guitarrista de Testament Eric Peterson - estão a terminar as gravações no seu novo álbum, «Black Wings Of Destiny», que foi produzido por Fredrik Nordström (Hammerfall, In Flames, Dimmu Borgir, Spiritual Beggars, etc). Nordström estará neste momento a fazer a mistura do álbum. «Black Wings Of Destiny» tem data de lançamento prevista para 26 de Setembro.
Já está nas bancas a 8.ª edição da revista Blast. Este número conta com entrevistas a Decapitated, Evergrey, Evadne, Suhrin, Assemblage 23, Black Witchery, Destiny, Purgatory, Gloomy Grim, Hemingborg e Occult, bem como Ramp, Arte Sacra, Dead Meat, Lux Ferre, Morte Incandescente, InThyFlesh e Opus Draconis.
Os portugueses Ramp vão assegurar a primeira parte do concerto de Alice Cooper no Centro Comercial Freeport, de Alcochete, no dia 9 de Julho próximo. No dia anterior a banda de Rui Duarte actuará nas Festas do Concelho do Nordeste, nos Açores, a partir das 22.00h, com entrada gratuita.
Quem apanhar o canal alemão Bibel TV no satélite terá oportunidade de ver um concerto de Neal Morse (ex-Spock's Beard e Transatlantic), gravado durante a digressão do disco «Testimony» em 2003, já no dia 24 de Junho às 19.15h portuguesas.
- Dio ao vivo no Hard Club (Gaia) - 21.00h
- Blacksunrise ao vivo na Feira de S. João (Évora) - 23.30h

North Arise CD
Heavy Horses Records
Apesar de existirem há nove anos na cena alemã, os Nordafrost apenas agora chegam ao seu disco de estreia, mercê de uma ponderada e lenta fase de evolução e maturidade musical que os levou a lançarem a primeira demo, «Dominus Frigoris» (não, não é “O Domínio do Frigorífico”) apenas em 2003. E é precisamente essa demo que está na base de «North Arise», o disco de estreia do trio alemão que hoje vos apresentamos. Com um death/black metal algo típico ao qual os Nordafrost tentam juntar uma componente atmosférica e melódica muito ténue, «North Arise» é constituído por 10 faixas, vocalizadas em inglês, que nunca sobem muito acima da linha de água, quer em termos de originalidade de composição, quer em termos de técnica de interpretação. Os Nordafrost são competentes em propôr bons riffs de guitarra, mas falham algo redondamente em termos melódicos e de estruturação dos temas, sendo que quase todas as faixas têm estruturas semelhantes e, consequentemente, soam de forma semelhante. Assim sendo, e com «North Arise» a não fugir muito ao estilo típico de death/black metal das bandas centro-europeias, arrisca-se a passar ao lado de uma cena que tem mais sítios para onde olhar actualmente, com uma série de novas bandas promissoras a estrearem-se com discos bem melhores que este. (6/10)
A Silentstagnation Records vai editar a versão em vinil do novo álbum de Fear My Thoughts, «Hell Sweet Hell», que deve sair em Agosto ou Setembro. A edição em CD sai pela Lifeforce Records no dia 26 de Julho. Entretanto, é já possível ver um vídeo ao vivo da banda, do tema «The Hourglass», no site da Silentstagnation.
Os americanos King's X delimitaram o mês de Setembro como a meta para a edição do seu novo álbum de originais, após o que deve seguir-se uma digressão.
A Frontiers Records vai dar a conhecer exclusivamente aos leitores da sua newsletter o primeiro sampler do novo disco de Journey, «Generations». O stream de 90 segundos do tema «The Place in the Heart» estará escondido num sítio que será revelado aos assinantes da newsletter no dia 18 de Junho próximo. A subscrição da newsletter da editora italiana é gratuita, e pode ser feita directamente na página oficial.
- Festa Núcleo Metálico, no Estado Líquido Bar (Espinho) - 14.00h
- Dr. Salazar, Ode Odium, Veinless, Lvpercalia, We Were Wolves, Last Hope, 69 Balls, Deadly Mind, Steal Your Crown e Pestox ao vivo n'O Culto Bar - 16.00h
- Insaniae ao vivo na Casa da Juventude das Mercês (Sintra) - 17.00h
- Girls Under Glass e Grendel ao vivo no Hard Club (Gaia) - 21.00h
- WinterMoon e Oblivion Circle ao vivo no Centro Cultural Juvenil Santo Amaro, no Laranjeiro (Almada) - 21.30h
- Prime ao vivo no Jinx Bar, no Bairro Alto (Lisboa) - 22.00h
- Secrecy e Disclosure ao vivo no Santiago Alquimista (Lisboa) - 22.00h
- Nephtys e Sideffects ao vivo no Bar Ar de Rock, em Alcaria (Porto e Mós) - 22.30h
- Drill ao vivo no Bar Drive-In, em Sesimbra - 23.00h
- The Starvan ao vivo na Feira de S. João, em Évora - 23.30h
- The SymphOnix ao vivo no Contemplarte Bar, em Joane
- Dr. Salazar ao vivo n'O Culto Bar (Cacilhas)

What Doesn’t Kill You… CD
Earache Records/Megamúsica
Parece que a vida toda nos passa à frente dos olhos quando pressentimos que vamos morrer. Os norte-americanos Candiria devem ter tido uma experiência semelhante quando a sua carrinha foi vítima de um brutal acidente durante a última digressão e a banda sofreu graves consequências físicas, algumas das quais perduram até hoje. É, por isso, bastante natural que o álbum seguinte a um acontecimento como este seja centrado nesse quase-trágico episódio da vida da banda. Desde a capa ao nome do disco, passando por uma vitalidade renovada insuflada em cada um dos 10 temas originais, «What Doesn’t Kill You...» é, não devem restar grandes dúvidas, o álbum da VIDA dos Candiria. Não é que a banda de Nova Iorque não fosse já exímia na mistura muito própria de metal, hardcore, jazz e até hip-hop que faz. Simplesmente neste disco aparece mais solta, mais energética, mais vital. Mais viva. A música de «What Doesn’t Kill You...» vai a todos os sítios onde a música de Candiria já tinha ido no passado, mas com uma vertente melódica mais marcada, que propicia igualmente momentos de peso mais intensos quando as guitarras são deixadas à solta como, por exemplo, no quase desesperante «1.000 Points Of Ligh». O resto são excelentes momentos de a) Metalcore bem feito com interlúdios rítmicos quase jassísticos - escute-se «Remove Yourself» e tente ficar-se imune; b) Hardcore de fusão melódico; c) Hip-hop subversivo com um baixo corrosivo por baixo (ou por cima, conforme olharem para ele); d) Pura experimentação deliciosa, como no último tema «The Rutherford Experiment»; e) Dois temas captados ao vivo durante a última digressão da banda, e que servem de bónus ao disco. Perante esta variedade, e devido à extrema qualidade técnica e artística que atravessa o disco transversalmente, só há uma conclusão a tirar: o acidente foi o ponto de viragem na carreira musical dos Candiria, e fê-los transformarem-se numa banda de música mais urgente, mais precisa, mais imprevisível e mais fluída. Apenas não tentem, aí em casa, fazer o que eles fizeram para ficarem assim. (9/10)
Os Evergrey entraram directamente para o 1.º lugar do top de vendas de DVD's musicais na Suécia, no final de Maio, com a edição de «One Night To Remember».
Os Assacinicos recrutaram para a sua formação o guitarrista P.A., também de Alien Squad e Injusticed League. Entretanto, a banda de Leiria actua ao vivo no dia 26 de Junho da Feira de S. João, em Évora, a partir das 23.30h. A entrada é gratuita.
Estão finalmente concluídas as gravações do álbum de estreia de Place Vendome, um projecto que conta com o ex-vocalista de Helloween Michael Kiske, com os membros de Pink Cream 69 Dennis Ward, Uwe Reitenauer e Kosta Zafirou e com Gunther Werno de Vanden Plas. O disco tem edição marcada para o dia 10 de Outubro, e já pode ser ouvido um sampler de 90 segundos aqui.
- Dead Poets, Sutzu, Desire, The Firstborn, Enchatya, Call To Power, N.W.F e Eternal Bond ao vivo n'O Culto Bar - 20.00h
- Payasos Dopados, M.A.D., Punk Sinatra e (the) Highest Cost ao vivo no Lotus Bar, em Cascais - 22.00h
- Dr. Salazar, God e Seven Stitches ao vivo no Rock House Café (Alenquer) - 23.00h

Überthrash II 2x7” EP
Duplicate Records
O conceito “Überthrash” foi fundado por três bandas norueguesas – Nocturnal Breed, Audiopain e Infernö – como ‘pacote’ de concertos que, mais tarde, lançou um split-EP com o mesmo título. Agora é a vez deste ‘segundo volume’ do EP ser editado, como promoção de uma segunda vaga de concertos do triunvirato infernal do thrash metal norueguês. O primeiro EP abre com «Scything Harrow», de Nocturnal Breed: um tema de puro ‘fucking’ thrash metal, muito old-school e cheio de riffs rápidos e letais, interrompidos por uma mórbida secção a meio-tempo no meio da faixa. O thrash metal dificilmente pode sor mais destructivo que isto. Os Audiopain, considerados ‘uma das melhores bandas noruegueseas sem contrato’ da actualidade propõem-nos «Psalvation», o mais coeso tema de thrash metal dos quatro aqui apresentados – extremamente rápido e com uma produção bem abrasiva, percorre todos os clichés do estilo sem, no entanto, perder um pingo de frescura ou honestidade. O lado A do segundo EP contém «Sulphurvoid», de Aura Noir; um tema extremamente virado para um riffs vicioso e mórbido, explorado até às últimas consequências num tema com óbvias influências old-school por esta banda de estrelas que recentemente quase perdeu Aggressor numa tentativa de suicídio e que conta com o ‘português’ Blasphemer (de Mayhem) na guitarra, que tem aqui um dos solos mais cromos que já tocou. A honra de fecho do EP cabe a «Metal Commando», de Infernö, uma das mais fundamentalistas bandas de thrash metal da cena norueguesa, e que volta aqui a apresentar a sua imagem de marca: thrash metal alcoólico tão old-school (principalmente a nível de vocalizações) que roça o ridículo, com o factor DIVERTIMENTO bem acima de qualquer outro argumento que a música possa apresentar. Em termos gerais, quatro faixas exclusivas bem feitas para os amantes de thrash metal feito como nos bons velhos dias, numa edição limitada a 1.000 cópias que promete tornar-se um item de coleccionador tão famoso quanto o primeiro volume. (8/10)
Esta noite acontece, no Cinema Paraíso de Leiria, entre as 22.30h e as 2.00h, mais uma sessão de Gothics Are Dangerous, um DJ set muito especial de Carlos Matos especialmente pensado em quem gosta de música gótica, EBM, industrial, metal e dark-wave...
O concerto de Pitch Black, Panzerfrost e Sick Maniacs que ia acontecer no Centro de Juventude das Caldas da Raínha no dia 9 de Julho, foi cancelado.

O Metal Underworld, que decorre amanhã no Bar Ar De Rock, em Porto de Mós, sofreu uma alteração no cartaz: os Neurotic já não actuam, tendo sido substituídos pelos Sideffects.
Está finalmente deliniado o material que vai fazer parte do novo single de Ayreon, de Arjen Lucassen, chamado «Come Back To Me». Para além do tema-título, que aparace aqui numa versão alternativa, o single vai conter uma música inédita, chamada «Autumn Fire», uma versão dançável (?) de «Come Back to Me» e ainda uma versão do tema «When I'm Sixty-Four», dos Beatles, que Lucassen gravou há 10 anos. Um vídeo do tema-título e um 'making-of' do vídeo, ambos em secção multimédia, completam o single. A primeira edição vai ser lançada em digipack, e conterá um código que vai dar acesso a uma parte exclusiva do site de Ayreon, com downloads, e que estará acessível até ao final de Setembro.
Numa altura em que preparam a internacionalização do seu álbum de estreia, «Shot The Prize», e em que estão prestes a anunciar o nome do novo baterista, os The Starvan vão voltar aos palcos, com um concerto já amanhã na Feira de S. João, em Évora, a partir das 23.00h, com entrada gratuita.
O ex-vocalista de Alias Freddy Curci terminou finalmente o trabalho de composição do álbum do seu projecto a solo Zion, depois de ter composto as últimas músicas em parceria com o guitarrista Jason Hook (Vince Neil, ex-Bulletboys). Freddy deve terminar a gravação do disco no fim do Verão, e o lançamento deverá ser feito no início de 2006.
- Iron Maiden e Dragonforce ao vivo no Pavilhão Atlântico, em Lisboa - 20.30h

Ultimate Darkness CD
Massacre Records/Recital
Pois é. Não é novidade: a Alemanha é um dos países mais entusiastas em relação à cena gótica. E, embora já não sejam um projecto recente – passaram-se 15 anos –, considerados até pioneiros na cena, este sexteto alemão tem vindo ainda a afirmar-se e a procurar alguma repercussão mundial. Não quer dizer que a proposta seja o mais inovadora e impressionante possível, mas coabita alguns predicados dignos de destaque. Ao longo de 12 faixas, o poderio melódico e, aqui, muito mais electrónico, dos Darkseed, transporta-nos para bandas como Him, Paradise Lost, Samael e Sentenced. «Disbeliever», o tema de abertura, enuncia, desde logo, todos os atributos a que estes 48 minutos nos irão submeter, um prenúncio de garra e melodia contagiante - os riffs debitados provocam alguma devastação, nas vocalizações sente-se o pulsar da energia. No entanto, mais importante do que isso é perceber que «Ultimate Darkness» consegue associar muitos clichés e, simultaneamente, esboçar, apesar de fraca, uma condimentada variedade. Faixas como «Save Me», «Follow Me» e «My Burden» reúnem apenas alguns dos refrões delineados por uma solidez apta a tilintar repetitivamente nos nossos ouvidos. «Bitting Cold» transforma-se ainda mais nesse ‘lá lá lá’ irritante que cantarolamos mesmo sem o desejarmos. Todavia, de certa forma, a estética ‘catchy’ está enriquecida por conteúdos, sem serem conceptuais, líricos situados entre uma crítica à sociedade e a opacidade de cada ser humano. Apesar de, ao contrário dos álbuns anteriores, o colectivo ter decidido não colaborar com nenhum músico convidado e o resultado aparentar não ser o mais ambicioso, os solos de guitarra transpiram firmeza e é uma audição agradável. Por último, sobretudo para os fãs, há a referir a edição limitada de «Ultimate Darkness» com um segundo CD envolto em temas inéditos a retratar as diferentes fases do grupo. (8/10)
Lurdes Matos
No advento dos relançamentos (em slipcases, com booklets alargados, som remasterizado, com material-extra, fotos exclusivas e notas dos membros da banda) dos álbuns «Aqua», «Best Of» e «Anthology» (para já) e «Arena», «Aria» e «Archiva I + II» (em Agosto), os Asia colocaram na sua página uma versão inédita do tema «Aqua Pt. 1», gravada ao vivo, para download gratuito.

No dia 25 de Junho acontece no Marrafas Bar, em Pé de Cão (Torres Novas) o No Redemption Fest, que vai contar com actuações de Grog, Namek, Brutal Orgasmo, Necrose, Underneath, The Ladder, Theyweregunshots, W.A.K.O. e Monogono. O início do festival está previsto para as 21.15h, e a entrada custa Eur 5,00, com direito a uma bebida.

No próximo sábado, dia 18 de Junho, os Drill actuam ao vivo no Bar Drive-In, em Sesimbra, na Avenida dos Náufragos. O concerto começa às 23.00h.
Para além da edição partilhada em papel, a Opuskulo é agora tembém editada em forma de blog, para que possa informar mais rigorosa e efectivamente sobre as novidades do metal, punk, hardcore e gótico, com as habituais críticas, entrevistas, reportagens, etc. Visitem-no aqui.
Para além de terem confirmado a sua presença na edição deste ano do Festival da Ilha do Ermal, no dia 24 de Junho, os portugueses Blacksunrise têm um concerto agendado para antes disso, mais precisamente no dia 19 deste mês, um domingo, na Feira de S. João, em Évora, onde devem actuar a partir das 23.30h. A entrada é gratuita.
O aguardado disco ao vivo de Mata-Ratos, gravado em Leiria no passado dia 24 de Abril, vai afinal ser duplo, e tem edição prevista para o mês de Setembro, via Rastilho Records. O segundo CD da edição contém temas ao vivo que NÃO foram gravados nessa ocasião. Entretanto, o concerto de 'baptismo' do novo guitarrista Nuno Loureiro (também de Painstruck) será dado no dia 27 de Agosto, na Concentração Motard de Viseu.
Nos próximos dias 17 e 18 de Junho decorre n'O Culto Bar, em Cacilhas (Almada) um festival com as seguintes bandas:
17.06 (20.00h) - Dead Poets, Sutzu, Desire, The Firstborn, Enchatya, Call To Power, N.W.F e Eternal Bond
18.06 (16.00) - Dr. Salazar, Ode Odium, Veinless, Lvpercalia, We Were Wolves, Last Hope, 69 Balls, Deadly Mind, Steal Your Crown e Pestox
A entrada é livre, mas há consumo mímino de Eur 5,00 para ambos os dias.
A Frontiers Records anunciou que no início de 2006 vai lançar o álbum de estreia de The Mob, uma nova banda de hard rock liderada por Reb Beach (ex-guitarrista de Winger e Dokken e actualmente em Whitesnake), com o teclista Timothy Drury (Whitesnake), o vocalista Doug Pinnick (King's X) e o baixista e vocalista Kelly Keagy (Night Ranger). O grupo está neste momento a terminar as gravações do seu álbum homónimo de estreia, que está a ser produzido por Kip Winger em Nashville, nos Estados Unidos. Kip contribuiu também com alguma composição e arranjos para o disco. Escutem samplers aqui, aqui, aqui e aqui.
- Edição do single «Piece Of Me», de Doomfoxx
- Peste & Sida ao vivo no Fórum Lisboa (Lisboa) - 22.00h

Planets CD
Earache Records/Megamúsica
«Planets» é mais do que um terceiro álbum de Adema - é o álbum da mudança. Aliás, acaba por ser, acima de tudo, uma enorme surpresa. Inaugura três novas etapas na história destes norte-americanos: a mudança de editora, de vocalista e de sonoridade. Mark Chavez II abandonou o grupo que tinha ajudado a colocar nos degraus dos media, graças à sua posição de meio irmão de Jonathan Davis (vocalista de Korn), e ‘cedeu’ lugar a Luke Caraccioli (ex-vocalista de Rewind Yesterday). Note-se que esta mudança provocou uma bombástica abertura de horizontes em termos musicais, já não se limitando ao nu-metal, como foram rotulados, mas a um rock moderno, rico nas mais variadas vertentes musicais. O que realmente se torna fascinante e atraente neste registo é a simplicidade, soberbo carisma e invejável potência com que se reapresentam. «Tornado», o primeiro single a ser retirado do disco, foi o veículo perfeito para abrir portas a uma injecção de energia pronta a satisfazer os fâs. «Planets» e «Remember» conjugam elementos melódicos, quase a título de balada; roçam uma suavidade situada entre uns Tool mais ‘sóbrios’ e uns Staind mais ‘ferozes’,sobretudo na faixa «Shoot the Arrows». Há poucas quebras de ritmo que ajudam a afastar alguma diversidade ao disco mas a conjugação de alguns elementos possantes de «Vikraphone», onde se destacam os longos solos do guitarrista Tim Fluckey, ou «Better Living Through Chemistry» aliam a irreverência necessária para beneficiarem de uma boa mistura. A editora Earache Records parece ter contribuido para os altos níveis de dinamismo e maturidade a que o colectivo, espero eu, pode vir a habituar-nos no futuro. (9/10)
Lurdes Matos & Tiago Oliveira
A agência Espanta Espíritos está a promover um passatempo a propósito do concerto de Peste & Sida hoje no Fórum Lisboa. Quem enviar para o mail da agência uma frase que defina os Peste & Sida, até às 14.00h de hoje, habilita-se a ganhar uma das cinco entradas individuais que estão a concurso.
Eis a programação do TocSin Club para a próxima semana. O TocSin fica no número 172 da Rua da Atalaia, no Bairro Alto, em Lisboa.
15.06 - Rock gothic metal com DJ 'No DJ'
16.06 - Noite vanguarda com DJ Dark Venus
17.06 - Noite metal com DJ Conqueror
18.06 - Gótico/electro/industrial/80's com DJ's Dead DJ e Angelizer
Os suecos Cipher System, que recentemente editaram o álbum «Central Tunnel 8» viram o seu vocalista Henric Carlsson e o baixista Daniel Schöldström abandonarem a banda devido a 'falta de inspiração e chama'. Henric vai dedicar-se, agora a tempo inteiro, à sua outra banda: os Nightrage. O dia 1 de Julho vai ser o último dia dos dois elementos nos Cipher System, com um concerto na Suécia.
Na tarde de sábado, dia 18 de Junho, o Estado Líquido Bar, em Espinho, ao lado da estação ferroviária, tem a sua segunda edição do Núcleo Metálico. Será uma tarde de muito metal extremo a passar nas colunas do bar e bom convívio entre as hostes metaleiras, com o fino Sagres a ser vendido a Eur 0,90 e a garrafa de Super-Bock ao preço de Eur 1,00. A festa começa às 14.00h e termina às 20.00h.
No dia 18 de Junho os WinterMoon e os Oblivion Circle actuam ao vivo no Centro Cultural Juvenil Santo Amaro, conhecido como 'Casa Amarela', que fica no Laranjeiro (Almada). O início dos concertos está marcado para as 21.30h
Quase uma semana depois do lançamento oficial do novo álbum de Royal Hunt, «Paper Blood», nas lojas desde o passado dia 6 de Junho, o teclista e compositor da banda Andre Andersen acedeu a dar-nos uma visão por dentro dos temas do disco, um a um. Eis as palavras do mentor da banda:
«Break The Chains» é sobre a liberdade de escolha - viver a nossa vida ou fingir que a vivemos, atrevermo-nos a fazer efectivamente as coisas em vez de sonharmos com elas, dar aquele primeiro passo que pode realmente mudar a nossa vida e deixar todos os medos para trás. A introdução orquestral é feita numa velocidade W-kick... um grade tema de abertura.
«Not My Kind» é dedicada a uma pessoa que eu não conigo aguentar. Todos nós conhecemos esse tipo de pessoas - fingem ser nossas amigas, andam sempre à nossa volta e apelam à nossa confiança até ao dia em que nos apunhalam pelas costas a sangue frio. Eu sei destas coisas - estou na indústria discográfica. Riffs pesados e negros com algumas grandes harmonias por cima.
«Memory Lane» é como uma viagem nostálgica, quando se olha para fotografias antigas sentado à frente de uma lareira com uma garrafa de vinho... a lembrar sítios e caras...
«Never Give Up» foi a primeira música que escrevi para este álbum. É sobre a situação delicada que eu e o John atravessámos nessa altura - metade da banda tinha partido, a digressão tinha sido cancelada e nós não tinhamos certeza se conseguiamos começar tudo de novo. Mas nessa altura o 'segundo fôlego' tomou conta de nós e dissémos "Que se lixe, isto NÃO nos vai derrubar!". E aqui estamos nós, um ano depois. Esta é uma música tipicamente Royal Hunt: rápida, com muitas partes diferentes. O John está muito bem nesta faixa - grandes tons altos, grandes tons baixos... está tudo aqui.
«Seven Days» é um olhar/comentário sarcástico sobre a religião e a sua exploração. Deus criou o mundo em sete dias, prometeu sete sinais antes de acabar com ele de novo, etc... e depois há um pregador na TV a prometer-nos o Paraíso por um Euro, outro "homem de deus" a prometer o mesmo às pessoas se elas se explodirem, e ainda outro que nos promete o Paraíso no Céu se vivermos o Inferno na terra... a música vai de um ambiente calmo para uma faixa pesada, com tudo o que há pelo meio. O Marcus está excelente nesta faixa, muito articulado.
«SK983» Bem, eu estava a caminho do Japão (no voo da SK 983 da SAS) para fazer um par de workshops de teclados, e queria tocar algo de novo, para além das coisas que normalmente toco nesses eventos. Por isso, basicamente, escrevi tudo num guardanapo durante esse voo de 11 horas! Obrigado à comissária de bordo Patricia por me trazer todo aquele Jack Daniels como... bem, como inspiração.
«Kiss of Faith» é sobre um miúdo infeliz que cresce numa família disfuncional, na parte errada da cidade, sem meios, sem futuro - mas com esperanças. Alguns desses miúdos conseguem ter sorte e iniciar uma vida melhor, mas precisam de uma enorme força de vontade, de muita fé. Dei a esta música um pouco de 'côr do campo' para que soasse mais como o contar de uma história.
«Paper Blood» é sobre o que a nossa vida se tornou - a ganância manda em tudo, e está nas nossas veias. Tudo e todos são medidos em 'ouro'... e nós estamos cada vez mais habituados a isso. Pessoas matam pessoas para venderem os seus corações e pulmões - quão mais baixo pode descer? Musicalmente, mais no lado do 'metal tradicional', mas um pouco distorcido.
«Season's Change» 'ondas de choque' depois de uma longa relação ter terminado. Andas às voltas, a tentar perceber o que se passou de errado, mas a verdade é que aconteceu - e não existe maneira de voltar atrás. O John pare irreal nesta balada.
«Twice Around the World» tem muita variedade - ritmo, teclas, som, sentimento... é quase como viajar à volta do mundo - cada sítio tem o seu 'ambiente'... mas depois de termos gravado esta música (que é algo longa), senti como se a tivesse feito... bem, duas vezes. O meu solo favorito do Marcus está nesta música.
No dia 9 de Julho actuam no Centro de Juventude das Caldas da Raínha, a partir das 21.30h, os Sick Maniacs, Panzerfrost e Pitch Black. A entrada para este evento custa Eur 4,00.
- Cruxshadows, Noctívagus, The Dead Poets e ShallShock ao vivo no Pavilhão Desportivo de Vale de Milhaços (Corroios) - 20.00h

Os Slough Feg, liderados pelo vocalista e guitarrista Mike Scalzi, são um dos exemplos mais usados quando se fala de 'true' heavy metal. A sua abordagem honesta e ligeiramente old-school do heavy metal tradicional de duas guitarras gémeas tem-lhes valido os mais rasgados elogios da imprensa e uma crescente base de fãs com a edição de discos como «Twilight Of The Idols», «Down Among The Deadmen» ou o mais recente «Traveller». Este ano a banda está de volta com «Atavism», um disco que regressa ao mais fundamentalista som heavy-metal de raízes celtas da banda depois das experiências operadas em «Traveller». Mike Scalzi respondeu-nos, por e-mail, a algumas questões sobre o disco e sobre a banda.Texto: Fernando Reis
Entrevistas por e-mail... depois de 10 anos de carreira e cinco álbuns editados, ainda sentes o mesmo entusiasmo a escrever os teus pensamentos num e-mail, às vezes respondendo às mesmas questões vezes incontáveis?
Ahah!! Esse entusiasmo desapareceu há muito tempo, durante o segundo álbum, quando pela primeira vez recebi uma série delas seguidas para responder... mas a maioria delas era por telefone. De qualquer modo, fartei-me de me levantar cedo e ligar para as pessoas. Responder às mesmas questões muitas vezes seguidas é extremamente irritante, especialmente quando são as mesmas questões em diferentes tipos de sotaques estranhos de inglês.
Tens tendência para dar respostas mais curtas à medida que vais respondendo cada vez mais a entrevistas por e-mail e/ou notas que o entrevistador do outro lado não sabe assim tanto sobre a banda, não pesquisou ou não se importa?
... não.
Agora sobre «Atavism»... vocês tentaram conscientemente dar um passo à rectaguarda em termos de produção e letras, ou as coisas começaram a acontecer naturalmente e este conceito só surgiu depois de algumas músicas já estarem compostas?
Boa questão - nunca me fizeram antes! Eu inventei o conceito conscientemente, e depois escrevi os riffs e estruturei as coisas à volta deste conceito. Apesar disso, não é um passo atrás em termos artísticos e de progresso - é um passo para longe do caminho 'normalizado' e comercial pelo qual as bandas enveredam, com produções cada vez menos profundas. Nós recuámos para um som mais cru, um som do passado... enquando progredíamos em termos de composição e interpretação.
Tu mencionas no press-release que isto é como se fosse o vosso primeiro disco, mas com um som melhor. Isto significa que a vossa carreira desenhou um círculo, que agora se completa. O que podem vocês fazer depois disto?
Acho que vou em qualquer direcção que me apeteça. Quero fazer coisas que tenham um som cada vez mais orgânico, e não todo produzido. Gosto de produções mais honestas porque faz com que as músicas sejam mais aquilo que elas são, e que não se escondam por detrás da produção. Acho que, quando as produções não eram tão grandes, e não era possível esconderes-te por detrás de um som massivo, as pessoas eram forçadas a escrever material melhor. Os Beatles só tinham oito faixas, e vê o que fizeram com elas. Eu quero escrever excelentes músicas, é tudo - e deixar o público julgar. Não quero escrever partes para encher com longas partes arrastadas e solos - apenas o que quero dizer, exactamente como quero dizê-lo, e sair.
Este álbum tem muita variação na música, com músicas mais épicas, partes diferentes e mais opções rítmicas. Tu fazes um esforço consciente para teres partes diferentes nas músicas, ou isto surge do modo habitual como compões música?
Ambos. Posso pegar numa determinada parte e fazê-la soar de um modo ou de outro... o riff inicial da «Man out of Time» podia ter sido uma parte massiva e pesada, mas por causa da direcção que a música tomou eu aligeirei-a um pouco e coloquei-lhe guitarras acústicas por baixo. Outras partes poderiam ter sido feitas de um modo mais leve, mas pertenciam a músicas mais pesadas. A última coisa que quero é fazer um álbum em que todas as músicas são escritas e produzidas da mesma maneira, fazendo com que o álbum soe como apenas uma música. Isso é chato.
O John Cobbett abandonou a banda há algum tempo. Já começaste a compôr sem ele na banda? Como resulta a música?
Sim, já comecei - ele não estava muito por aqui para a composição dos dois últimos álbuns, sempre teve outras bandas e outras coisas em que se concentrar. Gostaria que tivéssemos composto mais juntos, mas não o fizémos suficientemente depois de «Down Among The Deadmen» - esse álbum teve muita colaboração entre eu e ele, mas depois disso as coisas quebraram um pouco. Por isso, compôr musicas sem ele não é assim tão diferente. Apesar disso, ele contribuia muito para o som em estúdio, acrescentando partes de guitarra, mas acho que o Angelo, o novo elemento, pode preencher esse lugar sem grandes problemas.
Em termos de letras, este assunto é um pouco novo para ti, mais focado no passado, mas com um olho no presente também. Podes explicar-nos o conceito por detrás das letras do álbum?
Não existe realmente um conceito por detrás das letras - são todas sobre coisas diferentes, e acho que consegues percebê-lo se as leres. Algumas músicas são sobre a Odisseia, existem outras sobre a evolução e uma sobre a mitologia celta. Nada assim de tão novo para nós.
Letras e conceitos baseados na mitologia celta parecem estar a tornar-se numa espécie de moda hoje em dia, mesmo com bandas quye fazem música má e com mentalidades retrógradas. Como olhas para isso?
Não sei. Comecei a fazer isso há muito tempo e não conhecia mais ninguém que o fizesse nessa altura - foi há 15 anos. Depois descobri que bandas irlandesas como os Horselips e os Thin Lizzy também o tinham feito... mas não o descobri no underground metálico durante muitos anos, e quando descobri, não me entusiasmei muito porque não achei que ninguém o estivesse a fazer muito bem, até ouvir Waylander. Eles fizeram-no bem, e nós por acaso vamos tocar com eles em Setembro em Belfast. Parece que muita gente o faz agora, e isso é porreiro - a maior parte são bandas de black metal, enquanto que as nossas músicas celtas correspondem a algum do nosso material mais rock.
Cada vez mais vocês são uma lança espetada na chamada 'cena' do metal, que não passa de um mercado. Sentes que vocês estão a combater esse tipo de industrialização com a vossa música, ou a vossa atitude passa por não se importarem com isso e fazerem apenas a vossa música?
NÃO, eu estou inevitavelmente em luta com o mercado, porque sempre quis que a banda se tornasse cada vez maior e, por isso, tenho que jogar o jogo, mas tento que isso não afecte demasiado a composição. Nós ganhámos alguma popularidade ao longo dos anos, mas acho que soamos de um modo demasiado diferente para termos um sucesso global maior. Não estou a dizer que o queremos, mas não estamos dispostos a sacrificar o nosso estilo para consegui-lo - eles têm que vir até nós, e isso não acontece muitas vezes.
Achas que a massificação global da grande imprensa no metal e as editoras de metal beneficiam a cena?
Não sei, mas suponho que nem por isso. Em todos os tipos de entretenimento, e em tudo, as pessoas têm tendência para gostar daquilo que lhes dizem para gostar, e isso faz-me pensar em como o cérebro das pessoas realmente funciona. Acho que existe alguma coisa em ouvir algo que sabes que as outras pessoas também ouvem, alguma espécie de sentimento de integração que as pessoas retiram disso. É natural, mas parece que muita gente só gosta de algumas coisas porque lhes dizem que é óptimo, mesmo que lhes seja indiferente ao ouvido. Isso é estranho, porque eu sempre vi a música como algo do qual se deve retirar prazer. Eu cresci a ouvir música tradicional, musicais e orquestras, e vi muitas delas ao vivo - o meu pai costumava comprar bilhetes de época para diferentes teatros e íamos a uma tarde musical quase todos os meses quando eu era pequeno. Isso deu-me uma formação musical muito forte e fez-me apreciar e discriminar os diferentes estilos de música. Quando comecei a ouvir rock e metal acho que essas virtudes ficaram em mim e eu era muito esquisito com o que gostava, e não gostava de coisas só por os meus amigos gostarem, ou por ser metal ou alguma coisa do género. Gostava de coisas que me inspiravam e me davam sentimentos distintos.
Vocês mudaram de editora para este disco. Porquê?
O contrato com a Dragonheart tinha terminado, e não estávamos a retirar grandes benefícios dele na altura - não tinhamos apoio para digressões, etc etc. Por isso assinámos pela editora que nos garantia mais dinheiro, e essa editora foi a Cruz del Sur. Não é que tivéssemos muitas opções. Eles dão-nos apoio para as digressões e mais alguma visibilidade aqui nos Estados Unidos, por isso é bom.
Todas as editoras que lançaram - ou relançaram - os vossos álbuns são europeias. Isto significa que a vossa música é melhor aceite aqui na Europa do que nos Estados Unidos?
Sim. Não sei porquê, mas como sabes o metal é maior na Europa, e não há muito a fazer em relação a isso. Quem sabe porquê?
Quem edita os vossos álbuns actualmente nos Estados Unidos?
A Cruz del Sur, mas eles têm distribuição através da Century Media, e os lançamentos são bem publicitados. A Cruz del Sur usa um promotor americano também, por isso este álbum já está a correr 10 vezes melhor do que qualquer outro álbum de Slough Feg nos Estados Unidos.
O que conheces de Portugal?
Muito pouco para além de IronSword. Andámos em digressão na Alemanha e Grécia com eles em Setembro passado, e foi muito porreiro. São gajos muito porreiros para se viajar com eles, e também são uma grande banda.
Farias um álbum conceptual sobre a nossa história, se a achasses suficientemente interessante, ou é algo que estaria imediatamente fora do teu horizonte por não se adaptar ao vosso conceito lírico?
Sobre a história portuguesa? Wow, isso seria porreiro, apesar de eu não saber nada sobre ela. Se alguém me desse dinheiro para o gravar, fá-lo-ia, com certeza. Porque não?!

Der Ort CD
Heavy Horses Records
Segundo disco para os alemães Klabautamann, depois da estreia «Our Journey Through The Woods» ter sido editada há um par de anos, e ter chamado a atenção do underground para este duo alemão de death/black metal de influências variadas. «Der Ort» mostra a evolução da banda, que está mais coesa e com uma composição mais eficaz, com sobriedade e competência nas estruturas complexas da sua música. Com um excelente trabalho por parte do baterista convidado Patrick Schröder, os temas de «Der Ort» variam entre a pura fúria veloz do death/black metal e o virtuosismo técnico de partes acústicas que são dignas dos melhores momentos das bandas de jazz de fusão. Em termos gerais, os Klabautamann parecem juntar o melhor do death/black metal extremo e do post-black metal, e adicionam-lhe algumas influências de viking-metal épico e variação vocal que lhes permite, por exemplo, ter uma boa voz feminina no tema mais épico do disco - «October». Ainda nem todas as ideias dos temas de «Der Ort» funcionam na perfeição, nem a produção está completamente ao nível da ambição artística que o duo alemão revela, mas este álbum acaba por constituir uma boa declaração de intenções do que este grupo pode vir a fazer no futuro, com ideias muito esclarecidas e interessantes em relação ao estilo musical que praticam. (7/10)
No seguimento da saída da Karmageddon Media, os irlandeses Cruachan assinaram um contrato discográfico com a editora grega Black Lotus Records. A banda está neste momento a compôr música para o seu próximo disco, que ainda não tem título provisório, e planeia a entrada em estúdio para Janeiro de 2006. Martin Walkyer (ex-Skyclad) vai participar no disco como vocalista convidado numa das novas faixas. Antes disso, os Cruachan vão andar em digressão pela Europa em Setembro (Alemanha, Holanda, Suíça e Áustria), e em Outubro na Rússia.
No próximo dia 24 de Setembro, acontece na Noruega, em Oslo, na sala Rockefeller, o Sonic Solstice, um festival inteiramente preenchido por bandas da editora francesa Season Of Mist, a saber: Arcturus, Confessor, Red Harvest, Nattefrost e Tsjuder.

No próximo sábado, dia 18 de Junho, decorre no bar Ar de Rock, em Alcaria (Porto de Mós) mais uma edição do Metal Underworld Fest, com actuações dos Nephtys e Neurotic. O início dos concertos etá previsto para as 22.30h.
Geoffrey Downes e John Wetton começaram já a trabalhar no segundo álbum do projecto Icon, em que estão ambos envolvidos. A gravação e lançamento do disco estão previstos para 2006, mas entretanto os dois músicos ingleses estarão ocupados a promover o EP «Heat Of The Moment 05», que será lançado na Europa pela Frontiers Records no dia 29 de Agosto, e que deverá ser seguido por uma digressão europeia nos dois últimos meses deste ano.
- Edição de «A New Dawn Of The Dead», de Gorerotted
- Edição de «Diva», de Luna Field
- Edição do single «Come Back To Me», de Ayreon
- Reedição de «Awaken The Guardian», de Fates Warning
- Reedição de «Aqua», de Asia
- Reedição de «Anthology», de Asia

Satanic Truth About False Union CD
Nemesis Música
Faz precisamente três anos desde que o guitarrista brasileiro Aeternus concebeu esta banda, como resultado do seu fascínio por ‘raw’ black metal. Após o lançamento de dois MCD’s os Opus Draconis abraçam a edição do seu álbum de estreia, «Satanic Truth About False Union» pela mão da Nemesis, que se inicia no mercado na área da edição. Apesar dos erros de construção frásica, apontamentos como a ‘falsa união’, dentro do underground, ou a rivalidade existente entre as bandas de black metal, são apenas alguns dos indicativos incluídos nos refrrões a funcionarem como uma verdadeira bofetada. Desde a abertura da «Intro: Purity of Evil», com um sampler do filme The Omen, até ao final de «Apokaliptcal Feelings», somos confrontados com uma mistura de riffs interessantes e uma evolução para águas já não tão ‘raw’ mas muito mais melodiosas ao nível do uso dos teclados e alguns solos de Aeturnus bem elogiáveis («Disciples of Affliction»). De salientar que esta última faixa conta com a participação de Tear (vocalista dos Desire) – um encontro perfeito onde ambas as vozes nos proporcionam três minutos pautados de intensa devastação. Atribui-se o selo de melhor faixa a «The Throne Of Absence II», um misto de descarga sonora situado entre a brutalidade dos solos e a genialidade vocal. No entanto os Opus Draconis, amados por uns e odiados por outros, ainda precisam de ‘limar’ algumas arestas no som. Agradará aos fãs do género, mas, não se sabe se devido às constantes mudanças de line-up (a formação responsável por este álbum também já sofreu alterações), o disco revela, ao longo dos 13 temas, um intenso bombardeamento de muitas ideias, que por vezes se baralham e provocam uma conjunção de caos. Porventura a produção e gravação, a cargo de Nuno Loureiro, nos Floyd Estúdios, também poderia ter sido mais cuidada para que todos os instrumentos fluíssem muito mais perceptivelmente. A título de ‘nota’ para quem já teve oportunidade de os ver ao vivo, sobrevoa a sensação de que não é a mesma banda, porque o som é muito mais perceptível e coeso. O fim da escuta deixa uma sensação de insaciabilidade. Vamos esperar para ver o que nos propõem no futuro. (7,5/10)
Lurdes Matos & Tiago Oliveira
Os Insaniae vão estar presentes no concurso Rampa de Lançamento, com mais duas bandas, no dia 18 de Junho, a partir das 17.00h, na Casa da Juventude das Mercês, em Sintra. A entrada é livre.
O disco homónimo de estreia do projecto que junta os vocalistas Russell Allen (Symphony X) e Jorn Lande (Masterplan, ex-Ark) tem data de saída marcada para o dia 19 de Setembro. A capa, sabe-se agora, foi desenhada por Rodney Matthews (que já trabalhou para discos de Asia, Magnum, diamond Head, Praying Mantus, entre outros). Já é possível ouvir um sampler do disco aqui.
- X-Cons e Along The Way ao vivo no Ribeirinha Bar (Ribeira do Porto) - 16.00h
- Sessão de autógrafos de Fernando Ribeiro (Moonspell) no pavilhão da Quasi da Feira do Livro de Lisboa - 18.00h
Foi já editado o terceiro número da fanzine Dirty Star Informativo. Totalmente redigida em português, esta edição conta com uma entrevista a For The Glory, bem como críticas a vários trabalhos discográficos recentes. Para a receberem basta enviarem um selo de Eur 0,30 para Paulo Cercas, Apartado 149, 2801-901 Almada.
A Stygian Crypt Productions reeditou num só CD os mini-álbuns «U Gonar Czornaga Staba» (1997, cassete) e «Smierc Dzielja Smierci: Mjorzlaje Piekla» (1998, cassete) dos black-metallers bielorussos Kruk. Esta reedição chama-se «Drowned In A SwampHeart Of Evrope», e foi feita em digipack, numa tiragem limitada a 1.000 cópias. Encomendem o disco directamente através do mail da Stygian Crypt.
Eis os dois próximos espectáculos ao vivo dos Dr. Salazar:
17.06 - Rock House Café (Alenquer), demi-final do concurso Rock ao Rubro II
18.06 - Bar O Culto (Cacilhas, Almada)
Xcarnation, o projecto do guitarrista turco Cenk Eroglu - um dos mais prestigiados músicos e produtores do seu país - assinou um contrato discográfico com a Frontiers Records. O seu novo álbum vai chamar-se «Grounded», e é um ambicioso projecto que visa integrar num mesmo estilo musical heavy rock, sons electrónicos e música tradicional ocidental e oriental. A ajudá-lo neste projecto, Eroglu contou com nomes como Kip Winger (Winger), Pat Mastellotto (Mr. Mister, King Crimson) e Reb Beach (Winger, Dokken, Whitesnake). A edição de «Grounded» está agendada para o dia 19 de Setembro. Escutem um sampler aqui.
- Contratempos, Skazz e Skareta ao vivo no Jardim de Oeiras - 20.00h
- Attick Demons ao vivo na Mata Paroquial da Malveira (Mafra) - 21.30h
- Payasos Dopados, Corrosão Social e (the) Highest Cost ao vivo na Associação Joaquim Aguiar S.O.I.R., em Évora - 22.00h
- Warm-up party do Seixal Goth Fest, n'O Culto Bar, em Cacilhas (Almada) - 22.30h
- Sannedrin, The Ladder e Formaldehyde ao vivo no Rock House Café (Alenquer) - 23.00h
- Extreme Noise Terror, Prostitute Disfigurement, Decayed e Pitch Black ao vivo em Vilar de Maçada (Alijó)
- Moonspell, Re:aktor, ThanatoSchizO, TwentyInchBurial, Shrapnel e VS777 ao vivo em Elvas

Nordheim CD
Dragonheart/Recital
Apesar de Itália ficar bem longe da Escandinávia, a verdade é que este projecto de viking metal épico, encabeçado por dois elementos de DoomSword, tem a sua base no país da bota. Tirando um elemento norueguês, todos os músicos de Gjallarhorn são experientes elementos da cena italiana, juntos aqui na paixão comum que têm pelos sons épicos de álbuns como «Hammerheart», de Bathory, e de algumas outra bandas como Amon Amarth ou Falkenbach. Calcula-se, por isso, que a originalidade não seja o elemento-chave do disco de estreia «Nordheim». Ao invés disso, o grupo compensa essa anunciada falta de ambição de progressão com tudo o resto, a começar pelo excelente ambiente que as duas músicas – que perfazem 39 minutos – do disco respiram. Depois da introdução «The Plane of Vingrid», «Nordheim» solta verdadeiras trombetas de guerra de Gjallarhorn, com riffs tão épicos e grandiosos como viciantes e atractivos, com uma secção rítmica pulverizante e competente e com vocalizações épicas e sentidas, algures entre o sentimento de Primordial e a narração furiosa de Bathory. «Ragnarok», o grande tema épico do disco, que se espalha por quatro faixas distintas, contém tudo o que os fãs de viking metal épico gostam, nas proporções certas, e com um som orgânico, poderoso e que chama honestidade à música de Gjallarhorn. Saúda-se a resistência, mais ou menos inevitável, que o grupo apresenta a instrumentos acústicos folk, que pura e simplemente não funcionariam nesta receita musical. Os elementos ‘extra-metal’ são produzidos por dois ou três samplers – um de um instrumento que não passa de um elástico preso à boca e tocado com os dedos, outro de trombetas e ainda de sons de batalha e tempestade – e não comprometem, em nada, a abordagem simples e eficaz dos Gjallarhorn ao viking metal. Por isso, e depententemente da maneira como olharmos para esta estreia da banda italiana, este pode ou não ser um grande disco. Quem espera inovação das bandas de viking metal não poderá disfarçar um sentimento de desilusão com «Nordheim», mas para quem o estilo está mais que definido esta poderá ser uma das maiores surpresas do ano, e a reencarnação musical de Quorthon que a Valhalla do metal devia à comunidade metaleira. (8/10)
Os ingleses Cancer preparam-se para regressar a Portugal para um concerto no dia 29 de Junho, no Bar Porto Rio, no Porto. Este concerto insere-se na digressão de promoção do novo álbum da band de death metal «Spirit In Flames», e deverá ter a primeira parte assegurada pelos espanhóis Abyfs.
O Power MetalFest 2005, que decorre no Montijo no dia 26 de Junho, vai ter direito a uma warm-up party no dia antes n'O culto Bar, em Cacilhas (Almada), a partir das 22.30h. Esta festa vai ter um carácter 'meet & greet', e vai sortear entre os presentes 30 convites duplos para o festival. O som vai estar a cargo do DJ Watchman.
A nova edição - a sétima - da Melodic Rock Fanzine, editada pela Frontiers Records, já está disponível. Contém artigos e entrevistas de bandas como Styx, Brazen Abbot, Wetton/Downes, Leez, Ben Jackson Group, Myon, Boysvoice, Edge Of Forever, Northern Light, Iron Mask, Biss, Saidian, Harem Scarem, Circus Maximus, Royal Hunt, Mattson e muitos mais. Agarrem-na de borla em qualquer loja especializada ou façam download da versão em PDF aqui. Os números anteriores continuam disponíveis para encomendas, pelo preços de Eur 5,00. Encomendas para elio@frontiers.it
- Stampkase, Psy Enemy, Al-Maçã, Crossfaith e Penumbra ao vivo no Centro Cultural de Angra do Heroísmo -Açores) - 21.30h
- Payasos Dopados, An X Tasy, Rent A Life, Corrosão Social e Dive ao vivo no IPJ de Faro - 22.00h
- The Morcons ao vivo no Uptown (Porto) - 23.00h
- Process Of Guilt e Call 2 Power ao vivo no Rock House Café (Alenquer) - 23.00h
- Xutos e Pontapés, Kickhunter e Arya ao vivo na Feira do Vinho da Anadia

V/A
Fairy World II CD
Prikosnovénie/Equilibrium Music
Com um dos mais ricos catálogos da história da música alternativa vocalizada por senhoras, a editora francesa Prikosnovénie caminha para 15 anos de independência, verdadeira visão musical e serviço público a audiófilos. Esta segunda compilação da editora domonstra uma parte da excelência de Fred Chaplain (Lys) na escolha de artistas e reportório para a sua editora, e desenrola um pouco da mística da empresa, com um catálogo inteiramente desenhado pela dotada artista Sabine Adélaide, que cria todas as capas das edições da Prikos. «Fairy World II» volta a mostrar o melhor do conto de fadas que é a Prikosnovénie, e confirma os grandes tesouros que a editora de Clisson deu ao mundo: o pop etéreo de Fleür, as influências neo-clássicas inspiradas pelo imaginário Tolkien de Caprice, o minimalismo experimental dos japoneses Jack Or Jive, o poder místico indiano de Ivo Sedlacek, o neo-folk místico de Moon Far Away, a antiguidade grega de Daemonia Nymphe, a luxúria árabe dos Zmiya ou o post-rock etéreo de Ghost Fish – projecto constituído por Louisa John Krol, elementos de Daemonia nymphe e Nikodemos Triaridis. Apesar destes destaques, cada um dos 17 projectos presentes nesta compilação é um tesouro de beleza calma e encantadora, cada um com diferentes influências e várias maneiras de sermos encantados por uma voz feminina. O facto da Prikosnovénie ter no seu catálogo projectos de TODAS as partes do mundo, juntamente com a escolha criteriosa mas variada de estilos nas bandas que assinam, faz com que seja uma das mais cuidadosa e deliciosamente belas editoras da cena mundial actual, resultando cada uma das suas compilações em autênticas viagens das quais é difícil despertar. Quem ainda não conhece este mundo encantando de vozes femininas tem aqui uma porta de entrada previlegiada para um mundo de influências etéreas, neo-clássicas, contemporâneas, electrónicas, étnicas, pop, folk ou shamânicas, que têm como demonimador comum o encantamento que causam em quem as ouve, e a dificuldade que temos em deixar de ouvi-las. Ulisses, afinal, tinha razão. (8/10)

No sábado, dia 11 de Junho, os portugueses Attick Demons regressam aos palcos, e actuam na Mata Paroquial da Malveira, em Mafra, a partir das 21.30h, num concerto inserido no 5.º Motochurrasco do Motoclube 'Lesmas do Asfalto'. A entrada custará Eur 5,00, e a partir das 12.00h já se pode aparecer por lá, dado que há porco no espeto e muita animação.
Depois de quatro semanas seguidas no top de singles alemão com o tema «Elegy», os Leaves' Eyes entraram a semana passada para o top oficial de vendas germânico, para o 62.º lugar, com o seu novo trabalho, «Vinland Saga».
De meio de Junho a meio de Julho as estrelas australianas do grind-death-rock Blood Duster vão estar na Europa para uma digressão que passa por países como Alemanha, Holanda, Inglaterra, França, Itália, Suiça, Áustria e República Checa, deixando Portugal de fora (mas também Espanha, para variar um pouco).

O Seixal Goth Fest - que decorre no dia 14 de Junho e que marca a estreia dos americanos Cruxshadows em solo português - vai ter uma festa warm-up no dia 11 de Junho, a partir das 22.30h, n'O Culto Bar, em Cacilhas (Almada). A noite vai ser animada pelos DJ's Aras, Yggdrasil e Watchman, e vai haver exibição de vídeos, bem como bilhetes à venda para o festival, a Eur 10,00. A entrada na warm-up party é gratuita.
O cartaz do Power Metal Fest 2005, que marca a passagem dos espanhóis Segle XIII por Portugal em digressão, sofreu uma ligeira alteração, passando a ser composto pelos seguintes nomes: Segle XIII, Oratory, Unified Theory e Lostland. O festival acontece no dia 26 de Junho pelas 17.00h no Sound Planet, no Montijo. Entretanto, há mais duas datas anunciada para os Segle XIII em Portugal: dia 28 de Junho n'O Culto Bar, em Cacilhas (com Ethereal), às 22.00h, e dia 29 de Junho na Faculdade de Letras de Lisboa (com Attick Demons, Unified Theory e Side-Effects), a partir das 21.00h.
Os reis do speed-power-metal épico Dragonforce - que actuam em Portugal no próximo dia 18 de Junho, na primeira parte do concerto de Iron Maiden no Pavilhão Atlântico - experimentaram no final de Maio alguns problemas invulgares, na pessoa do seu vocalista, ZP Theart. Depois do concerto que deram no Mystic Festival de Cracóvia, na Polónia, ZP terá sido impedido de sair do país, durante a viagem de combóio que levaria a banda até Graz, na Áustria, onde tocariam com Iron Maiden dois dias depois. Aparentemente, alguns problemas com os documentos do vocalista impediram a sua passagem da Polónia para a República Checa, e ZP foi obrigado a voltar para Cracóvia, onde resolveu os problemas, ajudado por elementos da editora local, que lhe reservaram um voo no avião para a Ástria que partiria algumas horas depois. Mas o dia ainda não tinha terminado para ZP Theart. O avião onde o vocalista embarcou perdeu um dos motores depois de ter levantado, e teve que voltar a aterrar em Cracóvia, com a companhia aérea a marcar um quarto de hotel para o músico e a prometer que estaria em Graz a tempo do concerto, no dia seguinte. A promessa foi cumprida, e ZP chegou à cidade austríaca exactamente uma hora antes do soundcheck de Dragonforce no estádio onde iriam tocar com Iron Maiden. Aventura terminada? Não antes de ZP descobrir que, algures durante a sua épica viagem, alguém lhe tinha aberto as malas e levado alguns objectos pessoais... emprestados, talvez.
A edição deste ano do Festival Vilar de Mouros vai contar com a participação de duas grandes bandas de metal gótico: os Nightwish e os Within Temptation.
O álbum de estreia de Soul Sirkus, «World Play», atingiu o 60.º lugar no top oficial de vendas da Suécia durante a semana passada
- 4Saken, Amnnezia, Velvetstone, Sodium e The Punkrias ao vivo no Centro Cultural de Angra do Heroísmo (Açores) - 21.30h
- Payasos Dopados, An X Tasy, Corrosão Social e (the) Highest Cost ao vivo no Toma Bar, em Vila Franca de Xira - 22.00h
- Kickhunter e Arya ao vivo no Armazém F (Lisboa)

Garage – 1 de Junho de 2005
Nudez, demonstração étnica e os velhos do costume
Faz agora uma semana que nos deslocámos ao Garage, em Alcântara, para a visita, do costume, da banda de Nick Holmes, e também para confirmarmos o imenso potencial dos israelitas Orphaned Land que, sem nunca terem sido esquecidos, atingiram agora, com o magnifico «Mabool», um momento de inspiração já raro no panorama actual. Ainda assim, o primeiro êxtase foi provocado pelos californianos Society 1 - um momento tão arrebatador quanto inesperado.
Texto: João Matos
Fotos: Mariana Matos e João Matos
Com contrato firmado com a Earache, estes singulares norte americanos vieram promover o segundo álbum da banda - «The Sound That Ends Creation» - e conseguiram logo ao primeiro tema uma estupefacção muito optimista. Só foi pena, por esta altura, a casa ainda só lhes conceder cerca de quarenta pessoas. Os aplausos foram, no entanto, sentidos em palco. Logo ao primeiro riff, chegou a sensação de uma veia muito stoner mas a viver, essencialmente, do carisma dos quatro músicos em palco. As afinações eram bem graves, o ajuste da distorção um misto de definição com dissonância provocada, e a voz ora tresloucada, ora death-metal, ora ‘a la Peter Steele’. A sonoridade quase variava de tema para tema e apesar do mote inicial mais stoner, debitaram, depois, temas quase plenos de death, outros mais rock (com uma sonoridade gótica a liderar o refrão, fazendo até lembrar Vasaria) e até plenas incursões pelo novo metal americano, sem tirar nem pôr.

Dos quatro ‘posers’, destaque para o vocalista, um autêntico artista hollywoodesco dos quatro costados. Tipicamente americano, não mostrou qualquer inibição, provocada pelo desconhecimento do público, e não se rogou em teatralizar até à exaustão. De início, e pela magreza, evocou os Black Crowes dando uns saltitos nervosos como o líder da banda mencionada, depois já estava meio farto e lá se atirou para o chão, armado em ansioso-existencialista; seguiu-se a sua fase de ‘homem-sexual’ em que se envolveu com o, também duvidoso, guitarrista para simularem actos eróticos, e depois veio a fase do strip.

Esta fase final foi, quanto a mim, a mais desnecessária - é que não lhe bastava ter uns ‘pastis’ a cobrir os mamilos, como fez questão de mostrar o seu ‘bikini wax’, atirando à cara do ‘povo’ na primeira fila o seu púbis todo lisinho, que fez questão de mostrar. Ah! É verdade! Ainda lhe sobrou tempo para exibir o rabo e de ficar depois durante um tema inteiro a expô-lo, como que a pedir o cognome de ‘o rabeta... A sorte é que realmente todos os temas eram bons! E isso sim, gerou consenso.

No final de Paradise Lost, estava à porta o guitarrista da banda a distrubuir flyers, numa postura amplamente antagónica da registada em palco - de hiper-posers para músicos humildes e modestos - uma grande lição de carácter. Em conversa, com este, ele estava até incrédulo por eu lhe dizer que foram a maior revelação que eu registei neste últimos anos.

Muito ansiados em Portugal, os Orphaned Land foram, provavelmente, a primeira banda de metal do médio oriente a visitar a capital portuguesa. Grande parte do público estava lá para os ver e eles não fizeram a coisa por menos, abriram as hostes com «Ocean Land», o momento talvez mais genial da carreira. Todos estavam em palco despojados de qualquer sentimento de vedetismo, com vestes alusivas a Israel e postura descontraída. Yossi Sa'aron (Sassi) - guitarrista lead – foi mesmo o músico mais feliz que vi em toda a minha vida. Nunca tinha visto alguém em palco tão sorridente.

O som geral tinha sido bem acertado e a coadjuvar o peso do material, os Orphaned trouxeram todos os samples utilizados em «Mabool». Quem não foi preciso trazer foi a Claudia, a belly-dancer lisboeta que a meio de «The Kiss of Babylon”» entrou para insinuar o seu ventre até ao fim do referido tema. Um momento que resultou muito bem, pela surpresa, pelo ânimo da banda e por um público que soube não torcer o nariz.

De referir também que este mesmo tema foi mais próximo que eu tive de ver Septic Flesh ao vivo. É que apesar dos israelitas já terem abandonado a Holy Records há muito, trazem ainda influências e a parte inicial de «The Kiss of Babylon», que é claramente uma alusão directa à genialidade dos gregos já defuntos, tais as parecenças de «Mabool». Destaque ainda para «Birth of the three», tema genioso que abre o álbum e ainda para «Nora El Nora», um tema todo cantado em israelita e que foi envolto num sentimento, e numa expressão que por tão sentida arrepiou.

Do passado a banda trouxe ainda alguns momentos que este escriba, por tão incapaz, não sabe mencionar em concreto.
Enquanto se mudava o material da banda para a última actuação da noite, sobe a palco um combalido Cameraman Metálico que, em jeito de saudosa despedida, anuncia a morte de Manu, antigo rodie de Iron Maiden e responsável pelo Eddie’s Bar, no Algarve (o bar que a banda possui em Portugal).
A terminar, a banda pela qual a maioria esperava. Apesar de já todos termos visto os rapazes de Birmingham 3,4,5 OK (!) 6 vezes, nada como uma sétima experiência, até porque há sempre a expectativa de que, desta vez, eles não venham fazer frete. Bem, para dizer a verdade, eles empenham-se sempre, mas há já uns anos (desde... «One Second«??) que eles vêm com um semblante carregado e sempre tristonhos. Desta feita, o empenho até foi suficiente, com Steve no baixo até muito sorridente e a fazer ‘playback’ de todos os temas, mas o Nick já não tem paciência nenhuma para concertos. Mal acabava um tema (!!) ia sempre até ao backstage descansar, para vir de seguida mais uma vez. A sua voz já não é o que era e tanto nos temas antigos, como nas novas pérolas, o timbre é sempre esforçado e até agudo. Não me refiro a um falsete à Bee Gees, (quer dizer se calhar... bem, não! Ok! Isso também não!) mas a uma voz quase improvisada que não desgaste muito as pilhas. O pior é que assim nestes moldes, há já muito que qualquer fã, vindo do público, podia subir ao palco e cantar cada tema. Vinham os restantes elementos da banda e faziam-se antes sessões de karaoke com a banda em palco a acompanhar! O Nick que ficasse em casa a jogar PS2. Bem, a verdade é que pelas décadas de genialidade, até nestas condições a performance geral é grande. Cada tema é um hino e no cômputo geral cada concerto dos Lost é bem vivido e intenso. O desfile do novo trabalho homónimo foi quase exaustivo e, muito na linha de um «Symbol Ff Life» parte 2, os novos temas também já começam a entrar no ouvido, depois da desconfiança inicial. O destaque vai para «Forever After»; «Don’t Belong» e «All You Leave Behind» – que podiam fazer parte de «Symbol Of Life» sem que ninguém o achasse menos genial, mas também já «Grey», «Close Your Eyes», «Redshift» e «Accept the Pain» se começam a afirmar como bons temas.

Ao passado foram buscar um apoteótico «As I Die» e quase tão sentido foi «True Belief». Já da obra prima «Draconian Times», «The Last Time» (o último tema tocado já nos encores); «Enchantment» e ainda «Hallowed Land» (o primeiro tema da noite a despertar gáudio). De «Believe In Nothing» ficou por tocar qualquer tema, mas de «Host» um dos temas mais entoados pelo público foi «So Much is Lost» - até eu próprio me deixei embarcar pelo espirito e já acompanhava a referida ‘canção’ como se fosse proveniente de um momento da banda que me dissesse algo. Depois lembrei-me “eh pá... mas isto é do «Host»... tu queres ver que eu gosto do «Host»?? Mau... tu queres ver?”. Bem... passados alguns anos há que admitir que quaisquer preconceitos face a novas orientações, quando uma banda muda de estilo, são sempre apagados pelo tempo, e um desperdício do mesmo. De «One Second » (um clássico irrefutável) tocaram o tema que dá nome ao álbum – com Nick a anuciar de propósito com sotaque francês “on secôn” (ele é um galhofeiro nato – NOT). Do penúltimo, e brilhante, «Symbol Of Life», tocaram «Erased», «Pray Nightfall», «Mystify» e o próprio «Symbol of Life». O obrigatório ‘Isolate» ficou inexplicavelmente adiado até à próxima visita.
No final da jornada, e pela junção de três bandas com tanto para oferecer, registou-se um dos melhores concertos que o Garage recebeu nos últimos dois anos.

Stainless CD
Dragonheart/Audioglobe/Recital
Depois do disco de ‘true’ metal «Off The Beaten Path», editado em 2002, os italianos Mesmerize enfrentaram a sua primeira alteração de formação de sempre, e mudaram de guitarrista. Nada que todas as bandas não façam – até mais do que uma vez na carreira - mas para os Mesmerize a alteração de guitarrista implicou uma profunda reestruturação musical, que agora surge em «Stainless». A voz de Folco Orlandini é possivelmente o único elemento que vai fazer os fãs da banda italiana reconhecerem a música do grupo. Logo desde o primeiro tema, «The Burn», os Mesmerize apresentam um power metal bastante mais dinâmico, melódico e ‘trendy’ do que algum vez fizeram. O som seco e muito colado aos anos 80 de «Off The Beaten Path» foi colocado de lado e aparece aqui substituído por duas guitarras gémeas que devem (quase) tudo ao power metal alemão, com melodias incessantes e grande preponderância de refrões. Mas há mais: «Stainless» conta com as harmonias vocais femininas de Paola Biachi, de Ludmila, num par de faixas, e com a participação especial de Vanni Ceni, vocalista de Wotan, de modo a tornar algumas das músicas mais épicas e teatrais em termos de vocalizações, o que de certo modo resulta quando atirado de encontro à sonoridade pesada de Mesmerize, que – valha-nos isso – ainda não sucumbiu ao uso de teclados na sua música. O que era escusado era o uso desenfreado do violino do convidado Vito Gatto que o grupo italiano faz na segunda parte do disco, que ‘grita’ Skyclad por todo o lado. A cena folk-heavy de Skyclad NÃO é definitivamente a onda de Mesmerize, embora as ideias mais melódicas funcionem, de certo modo, bem quando aplicadas às guitarras-gémeas e à vocalização muito ‘true’ de Orlandini que sobram dos ‘antigos’ Mesmerize. Um passo adiante e um à rectaguarda, portanto. Podia ser pior, mas quem edita um disco como «Off The Beaten Path» tem que cumprir as expectativas que deixa nas pessoas. (6/10)
À última hora os Seven Stitches substituiram os Ho-Chi-Minh na última eliminatória do concurso Rock ao Rubro II, que decorre no Rock House Café em Alenquer, e ganharam mesmo a referida eliminatória. Juntam-se assim aos God e aos Dr. Salazar na meia-final do concurso, que tem lugar no próximo dia 17 de Junho.
O organizador do Festival Ilha do Ermal confirmou ontem mais quatro nomes de peso ao cartaz do festival, que decorre no dia 24 de Junho: Blacksunrise, Painstruck, Morbid Angel e Entombed. As quatro bandas juntam-se assim a Blasted Mechanism, Clawfinger, Grave e Unleashed, para o dia mais pesado do Festival da Ilha do Ermal deste ano.
Com as filmagens terminadas desde o final de Maio, o DVD ao vivo de Seventh Key está a caminho de estar terminado. A sua edição, que será feita juntamente com um CD audio, está prevista para Novembro deste ano. Juntamente com o mentor Billy Greer, aparecerão neste DVD, a actuar, os músicos Mike Slamer (guitarra), Terry Brock (guitarra e voz), David Manion (teclados) e Pat MacDonald (bateria), com a participação especial de Robby Steinhardt - violinista e vocalista de Kansas.
- Kickhunter, Arya e Or Eleven ao vivo no Hard Club (Gaia) - 22.00h
- The Flaming Sideburns e Bunnyranch ao vivo no Porto Bar Rio (Porto)

MindRevolutions CD
InsideOut Music/SPV/Mastertrax/Recital
O que os suecos Kaipa fazem com o rock progressivo é talvez comparável ao que os Rhapsody fizeram ao power metal há quase uma década atrás. Ou seja, uma injecção brutal de criatividade que deve muito ao folk, e que transforma o estilo em algo de incrivelmente mais dinâmico. No caso de Kaipa, a coisa remonta há 30 anos atrás, quando o mentor do projecto Hans Lundin e o (hoje em dia) líder de The Flower Kings Roine Stolt se juntaram para fazer uma banda de art-rock progressivo com influências do folk sueco. A aventura terminou sete anos depois, mas em 2002, precisamente 10 anos depois da edição do último trabalho, os Kaipa regressaram com «Notes From the Past», com os mesmos Hans Lundin e Roine Stolt, com uma energia renovada, e com novas-ideias-velhas que a cena ‘actual’ de rock progressivo precisava de conhecer. «MindRevolutions» é já o terceiro disco desta nova vida de Kaipa, e mostra uma das formações mais fortes de sempre do grupo sueco: Lundin (teclados, voz) e Stolt (guitarra, percussão e voz) são ajudados pelos vocalistas Aleena e Patrick Lundström (Ritual), pelo baterista Morgan Agren (Zappa) e pelo baixista Jonas Reingold (The Flower Kings), num registo que não apenas cobre todos os pontos em que os Kaipa alguma vez foram fortes, como traz mais alguns predicados à música da banda. Um dos principais pontos fortes de «MindRevolutions» é, precisamente, o ponto-de-rebuçado a que a música de Kaipa chega com o disco. Nunca a mistura das influências de guitarra e ambientes de Pink Floyd, vocalizações teatrais de Lundström quase ao estilo de Fish e estruturas bem progressivas e épicas soou tão coesa e única como em nos temas deste disco. Desde o emocionante «A Pair of Sunbeams», passando pelo épico – quase 26 minutos – tema-título e terminando no muito ambiental e atmosférico «Remains of the Day», «MindRevolutions» traz de volta alguma vitalidade e originalidade ao rock progressivo actual, que começa já a demonstrar alguns sinais de esgotamento. E, admirem-se, o sinal de vitalidade vem da Suécia... de uma banda que se estreou há 30 anos. No entanto, «MindRevolutions» tem a emoção, técnica, composição e atmosfera certos para, caso o rock progressivo não tivesse conhecido recentemente um vigor renovado, ressuscitar, por si só, o estilo. É destes álbuns, e destas bandas, que vamos precisar para mostrar aos nossos filhos e netos. (9/10)
Philip Bardowell, o famigerado vocalista de Unruly Child e de Magdalen (banda que formou com elementos de House Of Lords), assinou um contrato discográfico com a Frontiers Records para a sua carreira a solo. O novo álbum em nome próprio de Bardowell chama-se «In The Cut», e trata-se de uma obra no esperado estilo rock/aor que tornou o vocalista conhecido, com contribuições a nível de composição de amigos como Stan Bush, Jim Peterik (Survivor, Pride Of Lions), Mark Spiro (House Of Lords, Bad English), Bobby Barth (Axe) e Curt Cuomo (Kiss, Steve Perry). A produção de «In The Cut» esteve a cargo do guitarrista sueco Tommy Denander (Radioactive). O lançamento está marcado para dia 19 de Setembro. Escutem samplers aqui, aqui e aqui.
O concurso AngraRock deste ano tem lugar nos dias 9, 10 e 11 de Junho, com 10 bandas participantes - sete da Ilha Terceira e três de S. Miguel. As eliminatórias decorrem no Centro Cultural de Angra do Heroísmo, pelas 21.30h, na seguinte ordem:
09.06 - 4Saken, Amnnezia, Velvetstone, Sodium e The Punkrias
10.06 - Stampkase, Psy Enemy, Al-Maçã, Crossfaith e Penumbra
11.06 - Final, com os cinco projectos apurados dos dois primeiros dias
Dois anos depois da estreia, «The Nameless Disease», os The Old Dead Tree preparam-se para regressar às edições já no dia 29 de Agosto próximo, como o novo álbum «The Perpetual Motion», lançado pela Season Of Mist. O disco foi gravado no Stage One Studio, na Alemanha, com o produtor Andy Classen, e com a nova formação da banda, constituída por Manuel Munoz (voz e guitarra), Nicolas Chevrolier (guitarra), Vincent Danhier (baixo) e Foued Moukid (bateria). Ainda antes da data de lançamento do disco, os The Old Dead Tree vão participar nos festivais Fury Fest, em França e no Summer Darkness, na Holanda. Depois disso, segue-se uma digressão europeia, em Outubro e Novembro de 2005.
No dia 10 de Junho os Process Of Guilt actuam ao vivo no Rock House Café, em Alenquer, a partir das 23.00h, no festival Rock ao Rubro II.
A banda alemã de death metal Fleshcrawl está neste momento à procura de um novo baixista, depois do abandono de Tobz da posição que ocupava há já vários anos. Quem estiver interessado no lugar deve enviar um mail para a banda.

Issue VI CD
Nuclear Blast Records/Mastertrax/Recital
Em dez anos e seis álbuns de originais – todos começados pela letra i – os germânicos Dew Scented transformaram-se de esperança do metal alemão em candidatos a ícones de uma geração que vê no thrash e no death metal os estilos ideais para o metal extremo. O quarteto do norte da Alemanha junta os riffs mais viciantes do thrsh metal intemporal a uma coerência técnica e extremismo de velocidade do death metal, com uma produção ultra-clra e bem moderna, criando uma das mais intensas experiências de metal extremo que é possível ter hoje em dia. «Issue VI» confere ao grupo um estatuto de estrelas no estilo, não tanto pelo reportório, que é apenas a confirmação daquilo que os Dew Scented já haviam mostrado com discos como «Impact» e «Inwards», mas sim pela capacidade de apresentarem a sua música num ‘pacote’ sonoro tão apelativo e irresistível. Os riffs dos temas de «Issue VI» são autênticos motores de headbanging, principalmente devido ao modo como soam nesta produção cuidada, límpida – mas não estéril, com muita pujança – de Andy Classen. O resto é trabalho de composição e interpretação de uma das melhores bandas de death/thrash metal moderno que, a cada disco que edita, me deixa mais convencido que, se os Slayer começassem a sua carreira hoje, soariam exactamente assim. Depois, a incrível versão de Zeke («Evil Dead»!) com que os Dew Scented terminam «Issue VI» é mais do que a prova provada de que esta banda não deixa os moshpits dos seus concertos por mãos alheias. Para dar uso aos adjectivos começados pela letra dos álbuns do grupo, há vários que se aplicam à descrição deste trabalho: impressionante, implacável, impiedoso, inaudito... olhem, abram o dicionário e escolham vocês! (8/10)
A webzine brasileira Psychosis Death foi actualizada recentemente, com entrevistas a Executer, Hutt e Defacing, e mais algumas críticas e notícias. Vejam-na aqui.
«Mind», o próximo álbum dos grinders austríacos Mastic Scum, é editado no dia 5 de Setembro pela Cudgel Agency. Este disco terá a habitual mistura de grindcore, death metal e hardcore que torna esta banda tão especial, e conterá um vídeo-clip em secção multimédia. Durante os próximos meses, a banda estará ocupada a dar concertos na Áustria, Alemanha e República Checa.
No próximo domingo, dia 12 de Junho, Fernando Ribeiro, o vocalista de Moonspell, vai estar na Feira do Livro de Lisboa, no Parque Eduarto VII, no pavilhão da Quasi, a dar uma sessão de autógrafos a propósito do seu livro Feridas Essenciais, a partir das 18.00h.
Os Payasos Dopados preparam-se para fazer uma digressão nacional durante este mês de Junho. Eis as datas:
09.06 - Toma Bar, em Vila Franca de Xira, com An X Tasy, Corrosão Social e (the) Highest Cost - 22.00h
10.06 - IPJ de Faro, em Vila Franca de Xira, com An X Tasy, Rent A Life, Corrosão Social e Dive - 22.00h
11.06 - Associação Joaquim Aguiar S.O.I.R., em Évora, com Corrosão Social e (the) Highest Cost - 22.00h
17.06 - Lotus Bar, em Cascais, com M.A.D., Punk Sinatra e (the) Highest Cost - 22.00h
23.06 - Satori666, em Querença (Loulé), com Akkolyte, Rent A Life, Dive, Kontrattack, Punk Com Manteiga, (the) Highest Cost e Your Mother And I - 22.00h
25.06 - Teodósios Bar, em Guia, com An X Tasy e Dive - 22.00h
Os As I Lay Dying preparam-se para editar o novo álbum, chamado «Shadows Are Security», no dia 20 deste mês através da Metal Blade Records. A banda gravou recentemente um vídeo-clip de promoção deste disco, para o tema «Confined», com realização de Chris Sims, conhecido pelo seu trabalho com bandas como Lamb Of God, Norma Jean e Zao. Vejam fotos da rodagem do clip aqui.
Eis a programação desta semana do TocSin Club, que fica na Rua da Atalaia, no Bairro Alto, em Lisboa:
08.06 - Noite electro/industrial, com DJ Suspyria
09.06 - Noite gótica, com DJ Pedro Morcego
10.06 - Noite metal, com DJ Psycho
11.06 - Noite gótico/electro/idustrial/80's com DJ's Leatherstrip & Dlock
12.06 - Noite especial Sto. António (80's/psycho/rock português), com DJ's Lu & Mia
Os belgas In Quest, considerados uma das melhores bandas de death metal do seu país, preparam-se para lançar o seu quinto álbum de originais, chamado «The Comatose Quandaries», no próximo dia 20 através da Dockyard 1.
- Edição de «My Ressurrection», de Brazen Abbot
- Edição de «Paper Blood», de Royal Hunt
- Edição de «Gettysburg», de Iced Earth
- Edição de «Collection Prestige», de Carnival In Coal
- Edição de «Empires Of The Worlds», de Biomechanical
- Edição de «Peace Among The Ruins», de Presto Ballet
- Edição de «Lipservice», de Gotthard

I Am CD
InsideOut Music/SPV
Depois de três álbuns a solo totalmente instrumentais, eis que Tomas Bodin, teclista dos deuses suecos do rock progressivo The Flower Kings, surge aqui com uma banda completa e uma proposta não com um, mas com três vocalistas distintos. Como em «Sonic Boulevard», foi à secção rítimica de The Flower Kings – Jonas Reingold e Marcus Liliequist – que Bodin recorreu para este seu disco, enquanto que desta vez o guitarrista de serviço é Jocke JJ Marsh, da banda de Glenn Hughes. O resultado não poderia ser outra coisa: rock progressivo com bastantes influências do mesmo art-rock dos anos 70 que influencia a banda principal de Tomas Bodin, com algum Canterbury à mistura – tudo feito com a classe, competência técnica e talento de composição que se reconhece não apenas ao teclista de The Flower Kings, como aos músicos que o acompanham nesta aventura. «I Am» é um conceito de três longos temas, que são épicos, complexos e cheios de partes e ambientes diferentes entre si, durante o quais os três vocalistas – dois homens e uma senhora – vão impondo uma dinâmica bastante interessante à música. O álbum não apresenta nada de novo aos fãs de rock progressivo actual, e não vai muito além das maradices melódico-técnicas de Emerson, Lake & Palmer ou Peter Hammill e dos ambientes psicadélicos dos primeiros tempos de Pink Floyd, contendo as compreensíveis esporádicas incursões instrumentais pelos teclados de Bodin, que no entanto surgem equilibradas, bem inseridas na música e nada chatas. Quem gosta de The Flower Kings, poderá ter aqui uma boa experiência alternativa para ouvir a música de três dos seus elementos respirar sem o génio sofregamente dominador de Roine Stolt. Quem procura rock progresivo com laivos de originalidade, pode esquecer este disco. Porque «I Am» pode ser tudo, menos original. (6/10)
A banda de metalcore Angel Crew assinou um contrato discográfico com a Dockyard 1. Os Angel Crew são uma banda de membros holandeses e belgas que passaram ou estão actualmente em bandas como Backfire!, Deviate, Lenght of Time e Arkangel. «One Life, One Sentence» é o nome do novo disco, que sucede à estreia «Another Day Living In Hatred», e que deverá ser editado nas próximas semanas.

Touched By The Crimson King CD
Steamhammer/SPV
Este projecto faz-me sofrer do mesmíssimo ‘síndroma Blind Guardian’ de que padeço desde a edição de «Nightfall In Middle Earth». Depois desse disco, não consigo gostar de mais nada de Blind Guardian – sei-o porque não gosto do último trabalho, apesar de ser de opinião geral que está bom – e aparentemente também vou ter problemas em gostar de tudo o que meta o vocalista Hansi Kürsch, tenha ou não as guitarras de Jon Schaffer, de Iced Earth. A minha primeira reacção a «Touched By The Crimson King» foi precisamente de frio distanciamento, e de uma sensação quase orgulhosa de “já sabia que isto não ia estar tão bom”. No entanto, é um disco mais variado, obedecendo, no entanto, às ‘regras’ instituídas pelo disco de estreia do projecto. Por isso, foi uma questão de tempo até se tornar um dos discos cimeiros da minha playlist actual, depois de perceber que o duo não poderia fazer um «Demons & Wizards Pt. II». «Touched By The Crimson King» continua a ser 50% Blind Guardian, 50% Iced Earth – pura e simplesmente é mais pesado em alguns termas, mais lento noutros, mais épico, mais mórbido, mais complexo e – sim – mais melódico. Cada um dos temas parece agora ganhar uma personalidade própria e mostrar mais facetas do mundo de Demons & Wizards. O que se passa em « Touched By The Crimson King» é que Ansi Kürsch tem mais harmonias vocais a acontecerem durante todo o disco, e Jon Schaffer tem um mais complexo trabalho de guitarra. Em termos de composição, o duo segue o seu caminho natural, e desenvolveu o conceito um pouco mais, esticando os tentáculos em mais direcções. De uma forma deliciosa, este conjunto de 10 temas permite-nos, pois, mergulhar mais fundo na música de Demons & Wizards, já sem a sensação de projecto do primeiro disco, mas como se de uma banda se tratasse. Os demónios e feiticeiros estão, pois, de parabéns por mais um disco que recupera a magia original dos melhores discos de Blind Guardian e, a espaços, também de Iced Earth. (8/10)
Os While Heaven Wept assinaram um contrato discográfico com a editora grega Black Lotus Records. A banda encontra-se já a gravar o novo álbum, que vai chamar-se «Vast Oceans Lachrymose», e que deverá ser editado na Primavera de 2006. A Black Lotus deverá entretanto reeditar os discos anteriores da banda em edições especiais, com novas capas, novas masterizações e alguma material adicional.
Os The Morcons actuam ao vivo no Uptown, no Porto (Rua da Alegria, em frente o Blockbuster) no dia 10 de Junho a partir das 23.00h. Promete ser uma noite animada de rock'n'roll...
Os brasileiros Reviolence acabaram de disponibilizar online o vídeo-clip que gravaram para o tema «Zero of Me», retirado do EP «In Pieces». Vejam-no no site da banda.
Os espanhóis Segle XIII vão realizar no final deste mês uma digressão portuguesa com as seguintes datas:
24.06 - Oficina do Cais (Montijo), com Ethereal
25.06 - Associação de Músicos de Faro (Faro), com Oddness (Inglaterra) e Ethereal
26.06 - Power Metal Fest, no Sound Planet (Montijo), com Oratory, In Solitude, Prime, Tarantula e Unified Theory
28.06 - Culto Bar (Almada), com Ethereal
Audrey Horne é o nome de uma nova super-banda norueguesa, composta por elementos de Enslaved e Gorgoroth. «No Hay Banda» é o nome do disco de estreia, já editado pela Candlelight Records, em que os Audrey Horne mostram uma veia de rock melódico gótico, capaz de agradar aos mais acérrimos fãs de... Him.
Os Integrity, que começaram a abrir caminho ao que hoje se chama 'metalcore' há já 15 anos, celebram este ano o 10.º aniversário do seu mais emblemático disco, «Humanity Is The Devil». Para comemorar, a banda lançará este mês «Sliver In The Hands Of Time», que recolhe faixas inéditas ou raras da banda, juntamente com todos os singles em vinil editados. A edição fica completa com um booklet de 32 páginas, que inclui depoimentos de Jamey Jasta de Hatebreed e de Tony Brummel da Victory Records, entre outros.

Num mundo tão competitivo como o death metal, apenas as bandas com talento, preserverança e algo de especial na sua música conseguem chegar ao topo. Aos americanos Nile, liderados por Karl Sanders, bastou apenas um disco e alguns EP's para estabelecer um culto, mercê de um death metal intrincado, rápido, técnico, épico e extremamente original, mercê de exóticas passagens de música do médio-oriente, que se estendiam ao conceito lírico. Discos como «Amongst The Catacombs Of Nephren-Ka», «Black Seeds Of Vengeance» e «In Their Darkened Shrines» estabeleceram o nome de Nile como uma das mais importantes e originais bandas de death metal do mundo, e o novo disco, «Annihilation Of The Wicked», vem provar que Karl Sanders e companhia não descansam sobre os louros obtidos. Ao longo de 10 temas, o trio volta a mostrar porque é o melhor: death metal abrasivo, produção pulverizante e alguns dos melhores riffs a que o metal extremo já assistiu, com as habituais tonalidades musicais do médio-oriente, tornam este novo disco mais uma obra de arte irresistível para qualquer fã de MÚSICA, qualquer que seja o seu estilo favorito, desde que aprecie obras emocionais e tecnicamente perfeitas. O guitarrista Dallas Toler-Wade conversou connosco sobre o novo álbum.
Texto: Fernando Reis
Ao fazerem este disco, vocês sentiram a pressão de serem hoje em dia uma da bandas mais importantes da cena death metal?
Nem por isso... nós não pensamos muito nesse tipo de coisas, pelo menos na maior parte do tempo. Normalmente concentramo-nos em divertirmo-nos com a música e melhorarmos as nossas qualidades enquanto músicos e compositores. É esse o principal objectivo... mostrar respeito pelo heavy metal em geral e tentar fazer melhor do que da última vez. Se não melhor, pelo menos algo um pouco diferente, para que não estejamos a fazer sempre a mesma coisa (risos). Desta vez trabalhámos com o nosso novo baterista, o George Kollias, e tivemos uma onda muito negra quando estávamos a trabalhar no disco. Sentimo-nos muito bem a fazê-lo... foi uma coisa muito natural. Eu tento não pensar em coisas do género... o quão popular pode ser ou o quão popular pode não ser... para dizer a verdade, se os Nile não fossem mesmo nada populares, mesmo assim estaríamos a tocar numa garagem qualquer e a dar alguns concertos ao fim-de-semana ou algo do género. Mesmo assim estariamos a fazer isto. Não é preciso sermos muito populares para existirmos... só precisamos de fazer boa música.
Não sentiram também qualquer tipo de pressão por parte da editora, pelo facto de serem uma das bandas prioritárias deles e eles estarem a gastar muito dinheiro com a vossa promoção e marketing?
Não nos preocupamos muito com isso. A Relapse tem sido muito boa para nós ao longo de todos estes anos. Para além de bons tipos, são uma boa editora. Tivémos sorte nisso, e até talvez tenhamos sido um pouco mimados nesse aspecto (risos).
Já consegues ouvir o novo álbum de uma forma totalmente imparcial, como se fosses alguém de fora da banda a ouvi-lo pela primeira vez, e apreciá-lo?
Provavelmente não. Eu aprecio-o devido a tantos outros motivos. Quando o escuto e escuto as passagens, há uma ligação que provavelmente todos nós sentimos com o que rodeou cada um desses bocados de música. Está ligado a um sentimento de sobrevivência, ao facto de termos conseguido resolver os problemas nas nossas vidas e sermos ainda capazes de tocar metal. O Karl e eu atravessámos ambos processos de divórcio... esse tipo de situações merdosas com que temos que lidar nas nossas vidas. Eu escuto algumas das passagens do disco, e consigo identificar algumas dessas dores, e não sei se alguma vez vou conseguir separar as duas coisas. Tenho apenas que aprender a viver com elas (risos).

Ns músicas do último álbum por exemplo, conseguiste desligar a parte musical de tudo o que rodeou a composição e gravação de cada uma das músicas?
Nem sei se te consigo responder a isso (risos)... Na altura em que gravámos o «In Their Darkened Shrines», esse era o álbum que éramos capazes de fazer. É um bom disco, mas desta vez tivémos um orçamento de gravação um pouco melhor, tivémos a felicidade de trabalhar com o Neil Kernon... e isso ajuda muito; só o facto de conseguires ouvir tudo o que estás a fazer... havia partes no «In Their Darkened Shrines» que, se eu as mostrasse a alguém, não acreditaria que é isso que estamos ali a tocar, porque não conseguiria ouvir (risos).
O Neil Kernon é um dos mais conceituados produtores de metal... a produção dele é realmente assim tão boa, ou é mais o nome que ajuda a vender do que o trabalho de produção em si?
A experiência que tivémos com o Neil vale bem a pena. Nós trabalhámos com o Bob Moore no Soundlab Studio em três discos, com eu o Karl e o Bob a controlarmos quase tudo. O Bob é realmente bom... especialmente pelo preço que custa, o Bob faz um excelente trabalho, mas o Neil faz discos desde antes de eu ter nascido (risos). Ele começou a produzir discos nos anos 70, produziu discos nos anos 80, e ainda produz discos. Ele tem tanta experiência de trabalho... com ou sem nome, só a experiência dele vale a pena. Ele consegue imediatamente reconhecer o que tu queres e tirar um som sólido e limpo da tua música. Eu tenho em casa grandes discos que ele produziu... tudo desde Dokken a Nevermore... trabalhou com Cannibal Corpse...
E para além disso ele gosta da vossa música, certo?
Oh, sim... ele gosta muito de material mais extremo. Nos anos 70 ele trabalhou com música muito vanguardista, cenas muito técnicas de jazz... ele sempre procurou coisas muito fora. Ele sempre gostou muito daquela onda de jazz de fusão, e acho que ele de alguma forma vê uma ligação entre o jazz de fusão e algum do metal extremo. Ele quer, basicamente, trabalhar com bandas que estejam à frente. Ele não liga ao facto de ser popular ou não ser popular - ele só trabalha com o que o deixa satisfeito. Ele não consegue deixar de estar emocionalmente envolvido com o projecto que está a produzir. Pessoalmente posso trabalhar com este tipo o resto da minha carreira, e fico feliz (risos). Mesmo enquanto pessoa... ele é muito divertido. Depois de dois dias já o considerava um bom amigo meu... o mesmo se passou com os outros tipos. Nós consideramo-lo um bom amigo. Ele é uma excelente pessoa.
Sentes que vocês estão presos neste estilo de música que criaram? Se alguma vez vos apetecer fazer algo de diferente, achas que as pessoas vão aceitar bem?
Acho que sim. Não podes agradar a toda a gente, e há sempre alguém que diz que gosta mais deste disco do que do outro, que temos que continuar a fazer música como nesta determinada faixa e coisas desse género. Mas acho que o que faz uma banda respeitada pela comunidade do metal é continuar a lançar discos sempre melhores, mas nunca lançar o mesmo disco - ter algo ligeiramente diferente, tentar algumas coisas novas. Acho que se estiveres feliz a tocar a música que tocas, isso transparece. E isso agrada às pessoas. As pessoas vêm e percebem que nós gostamos mesmo muito daquilo que fazemos. Acho que é isso que faz as grandes bandas.
Não tens medo de vocês não conseguirem superar os níveis de produção, execução e composição deste disco com o próximo álbum?
Nem por isso, porque este foi o nosso primeiro disco com o George. Eu sinto-me melhor agora do que alguma vez me senti, a trabalhar com o George. Desde a saída do Pete Hammoura que recuperámos algo com o George. Ele é completamente dedicado ao projecto. Nós estamos a conhecê-lo cada vez melhor, à medida que tocamos com ele ao vivo, à medida que tocamos com ele nos ensaios, à medida que nos vamos entrosando mais com ele... as ideias dele fluem a partir da bateria. Não sei, acho que o próximo disco vai ser ainda melhor nem que seja apenas porque vai ser a nossa segunda vez a trabalhar com o George... e possivelmente a nossa segunda vez a trabalhar com o Neil Kernon. Por isso acho que o próximo álbum vai ser ainda mais refinado, ainda mais selvagem.
Neste disco vocês têm muitas partes lentas no meio das músicas. Foi algo que vocês pensaram em fazer mesmo antes de começarem a compor para o disco, ou aconteceu naturalmente?
Muitas das músicas são compostas a partir das estruturas e do conteúdo das letras. As letras são escritas primeiro. Por isso depende sempre do que essa parte em particular da letra está a pedir. Se é muito rítmica e rápida, então é isso que fazemos; se é lenta e tem um tom seco, é para isso que apontamos a música. É o que tentamos fazer... pintar o quadro do que é Nile é basicamente traduzir as letras para música. Nós normalmente não temos um plano definido para além disso. É habitualmente assim que trabalhamos.

Então é mera coincidência o facto das músicas serem um pouco mais épicas desta vez...
Não sei. Acho que nós melhorámos enquanto músicos e compositores, e acho também que desta vez nos concentrámos bastante mais. Toda a gente. Não apenas o Karl e eu, mas também o George. Houve muita concentração, muita excitação, muita energia. A dada altura estava a atravessar algumas dificuldades na minha relação, por isso os únicos momentos de paz que tinha era quando estávamos a ensaiar (risos). E isso acabou por produzir uma vibração muito negra e energética no disco, com certeza.
É engraçado ligares-te tanto à tua música... deste modo, dentro de 20 anos podes ouvir este disco e identificar a altura da tua vida em que foi feito...
Exacto. Acontece o mesmo com outras coisas que eu oiço... alguma da música antiga que eu costumava ouvir em 1987 ou 1988, cada vez que a escuto agora lembra-me de situações desse tempo... de sair com amigos ou algo que se passou na minha vida enquanto ouvia essa música. É porreiro, não é?
É. Se a tua vida fosse um filme, seria um filme musical, certo?
Sim, exacto. Cada filme tem que ter uma banda-sonora (risos).
Nos últimos anos a vossa banda ganhou um estatuto de culto, e passou a ser mencionada ao lado de nomes como Cannibal Corpse e Morbid Angel. Sentes-te um veterano?
Mesmo antes de Nile, o Karl toca em bandas há mais de 20 anos. Eu toco há quase 20 anos também. Não sei... nunca olhei para mim nesses termos, e de certo modo sentimos que ainda não somos veteranos, excepto no que diz respeito à nossa dedicação ao metal. No que diz respeito a digressões, sinto que tenho alguma experiência nesse departamento, a tocar em bandas. Mas veteranos como Cannibal Corpse e Morbid Angel... talvez nem por isso, porque eles andam nisto há muito tempo mesmo, têm uma imensa legião de fãs. Não se consegue competir com isso... e eles continuam a trabalhar o máximo que podem pelo metal. Eu aprecio e respeito imenso o facto de poder sempre confiar que os meus irmãos do metal Morbid Angel e Cannibal Corpse vão continuar a editar discos e continuar a fazer digressões.
Então continuas a olhar para eles como ídolos, e não te sentes ao mesmo nível deles?
Vejo-os totalmente como ídolos, porque... especialmente os Cannibal Corpse e os Morbid Angel, porque quando o metal deixou de ser popular entre 1995 e 1997, eles pararam? Não - continuaram a lançar discos e continuaram a fazer digressões, sendo ou não sendo popular. Não comprometeram o som, não mudaram porra nenhuma neles. Eles acreditam na música deles, gostam da música que fazem, e não se importaram se é popular ou não. Terão sempre o nosso respeito.
E são as pessoas certas para vos influenciar, porque tenho a certeza de que os Nile fariam o mesmo, certo?
Sim. Nós tocamos metal porque gostamos de tocar metal. Gosto de tocar guitarra, gosto da maneira que me faz sentir, gosto do facto de ser um instrumento tão versátil. O meu objectivo pessoal, que quero atingir a tocar em bandas e a tocar em Nile, o que mais quero atingir é satisfação musical. Não é dinheiro, miúdas, drogas, carros rápidos ou merdas estúpidas dessas. Quero ter uma satisfação musical completa. Quando tocas uma parte e sentes as emoções a percorrerem o teu corpo... é por isso que o faço. Faço-o pela energia (risos).
Ainda ficas excitado com grandes digressões e festivais em que vocês participem?
Nos próximos tempos vamos fazer muitas digressões como cabeças de cartaz. Provavelmente durante o resto da carreira de Nile vamos fazer quase só digressões como cabeças de cartaz e muito menos digressões como bandas de apoio, porque sentimos que estamos a trabalhar num nível já suficientemente confortável. Não estamos a fazer um milhão de dólares, não estamos ricos nem nada disso - mas definitivamente sentimos que conseguimos já safar-nos sózinhos confortavelmente. E fazer sound-checks... porque para mim o mais importante é conseguir fazer o meu próprio sound-check (risos)... quero poder tocar na minha guitarra mais do que apenas uma vez por dia (risos).
E as digressões muito longas... ainda te sentes com forças para elas, ou quando passa de um mês já te sentes um pouco cansado?
Houve alturas no passado em que me queimei um bocado nas digressões, devido a situações das quais nem sequer quero falar. Agora, acabámos de fazer uma longa e difícil digressão aqui nos Estados Unidos com King Diamond... nós fizémos a digressão numa pequena carrinha, uma espécie de caravana, sem equipa técnica, durante cinco semanas (risos). Foi muito duro, fisicamente. Mas trabalhar com o Karl todos estes anos, e agora trabalhar com o George, fez-nos ter todos a mesma mentalidade em relação ao que queremos fazer. Eu diria que, agora mais que nunca, nunca mais me vou queimar em digressões. Existe uma energia positiva tão grande a fluir na banda neste momento... parece uma loucura (risos).
Os Behemoth chegaram a fazer essa digressão de King Diamond com vocês?
Sim, os Behemoth também participaram na digressão. Eles eram a banda de abertura. Nós já tinhamos feito uma digressão com eles no tempo do «...Shrine...», na Europa. São uns tipos fantásticos, têm uma grande banda, com uma excelente energia ao vivo. Quando vives com as mesmas pessoas durante cinco semanas, elas tornam-se quase parte da tua família. Estamos sempre a trocar e-mails (risos).
A digressão era de King Diamond, e vocês não têm assim um poder de escolha tão grande em relação às bandas que vão estar no cartaz, mas eu sei que vocês sugeriram os Behemoth, certo?
Mais ou menos. O que acontece normalmente é que, quando temos uma oferta para uma digressão, o nosso manager conta-nos, vê o que pensamos, e depois decidimos se queremos fazê-la. Estávamos curiosos para ver como seria uma digressão de King Diamond (risos)... e, por incrível que pareça, fiquei espantado com a quantidade de gente que arrasta. Havia muita gente para ver os espectáculos... os concertos eram muito grandes. Era uma boa oportunidade de alargarmos a nossa sonoridade a algumas pessoas que podem não ter estado expostas a Nile anteriormente. Foi porreiro. É normalmente assim que acontece, quando temos ofertas. Quando somos cabeças de cartaz podemos ter alguma coisa a dizer sobre as bandas, mas desta vez decidimos fazer esta digressão apenas porque sim, e por caso os Behemoth estavam também no cartaz, a tentarem também um pouco mais de exposição ao público de King Diamond... não fazemos nada que não queiramos fazer - acho que é isso que eu estou para aqui a tentar dizer (risos).

Tiveste oportunidade de ver as caras dos fãs de King Diamond nos concertos, que não vos conheciam, quando vocês começaram a tocar?
Sim. Tenho sempre que tomar atenção ao que se está a passar ali à minha frente, para o caso de um tipo maluco qualquer subir ao palco e partir a minha guitarra. Por isso tenho que estar sempre atento ao público de qualquer modo... o problema é que eu acho que havia ali muita gente que gosta de power e de thrash metal; eles respeitam a musicalidade do death metal, mas não gostam das vocalizações. É isso que os mantém afastados, porque muita gente gostaria se não fossem as vocalizações. Mas está tudo bem, eu compreendo-os até certo ponto. Eu gosto de tudo - desde vozes limpas a vozes death metal. Havia muita gente que estava nos espectáculos para ver todas as bandas, e isso foi muito porreiro. Diria mesmo que a maioria das pessoas estava lá para ver todas as bandas. Nós fizémos alguns novos fãs claro - havia muita gente a vir ter connosco com t-shirts de King Diamond para comprar as nossas coisas. E, claro, aparecem também pessoas nos message-boards que nos odiaram absolutamente (risos). É assim, não podes fazer toda a gente feliz.
Uma das vossas imagens de marca são as vossas influências étnicas. Até que ponto a música étnica entra na tua lista de música pessoal hoje em dia?
Ultimamente, não muito. Tenho ouvido coisas como o novo de Immolation... coisas desse género. Tenho ouvido muito metal ultimamente... tenho ouvido muitos discos antigos de Fates Warning, Metal Church... basicamente, só tenho ouvido metal ultimamente. Também gosto de blues e de rock clássico. No que diz respeito à música étnica, não oiço nada há já algum tempo... talvez os CD's de meditação do Karl, que eu escuto de tempos a tempos (risos).
- Desire, The Firstborn, Corpus Christii, In Tha Umbra, Goldenpyre, Theriomorphic, Fungus e Necrose ao vivo no Centro Cultural da A.D.R., em Mexilhoeira da Carregação (Portimão) - 17.00h
- Varukers, Decayed, Pitch Black, Alien Squad e Mad ao vivo em Campolide (Lisboa) - 18.30h
- Painstruck, Spitout, Sink e Tragic Comic ao vivo em Picaria do Carvalho, na zona ribeirinha de Benavente - 21.00h
- Oratory, Ethereal, In Her Self e Face Off ao vivo em Painho (Cadaval) - 21.30h
- Skyclad, Evadne e Ho-Chi-Minh ao vivo no Auditório Exterior da Casa da Cultura de Beja - 22.00h
- Opus Draconis e Echoes Of The Fallen Messiah ao vivo no Bar Ar de Rock, em Alcaria (Porto Mós) - 22.30h
- Rome Nine Roses e Phantom Vision ao vivo no Rock House Café (Alenquer) - 00.00h
- Kickhunter e Arya ao vivo no Clube das Ancas, em Ancas (Anadia)
- Easyway, Aside, Devil In Me, Excise e Define Control ao vivo no Cartaxo
- Ferro & Fogo ao vivo no TDV Bar, em Torres Vedras

Death Comes In 26 Carefully Selected Pieces CD
Osmose Productions
Há bandas feitas para tocar ao vivo, e outras que nem por isso. Os Impaled Nazarene seriam sempre uma banda da primeira categoria, com ou sem o material explosivo que editaram ao longo dos quinze anos de carreira que celebram este ano, com ou sem a bomba-humana que têm como vocalista, com ou sem as influências punk que o seu metal extremo não consegue disfarçar. «Death Comes In 26 Carefully Selected Pieces» mostra um caos extremo mas calculado e controlado, sobretudo em termos sonoros e técnicos, enquanto que o agitador de massas (agora chamado) Sluti666 vai debitando uma das mais furiosas prestações vocais a que é humanamente possível assistir. Clássicos como «Goat Perversion», «Motorpenis», «Let’s Fuckind Die», «Sadogoat» ou «Total War – Winter War» coabitam ao lado de faixas do novo disco «All That You Fear» sem qualquer tipo de quebra de energia ou qualidade musical. São 26 faixas, como o título indica, mas podiam ser muitas mais – afinal, nessa noite os Impaled Nazarene estavam a jogar em casa, no Tavastia Club da Finlândia, tinham um som poderoso e a energia dos guerreiros nórdicos com eles. Resultado: uma noite, um concerto e um disco histórico de – e vou citar a editora aqui – “incrível performance ao vivo”. Um disco absolutamente essencial para os fãs do black-punk-metal prevertido dos Impaled Nazarene, completo com letras e fotos do concerto. Todos os discos ao vivo deveriam ser assim. (8/10)
A banda finlandesa de death metal melódico Insomnium está neste momento em composição para aquele que será o seu terceiro álbum de originais, a editar no início de 2006.
Os australianos Vanishing Point estão de regresso para este ano de 2005. «Embrace The Silence» é o terceiro álbum de originais da banda, e foi já editado pela Dockyard 1.
- Secrecy ao vivo no Café-Teatro de Viana do Castelo - 22.00h
- Corpus Christii e Flagellum Dei ao vivo no Jinx Bar, no Bairro Alto (Lisboa) - 22.30h
- Prime e Snuffle ao vivo no Bar Porto Rio (Porto) - 22.30h
- Probation, Reset e Ho-Chi-Minh ao vivo no RockHouse Café (Alenquer) - 23.00h
- Kickhunter e Arya ao vivo no Satori Bar (Loulé)
- Angriff ao vivo em Molelos (Tondela)
- Primitive Reason e Undercut ao vivo no Auditório Exterior da Casa da Cultura, em Beja
- Ferro & Fogo ao vivo na Concentração Motard de Marrazes (Leiria)

Demising Grace Demo-CD
Auto-financiada
Em apenas três anos de existência, os Process Of Guilt já tiveram tempo para deixar uma excelente promessa com a demo de estreia «Portraits Of Regret» e, agora, de confirmar o que de melhor se esperava deles com esta segunda demo. Ao contrário do que acontece com os Desire, o doom metal melancólico do colectivo alentejano não baseia a sua essência no elemento trágico – antes, aplica influências death metal numa sonoridade abrasiva, lenta e com uma melodia triste potenciada pelos leads de guitarra, na tradição das grandes bandas de doom metal. A grande novidade de «Demising Grace» é que os Process Of Guilt se aproximam, tanto em termos artísticos como líricos – e até de produção sonora – do que melhor o estilo tem para oferecer, com riffs lentos e arrastados, plenos de melancolia e tristeza, com uma voz num tom bem baixo, alternada por tons limpos de lamentação. Os cinco longos temas da demo são ainda enquadrados por excelentes teclados, que cumprem o seu papel sem roubar o protagonismo principal à voz e guitarras. E depois os leads das músicas – meu deus, que leads! – são dos melhores que o doom metal europeu já teve oportunidade de assistir, e representam, justamente, a grande imagem de marca desta banda que, cada vez mais, está a mais no lote de grupos sem contrato discográfico. Apesar de não acrescentarem grande coisa a uma cena que já tem bandas como Morgion, November’s Boom ou Mourning Beloveth, os Process Of Guilt começam a sobressair no underground pela sua competência artística e por um vulgar sentido melancólico a que as desertas paisagens alentejanas e aquele imenso e esmagador céu estrelado não serão alheios. Alguém assina esta banda, se faz favor? (8/10)
Eis a lista dos próximos lançamentos da editora alemã AFM Records:
27.06 - «24/7» EP, de U.D.O.
27.06 - «MetalMorphosis» CD, de Tarantula
22.08 - «Inventor Of Evil» CD, de Destruction
03.10 - «Mission No. X» CD, de U.D.O.
03.10 - «Fat, Ugly And Still Alive» DVD, de Tankard

Os End Of Green terminaram finalmente a gravação do seu próximo álbum, «Dead End Dreaming», que decorreu no Mastersound Studio, em Fellbach, com Alex Krull (Atrocity, Leaves' Eyes) na produção. O disco será agora lançado no dia 22 de Agosto, via Silverdust Records.
Os alemães Gilrs Under Glass, uma das melhores e mais antigas bandas de darkwave da Europa, apresentam-se em Portugal ao vivo no próximo dia 18 de Junho no Hard Club, em Gaia. Como convidados na primeira parte, estarão os holandeses Grendel. O concerto começa às 21.00h e os bilhetes custam Eur 15.00 em venda antecipada (Eur 18,00 no próprio dia).
Os Gorerotted vão ser convidados especiais dos Decapitated na digressão europeia que a banda vai fazer no mês de Setembro. Vão ainda ser acrescentadas mais duas bandas, ainda a anunciar, ao cartaz desta digressão.
A banda de post-hardcore francesa Overmars acabou de editar o álbum «Affliction, Endocrine... Vertigo» numa edição de LP-duplo em gatefold através da Alchimia Recordings, em apenas 500 cópias. O disco vai estar apenas disponível em espectáculos do grupo ou através do mail alchimia.inc@free.fr. Os Overmars têm disponível no seu web-site para download gratuito uma gravação ao vivo do tema «En Mémoire des Faibles qui ont Survécu à Darwin».
Os belgas Death Before Disco assinaram um contrato discográfico com a editora Dockyard 1. O disco de estreia, «Party Bullet», apresenta um post-hardcore na onda de bandas como Deftones, Cave In, Thursday ou Thrice.
Os americanos Changes preparam-se para actuar ao vivo em Portugal, na Quinta da Regaleira, em Sintra, no dia 12 de Novembro, juntamente com alguns convidados ainda a anunciar. O bilhete custará Eur 20,00, e inclui uma edição da Terra Fria especialmente feito para a ocasião. Reservas de bilhetes no site da Terra Fria.

Depois de sepultar uma das mais originais bandas de viking metal dos últimos 10 anos - os Mithotyn - o guitarrista Stefan Weinerhall encetou uma nova viagem musical com o projecto Falconer, com ponto de partida no folk-heavy-metal de «Falconer» em 2001 e ponto de chegada com o novo «Grime Vs. Grandeur», um disco de puro power/heavy metal melódico e épico. Para trás, fica o excelente «Chapters From A Vale Forlorn» e «Sceptre Of Deception», um complexo e intrincado disco conceptual que parece ter sido de difícil digestão para os fãs e para a própria banda. A propósito de «Grime Vs. Grandeur», a Feedback falou com Stefan Weinerhall, senhor sueco da melodia que, afinal, não gosta de solos de guitarra.Texto: Fernando Reis
Tu não pareces muito satisfeito com o vosso álbum anterior. Isso foi uma espécie de motivação para este disco?
Sim, julgo que sim. Eu queria ter uma espécie de vingança pessoal do último disco, e acho que isso me motivou bastante para fazer música boa para este.
Quando falas de vingança, a que te referes?
Eu sei que posso fazer melhor do que fiz no «Sceptre Of Deception». Acho que o conceito lírico desse disco é bom, mas que retirava demasiada atenção à música, o que fez com que o álbum não resultasse tão bem quanto deveria ter resultado. Agora queria provar-me a mim mesmo que consigo fazer boa música (risos).
Estás totalmente satisfeito com o resultado final deste disco?
Sim. Não tenho nada de que me queixar. Apenas gostava que tivessemos oportunidade de ficar em estúdio por mais umas duas semanas, porque queríamos gravar também uma balada acústica, e não tivemos tempo para o fazer. Tirando isso, acho que não há nada que pudesse ter sido feito melhor. Por isso, estou muito muito satisfeito com o disco.
Isso é um bom sinal, especialmente quando mudaste de guitarrista e de baixista antes da gravação do álbum...
Sim, mas acho que ambas as mudanças ocorreram para melhor, porque aos primeiros três álbuns de Falconer faltam solos de guitarra realmente bons. E agora finalmente temo-los. Acho que isso é um extra para este novo álbum.
Porque é que não gostas de fazer solos de guitarra?
Porque não sou assim tão bom guitarrista (risos). E também não tenho motivação para me tornar um bom guitarrista. Prefiro concentrar-me em escrever música. A guitarra não é para mim... eu não tenho paciência para ensaiar assim tanto. Não acho assim tão divertido ensaiar escalas rápidas para cima e para baixo... eu apenas faço melodias, é essa a minha especialidade.
Então foi um alívio teres encontrado o Jimmy e delegares essa responsabilidade nele...
Sim, exactamente. Ele adora fazê-lo, fá-lo, e eu não sabia como fazê-lo. Assim posso concentrar-me em fazer o meu material o melhor possível.
Então agora, com tudo no sítio no alinhamento da banda, este álbum é exactamente aquilo que tu querias de Falconer?
Sim, é mais o que eu queria de Falconer nesta altura. Não creio que quisesse fazer este álbum exactamente em 2001, por exemplo, porque estava musicalmente noutro sítio, por assim dizer. Para esta altura, acho que é o álbum perfeito para Falconer. Vamos ver como soamos daqui a, digamos, quatro anos.
Pode então dizer-se que a direcção musical de Falconer segue a tua evolução musical pessoal, certo?
Sim, está certo. Sou eu quem escreve cerca de 80% do material e, por isso, os meus gostos mandam na banda, claro (risos).

Foi por isso que deixaste cair algumas das tuas influências folk até ficares apenas com poucas referências a esse estilo de música neste disco?
Não. Eu não queria deixar cair as influências folk - apenas aconteceu. Acho que foi por causa da nova formação. Com a nova formação, sentimo-nos muito intensos e energéticos, e isso acabou por reflectir-se também na própria composição. No próximo álbum acho que vão haver mais influências folk de novo porque agora, pela primeira vez, vou poder concentrar-me em levar a música numa determinada direcção. E essa direcção vai ser um som mais virado para o folk.
Não estando tu preocupado com isso neste disco, provavelmente o Kristoffer teve algum espaço para colocar as suas próprias influências também nas músicas...
Basicamente, eu não gosto assim tanto de escrever letras, e eu sei que ele gosta. Então deixei-o escrever um par de letras, e de repente ele apareceu com uma música inteira. Eu acho que isso é uma maneira muito boa de trabalhar, porque assim posso concentrar-me em fazer a minha música tão boa quanto possível em vez de me concentrar em fazer letras, que eu não tenho assim tanto interesse em fazer.
Esse modo de trabalhar dá-vos uma personalidade especial enquanto banda: a música é power metal melódico, enquanto as letras são sarcásticas e sobre assuntos reais, tipo Skyclad...
Sim, tens razão. Acho que até agora tudo o que o Kristoffer escreveu é baseado em algo que eu lhe disse. Eu posso escrever uns dois versos sobre um tema específico e depois dou-lhos para ele os acabar. Então, ele tem esse assunto para desenvolver. E são esse tipo de letras que têm mais significado para as pessoas, em vez de apenas escrevermos sobre dragões e espadas e coisas dessas, que não significam exactamente nada. A nossa abordagem é mais do senso-comum, por assim dizer, em vez de contos de fadas e fantasia.
Tu disseste numa entrevista recente que a «I Refuse» é uma das tuas músicas favoritas deste álbum...
Uma das minhas favoritas, sim. Mas a melhor música é a «Humanity Overdose».
Será que vai haver mais material lento como a «I Refuse» no próximo disco?
Ainda não pensei nisso até neste momento. Até agora, as músicas do próximo disco são mais numa onda mais Falconer tradicional. Mas ainda pode uma música de rock'n'roll ou uma música realmente muito pesada no próximo disco. Mas ainda não tenho nada nesse estilo, até este momento.

É estranho falares de um estilo "tradicional" de Falconer, quando eu nunca sei o que esperar de vocês no disco a seguir!
(risos) Sim, talvez tenhas razão. Música tradicional de Falconer - só isso. O que seja que ela for.
As influências folk estão mais na última parte deste disco, não estão?
Sim. Essa foi uma das últimas músicas que eu fiz. Uma das músicas que escrevi foi a «Power», por exemplo, que não tem quase nada a ver com Falconer... e nessa altura pensei "OK, este álbum precisa de uma música com o 'verdadeiro' som de Falconer. O 'velho som' de Falconer". Foi por isso que fiz a «Child of the Wild».
Quando colocas uma música como essa na última faixa, deixas-nos a pensar se o próximo disco não será um regresso ao 'velho' som de Falconer...
Sim, tens alguma razão. Espero que a tua premonição não seja em vão...
"Esperas"!?
Eu sei!
... É como se a música viesse até ti, e não fosses tu a criar a música...
Sim, a maior parte dela é assim. Eu não me esforço para escrever música... espero até ter uma ideia, em vez de forçar-me a ter uma ideia. Porque quando forço uma ideia a música acaba por não ser tão boa quanto deveria ser. É melhor esperar até ter uma ideia, e depois escrever sobre ela.
Hoje em dia grande parte do sucesso comercial de um disco depende de estratégias de marketing e da imagem de uma banda... vocês gravaram um vídeo para o tema «Emotional Skies». Sentes saudade do tempo em que a música era suficiente para promover um disco, ou achas que as coisas estão melhores agora?
Acho que é mais ou menos a mesma coisa, apesar de eu não estar assim tão envolvido na cena actualmente. Nós fizémos o vídeo de uma forma amadora, por isso não creio que vá estar sobre-produzido. Nós fizémos o vídeo com os nossos próprios meios... é claro que se ficar bom, pode ser que passe em algumas televisões. Mas é claro... a música é 95% da importância de uma banda... o resto é apenas maquilhagem.
Deve ser divertido gravar um vídeo, mas hoje em dia é quase uma obrigação. Se não gravares um vídeo, não estás a fazer toda a promoção possível por um álbum...
Sim, tens razão. Mas se queres fazer um vídeo, tens que gastar pelo menos Eur 4.000. E eu não vou fazer isso pessoalmente. Teria que ser a Metal Blade a fazer isso, e eles não o querem fazer. Foi por isso que fizémos um vídeo 'na brincadeira', por assim dizer...

Achas que, de certo modo, foi melhor a Metal Blade não o fazer, porque teria sido uma pressão sobre as vendas do álbum, para pagar o investimento?
Há um aspecto positivo e um negativo, penso eu. O aspecto positivo é que mais pessoas vêm o vídeo, e se o vídeo for bom as pessoas pensam que a música também é boa. É por isso que a MTV vende tantos álbuns - porque os vídeos prometem mais do que as músicas podem muitas vezes oferecer. Por isso é sempre muito boa promoção, se o vídeo for bom. Por outro lado, acho que se a Metal Blade produzisse um vídeo para cada uma da bandas, os programas de metal ficariam sobrelotados. Mas claro - se fizessem um vídeo apenas para Falconer, isso seria o melhor (risos). Mas isso não vai acontecer.
E não te sentirias pressionado?
Creio que não. Mas é claro, sem passar por essa situação não serei capaz de te dar uma resposta precisa.
Tenho notado que os Mithotyn têm cada vez mais um estatuto de banda de culto. O que pensas disso?
É bom o facto das pessoas apreciarem o que fizeste no passado, mas acho algo estranho esse tipo de apreciação não acontecer quando tinhamos a banda. De repente, três anos depois da banda morrer, toda a gente gosta de Mithotyn. Isso é algo bizarro (risos). Eu não quereria tocar o material de Mithotyn de novo - eu mudei.
Achas que todo esse interesse deriva do facto da banda ter desaparecido?
Sim, acho que sim. Há mais interesse devido ao facto de já não estar a lançar nada de novo. É por isso que o Elvis ainda é tão grande... porque morreu. Se agora tivesse 73 anos, não seria tão grande.
- Paradise Lost, Society 1 e Orphaned Land ao vivo no Hard Club (Gaia)
- Ferro & Fogo ao vivo no Musicafé, em Montemor-o-Novo (Évora)

Atavism CD
Cruz Del Sur Music
A música dos americanos Slough Feg atravessa transversalmente vários conceitos que, todos juntos, aplicados ao metal, funcionam como um dínamo que faz desta uma das mais especiais bandas do heavy metal actual. Primeiro, o conceito de folk-metal: os Slough Feg assumem as suas raízes celtas, apesar de americanos, e não se inibem de exibi-las em influências vocais ou líricas; depois o conceito de ‘true-metal’: guitarras gémeas, som directo, riffs pesados mas com sentido de melodia muito ‘thrashy’ e grandes solos; finalmente o conceito ‘sci-fi’: letras que misturam o futuro com um passado alternativo, num universo e artwork muito próprios e originais. Depois de três discos, os Slough Feg movimentam-se relativamente bem na ‘sua’ sonoridade e é isso que «Atavism» nos traz, embrulhado numa produção um pouco mais directa do que no último «Traveller», mas igualmente perceptível e, sobretudo, cheia do brilho sónico que faz lembrar o melhor heavy metal dos anos 80, o que fica sempre bem num lançamento de Slough Feg. Ao longo dos 14 temas do disco, a banda de Mike Scalzi transporta-nos por alguns temas tipicamente Slough Feg e por algumas experiências novas, como uma face acústica da banda ou momentos épicos mais frenéticos do que aquilo a que nos habituaram nos discos anteriores. A abordagem lírica continua a representar uma importante parte nas músicas do discos... desta vez somos presenteados com uma série de momentos que nos colocam à frente os homens primitivos a enfrentarem algumas situações do presente. É desta sopa que vivem os melhores momentos de Slough Feg: grandes texturas musicais de ‘true’ heavy metal de guitarras-gémeas, composição épica polvilhada por influências celtas, grandes solos e um intrincado conceito a unir as letras. «Atavism» é Slough Feg no seu melhor, e uma excelente oportunidade para ouvir heavy metal totalmente oposto ao comercialismo que impera na cena actual. (8/10)
Os russos Mind Eclipse editam este mês o seu segundo álbum de originais, chamado «Utopia: Formula Of God», através da Great White North. A banda de black/death metal tem sido muito comparada a Behemoth e Morbid Angel, e é uma das grandes esperanças do underground russo actual.
Os mestres máximos do rock progressivo português - Forgotten Suns - vão realizar uma mini-digressão nacional no mês de Julho para promover o seu mais recente álbum, «Snooze». Eis as datas e locais:
03.07 - Auditório Fernando Pessa (Chelas, Lisboa) - 21.30h
09.07 - Telheiros Bar (Pegões) - 23.00h
10.07 - Instituto Português da Juventude (Parque das Nações, Lisboa) - 21.30h
14.07 - Wall Street Bar (Paço D'Arcos, Oeiras) - 23.00h
16.07 - Teatro da Mala Posta (Odivelas) - 21.30h
17.07 - Instituto Português da Juventude (Parque das Nações, Lisboa) - 20.30h
23.07 - Rock House Café (Alenquer) - 23.00h
Os açorianos Morbid Death vão celebrar o 15.º aniversário de carreira no próximo dia 1 de Agosto com um concerto ao vivo, juntamente com Moonspell, no Coliseu Micaelense, em Ponta Delgada, na Ilha de S. Miguel (Açores).
... É o nome de um festival que vai decorrer em Estugarda, Alemanha, no dia 3 de Setembro deste ano. Vai contar com actuações de bandas como Disillusion, Pungent Stench e Secrets Of The Moon, entre outras. Mais informações aqui.
É já no próximo sábado, dia 4 de Junho, que se realiza a quarta edição do festival Algarve em Chamas, este ano com participação de Desire, The Firstborn, Corpus Christii, In Tha Umbra, Goldenpyre, Theriomorphic, Fungus e Necrose. O festival decorre no Centro Cultural de A.D.R., em Mexilhoeira da Carregação, junto a Portimão. O início está previsto para as 17.00h, e a entrada custa Eur 5,00.
A banda de rock finlandesa Flaming Sideburns vai actuar em Portugal no próximo dia 8 de Junho, no Bar Porto Rio, na zona ribeirinha do Porto. A primeira parte estará a cargo dos portugueses Bunnyranch.
Durante os próximos dias os Rome Nine Roses têm disponíveis no seu site quatro temas da demo de estreia da banda para download gratuito. Saquem-nos aqui (secção 'music').
Depois da digressão com Samesugas em Portugal e Galiza, os Anti-Clockwise preparam-se agora para voltar ao estúdio, para gravarem aquele que será o terceiro álbum de originais da banda. No dia 30 de Julho, o grupo toca ao vivo no Satori Bar, em Loulé.
O Festival do Ermal deste ano decorre entre os dias 24 e 26 de Junho, e o dia dedicado às sonoridades mais pesadas é precisamente o primeiro. Nesse dia, actuarão os Blasted Mechanism, Clawfinger, Grave e Unleashed. As portas abrem às 15.00h, com o início dos concertos marcado para as 17.00h. Os bilhetes de um dia custam Eur 25,00, enquanto que os de três dias ficam a Eur 45,00. O bilhete de três dias inclui direito a campismo gratuito.
O site oficial das norueguesas Octavia está finalmente a funcionar. Visitem-no aqui.
No dia 10 de Junho os Mata-Ratos vão gravar um vídeo-clip para o seu já mítico tema «O Gang das Batinas». O vídeo vai ser rodado em Castelo Branco, e a banda convida todos os fãs, 'padres, freiras, jeovás e companhia' para aparecerem.
Os alemães Iron Savior, de Piet Sielk, estão neste momento em fase de composição para o seu próximo álbum de originais. O sucessor de «Battering Ram» deverá ser editado no início de 2006.
Os The SymphOnix apresentam-se ao vivo no próximo dia 18 de Junho no Contemplarte Bar, em Joane, e no dia 23 de Junho nas Festas da Vila do Lordelo, em Lordelo.
No dia 22 de Outubro o projecto americano Waldteufel actua em Portugal, na Quinta da Regaleira, em Sintra. Como convidados, actuarão os austríacos Allerseelen e os portugueses Wolfskin. Os bilhetes custam Eur 20,00 e dão direito a uma edição da Terra Fria especialmente preparada para a ocasião. Os bilhetes estão limitados às reservas, que podem ser feitas através do site da Terra Fria.
- Paradise Lost, Society 1 e Orphaned Land ao vivo no Paradise Garage (Lisboa)

In Tormentata Quiete CD
Dawn Of Sadness
Apesar da cena italiana ter perdido algum terreno nos últimos anos em termos de protagonismo no metal europeu, a generalidade do mercado local continua a produzir exclentes bandas, publicações e editoras de todos os estilos com uma regularidade invejável. Os In Tormentata Quiete são os jovens representantes de um estilo muito caro aos italianos, que fica exactamente a meio caminho entre o metal gótico e o black metal. Esta estreia revela um octeto (duas guitarras, três vozes, teclados e secção rítimica) bem oleado que, apesar de ainda demasiado agarrado a algumas das influências, se esforça – e consegue – dissipar comparações directas devido a uma composição ecléctica, variada e com algum do tradicional bom gosto italiano. A música de «In Tormentata Quiete» é assente num metal gótico onde o som das teclas subjuga as duas guitarras mas é sujugado pela constante dinâmica das três vozes – limpa masculina, gótica feminina e uma voz muito ‘blackish’ que recupera os tons agudos de Dani Filth. Com estes elementos, a banda italiana apresenta nove temas cuja teatralidade não anda longe dos compatriotas Theatre des Vampires, mas cuja variadade lhes permite socorrerem-se de passagens de guitarra acústica ou momentos mais pop-gótico a la Joy Division como na última faixa. Em termos gerais trata-se de uma estreia interessante, mas que fica algo longe do deslumbre devido à falta de sinergia entre algumas partes diferentes das músicas e, sobretudo, devido a alguma falta de experiência que, estou em crer, pode ser debelada num próximo disco e – aí sim – teremos os In Tormentata Quiete em toda a sua potencialidade. (6/10)
No passado dia 30 de Maio foi editado o álbum «Purity: The Darwinian Paradox», dos ingleses DAM, que conta com participações de Rob McAuslan (Labrat), Jason Netherton (Misery Index), Mike Harrison (Kommissar, ex-Misery Index, Psychotogen), Ben Goreskin (Gorerotted) e Paul Scanland (ex-Akercocke). Escutem samplers aqui e aqui.
Os Mata-Ratos actuam ao vivo na Concetração Motard de Viseu deste ano, que decorre no dia 27 de Agosto.

Os gothic-rockers Secrecy apresentam o seu novo álbum, «Beneath The Lies», ao vivo no Café-Teatro de Viana do Castelo na sexta-feira, dia 3 de Junho, a partir das 22.00h.
Eis a programação de concertos no Rock House Café, de Alenquer, para os meses de Junho e Julho:
03.06 - Rock ao Rubro II (4.ª eliminatória) - Probation, Reset e Seven Stitches
04.06 - Phantom Vision e Rome Nine Roses
09.06 - Tambor
10.06 - Rock ao Rubro II (meias-finais) - Process Of Guilt, Call To Power + banda a designar
11.06 - Sannedrin, The Ladder e Formaldehyde
17.06 - Rock ao Rubro II (meias-finais) - God, Dr. Salazar e banda a designar
18.06 - Jaimão
24.06 - Rock ao Rubro II (final) - com bandas a designar
25.06 - Chemistery e Sugar Baby Condom
01.07 - Dark Ritual Fest II - Desire, Enchantya e Inherself
02.07 - Dark Ritual Fest II - Theriomorphic, Black Widows e banda a anunciar
08.07 - Mau (Man And Unable)
09.07 - Noctívagus e The Dead Poets
15.07 - Mephisto e Dispatchnote
16.07 - Negative e Square
22.07 - Divine Lust e Masque Of Innocence
23.07 - Forgotten Suns
Os italianos Ataraxia vão aliar-se aos Autunna et sa Rose num digipack duplo chamado «Odos Eis Ouranon» (O caminho para os céus), que conterá versões para piano, guitarra acústica e voz de temas antigos (re-arranjados) e alguns inéditos. A edição está prevista para este mês de Junho, e é limitada a 2.000 cópias. Entretanto, os Ataraxia editarão em Julho «Arcana Eco», numa caixa que conterá um livro de fotos de 164 páginas e uma digi-box com um CD. O livro, da autoria de Ferrucio Filippi, conta com fotos de Livio Bedeschi e representa uma espécie de viagem musical dividida em seis capítulos: rocha, água, passagens, sonho, contemplação e luz. O livro incluirá também uma entrevista exaustiva com a banda, várias obras de Francesca, letras de músicas e uma discografia completa da banda (entre álbuns e compilações), entre outras coisas. Haverá duas versões de «Arcana Eco»: uma em italiano e outra em inglês.
«Enter The Mighty Theriomorphic», o álbum de estreia dos portugueses Theriomorphic, vai finalmente ver a luz do dia. Gravado e misturado no segundo semestre de 2004, o disco vai ser editado pela Exorcize Music, a mesma que lançou o último álbum dos Goldenpyre. O lançamento está previsto para dia 18 de Julho.
No dia 24 de Setembro o americano Boyd Rice actuará ao vivo na Sala do Gerador da Quinta da Regaleira, em Sintra. A primeira parte estará a cargo do projecto português Stalker Vitki. As entradas custarão Eur 20,00, e dão direito a uma edição da Terra Fria especialmente preparada para o efeito. Para celebrar a data, a Terra Fria está também a preparar um livro com textos de Boyd Rice e M. Janeiro, que será bilingue. A sessão de lançamento deste livro vai ser limitada a quem fizer reserva do bilhete para o concerto, e vai decorrer na Sala do Gerador da Quinta da Regaleira no dia 24 de Setembro pelas 15.00h. Como este lançamento ocorre durante o horário de funcionamento da Quinta, quem se deslocar ao local terá que pagar entrada - Eur 5,00.
O álbum de estreia do projecto Timeless - constituído por Miguel Corte Real de Arya, Paulo Martins de Ramp, Ricardo Fernandes de Marvel, Rui Santos de Oratory e Marcus Grossknopf de Helloween - está já em trabalho de mistura, na Alemanha. No dia 15 de Junho a banda actuará ao vivo no Festival de Anadia, numa pré-apresentação ao vivo do disco. Entretanto, Miguel Corte Real participou como convidado no novo disco dos espanhóis Sabatan, que será editado em breve.

Os Pitch Black estão a organizar uma excursão do Porto para o Old-School Punk Metal Fest, que se realiza no dia 4 de Junho (ver cartaz). O preço da excursão é de apenas Eur 10,00, a que acresce o preço do bilhete (Eur 12,00). Quem estiver interessado pode contactar a banda através do mail: info@pitch-black.us

Há já algum tempo, que a banda da Amadora se tem vindo a afirmar como o maior projecto português da cena electro-goth. E se isso, por isso só, não bastasse para gerar as vintes perguntas da nossa entrevista, adicionámos a motivação do último álbum lançado, «Calling The Fiends» e aproveitámos ainda para falar do passado e presente do underground, do contacto estabelecido com a Paramount Pictures, do clube de fãs russo, das gravações e da concretização do clip, da colaboração com a Sic Filmes e de muito mais. A terminar, cada elemento expôs-se ao desafio da Feedback em realizar um top-ten dos ‘álbuns das suas vidas’.
Por: João Matos
Fotos: Jorge Lourenço
Para quem, por algum estranho motivo, ainda não vos conhece, apresenta em traços gerais a vossa génese e pretensões.
Morcego: A nossa formação actual é composta por três elementos, eu continuo na voz e nas programações, o Pierre Dumond nos teclados e maquinaria e o André Joaquim nas guitarras e baixo. Somos um projecto de underground nacional que aposta na continuação e transformação de formatos musicais assentes em conceitos de cultura alternativa, sem rótulos definidos, com uma abertura traduzida na natural diversidade estética que compõe os gostos dos diferentes elementos.
Este é já o vosso terceiro álbum lançado. Como é que estão as coisas em termos editoriais? Sei que através da COP firmaram um contrato com a Paramount Pictures... isso é algo de muito inesperado, não é?
Dumond: Em termos editoriais o nosso trabalho continua regular. Conseguimos uma boa relação de trabalho com a COP, o que nos tem permitido evoluir bastante musicalmente. Este novo trabalho é uma reacção directa a toda a liberdade que nos é dispensada pela editora. O resultado óbvio foi o contacto estabelecido pela gigante Paramount com a finalidade da aquisição dos direitos sobre temas nossos para posterior utilização numa série televisiva. A COP desempenhou um papel preponderante na mediação de todo este processo.
Como é que, na altura de «Nocturnal Frequencies» chegaram a acordo com a COP?
Dumond: A COP revelou-se uma excelente escolha e oportunidade numa altura em que, por motivos alheios à banda, todo o nosso trabalho parecia estrangulado. Havia uma real necessidade de mudar e evoluir, e, em todo este processo a COP foi a nossa escolhida. É de certa forma, assim que pretendemos continuar.
Nessa altura ainda havia um certo teor de projecto a solo transformado em banda, não havia? Hoje os Phantom já funcionam mais como uma banda democrática? Ou por um lado a continuidade passa pela inspiração do fundador P. Morcego?
Dumond: Penso que se trata de uma ideia errada. Nunca foram colocados em causa os valores democráticos no seio deste grupo. Quando seleccionamos os melhores temas, não nos passa pela cabeça o mérito pessoal de quem os fez, mas sim a mais valia que eles trazem ao projecto. A decisão passa por todos nós como um todo existindo em cada tema um pouco de cada um. "Calling the Fiends" é um bom exemplo disso mesmo.
Depois de uma fase mítica de ‘sucesso lisboeta’ em que toda a gente conhecia os Electric Wet Dreams, porque é que decidiram mudar de nome? Foi imposto pela editora? Em que medida?
Dumond: Ahhh!...a eterna pergunta... Electric Wet Dreams é a nossa raiz, sempre o foi e sempre o será. Infelizmente certas culturas atribuem-lhe um significado perjurativo, o que poderia não ser benéfico para nós numa fase em que nos apresentávamos ao mundo em geral. Para além disso as nossas sonoridades começavam a caminhar para novos conceitos. Phantom Vision é, portanto, uma evolução e não a renúncia dos Electric Wet Dreams.

Como é que vês o passado, o presente e o futuro do nosso ‘meio’?
Morcego: Não querendo cair no eterno choradinho, não posso no entanto deixar de lamentar quer a situação presente quer a que antevejo para o futuro próximo, relativamente ao tratamento da cultura em Portugal, reflectindo-se de forma acrescida nas áreas mais alternativas e particularmente no campo da música. Em relação concretamente ao nosso ‘meio’, e partindo do princípio que estamos a falar da cena dark/underground, tenho a percepção de que o presente e até mesmo o futuro não são particularmente negativos. Bom, se atendermos em particular à cena nacional, constatamos de facto, nomeadamente no aspecto qualitativo, que esta é tendencialmente inexistente e dramaticamente inerte, apática e vazia. Já relativamente às correntes internacionais que subsistem em alguns países chave, não só europeus como marcadamente um pouco por todo o mundo, essas na verdade trazem alguma esperança não só de recuperarmos um passado glorioso e coerente como quem sabe ganharmos-lhe algum terreno no aspecto da autenticidade, condição necessária à formação e/ou reformulação dos formatos constitutivos da génese da onda musical que nos movimenta e que representamos. Quanto ao nosso passado, embora glorioso e inspirador, não deve no entanto transformar-se na sombra espiritual da qual dependem as fórmulas exclusivas da sobrevivência do meio. Esse seria um erro fatal que nos levaria a uma estagnação auto-mutiladora obviamente indesejada. Cada um de nós deve contribuir criativamente para a evolução saudável de todo o processo de sobrevivência ávida do movimento underground que, acredito, tem a característica de ter um espaço intemporal na nossa sociedade. O futuro não tem por isso que ser igual ao passado - pode e deve ser diferente. A questão reside invariavelmente na fórmula para essa diferença...
É certo que o passado gozava da insubstituível vantagem de toda uma conjuntura favorável à proliferação natural e coerente dos movimentos underground, e falo nomeadamente do nosso país, onde a existência muito particularizada de espaços, circuitos e até mentalidades, davam lugar a um saudável enraizamento, estabilização e desenvolvimento de contextos culturais característicos do movimento - e destaco por exemplo o período experimentalista do rock português na época de ouro do Rock Rendez Vous - que viriam a revelar-se extraordinariamente produtivas sob o ponto de vista cultural e mesmo verdadeiros suportes de quase toda a corrente musical moderna e que até hoje se reflecte orgulhosamente na nossa sociedade. Continuemos diferentes, continuemos criativos, continuemos transformadores mas acima de tudo deveremos permanecer autênticos, mágicos e sonhadores...
Achas que a vontade que têm em continuar atinge o ponto de persistência? Ou até tudo tem corrido bem sem grandes dificuldade ou até mesmo desilusões, já que é um meio por vezes ingrato?
Morcego: Não obstante todas as dificuldades inerentes ao nosso meio e que todos conhecemos, a paixão de criar e de trazer ao mundo o nosso próprio mundo musical interior é sem dúvida uma fonte inesgotável de energia que nos incita a prosseguir de forma natural o nosso trabalho. Não esperamos nada em troca, fazemos o que sentimos que temos que fazer, música. Todas as conquistas que alcançámos e o reconhecimento que um pouco por todo o mundo temos constatado são o resultado directo dessa vontade imortal.
Em relação ao álbum, como é que classificas este novo trabalho? Quais as principais diferenças para o anterior?
Dumond: Trata-se de um trabalho feito de raiz em que todo o seu conceito nasceu com a finalidade de ser editado como um todo, contrariamente ao álbum «Traces of Solitude», que foi vitima da fase de transição entre editoras deixando atrás de si um rasto temporal demasiado longo entre a realização dos temas. Assim, quando o álbum foi finalmente lançado já todos nós nos encontrávamos a milhas para além do seu conceito e técnicas aplicadas na sua concepção.
Como decorreram as gravações no Batcave Studio da Amadora?
Morcego: Foi absolutamente maravilhoso, uma experiência marcante que queremos repetir. Pela primeira vez toda a responsabilidade técnica e criativa ficou totalmente a nosso cargo e o desafio que essa posição acarreta depressa se transformou em maravilhosos momentos de liberdade e autenticidade criativa que conseguimos delinear de forma absolutamente natural em momentos de excepcional magia, camaradagem e bem estar triunfante. O resultado prático foi podermos seguir exactamente os trajectos e conceitos desejados para atingir com rigor os resultados pretendidos.

Apesar do vosso tipo de som ter cada vez mais fortes possibilidades de ser gravado ‘em casa’ com grande qualidade, sentem que ir lá fora e gravar num estúdio a sério com um produtor experiente seria determinante para um ‘salto’ da banda?
Morcego: Actualmente não penso que fosse determinante em termos de resultado. Institucionalmente talvez, uma vez que essa situação, ao verificar-se, atrairia por si só com uma outra facilidade alguma atenção mediática que de outra forma continua a passar-nos um tanto ao lado. Mas o ‘autodidactismo’ é para mim, hoje em dia, sob o ponto de vista do resultado criativo, absolutamente insubstituível. Não diria que não a uma situação dessas, gostaria na verdade de a experimentar, mas avançaria para ela com todo o cepticismo que esse assunto me merece hoje em dia.
Como é que chegaram até à Sic Filmes? E em relação ao clip, como é que tudo se passou?
Dumond: No que diz respeito à SIC Filmes, tudo decorreu da nossa sólida relação com a produtora Film Connections, que no âmbito do seu novo filme "Until the Light Shines" nos convidou para a realização da sua banda-sonora. Por outro lado, e atendendo à nossa crescente necessidade de realizar um clip que servisse de apresentação ao novo álbum, iniciámos contactos para a sua produção. Inesperadamente essa oportunidade acabou por surgir sobre a forma de um convite pela mão de dois estudantes finalistas do curso de audio-visuais da Universidade Lusófona. «Strange Attraction» foi o tema seleccionado para o clip, e o resultado é por nós considerado bastante positivo. Pensamos que também o será por parte do público em geral.
Recentemente deram-se novas alterações no line-up, com a saída do David. Qual é a formação actual?
Dumond: A principal alteração deve-se sobretudo à saída do David. Entretanto tinha entrado o André Joaquim, que é um excelente profissional, além de um bom amigo. Com um vasto conhecimento musical e vários anos de experiência como músico, o André traz consigo uma lufada de ar fresco para a criação musical especialmente nas linhas de Baixo que de tão dependentemente vive a nossa música. (com a saída de David Reis, o André acumula baixo e guitarra – ed.)
Nunca sentiram necessidade de incluir um baterista, mesmo que empenhado em produzir um som estrategicamente ‘triggado’ e digital?
Morcego: Já se pensou nisso. Acontece que com o actual formato e ao longo de todo o percurso que percorremos e trajectos que escolhemos sob o ponto de vista estético e técnicas aplicadas, a banda ganhou alguma identidade própria senão mesmo alguma originalidade e da qual nos tornámos saudavelmente dependentes. E digo saudavelmente porque esses próprios trajectos foram não mais que paralelismos com os nossos gostos e vontades e que continuam a ser o farol que nos orienta e a imagem do que queremos continuar a fazer. Refiro-me, ainda que de forma suave, a algumas marcas que desejamos preservar em aspectos como o minimalismo e o contraste estilístico que são sem dúvida duas bandeiras que ousamos erguer e manter erguidas como símbolos indissociáveis com a nossa visão global do que é o mundo Phantom Vision.
Já se refizeram da desilusão sofrida com os ‘Sisters’? Como vêem agora esse episódio?
Dumond: Os anos passam! Não nos incomoda particularmente.
Na edição de Julho da conceituada Zillo tiveram grande destaque. Como vêem a receptividade que estão a ter?
Morcego: O reconhecimento, nomeadamente o reconhecimento internacional, quer dos principais órgãos de comunicação especializados quer dos diversos núcleos de fãs, é algo que posso descrever como das vitórias mais congratulantes que nós, criadores apaixonados, podemos sentir. É sempre bom ouvir falar tão bem de um trabalho que há uns meses atrás constituiu um prazer íntimo que desenvolvemos em conjunto com os nossos meios, imaginação, criatividade. É como falarem bem de uma parte de nós, e isso é obviamente delicioso.

E o fan-site russo? Como é que tudo aconteceu?
Dumond: Tomámos conhecimento de que um grupo de fãs fundou um fan-Club na Rússia - excelente! Uma prova de que o nosso trabalho é verdadeiramente reconhecido. Esperamos que outros lhes sigam os passos.
Apesar de tudo, os Sisters Of Mercy serão sempre uma referência da cena gótica mundial. Quais são as vossas influências actuais? Ou que bandas ouvem hoje no dia a dia?
Dumond: Sem dúvida! Os Sisters produziram ao longo da sua carreira grandes trabalhos, que influenciaram não só os Phantom Vision como também outras dez mil bandas por esse mundo fora. Não recusamos as nossas raízes, da mesma forma que não estagnamos nelas. Continuamos a evoluir e Phantom Vision adquire cada vez mais uma personalidade muito própria e digna de si mesma. O alternativo será sempre a nossa maior referência.
Nunca se deparam com dúvidas existenciais sobre o acto de fazer música? Ao fim destes anos todos de luta pela exclusividade do underground? Ou será que é uma questão de ciclos da vida, em que às vezes apetece parar para depois regressar com mais música?
Morcego: Para falar verdade nunca pensei muito nisso. Fazer música, mais do que um processo natural, é um desejo, uma vontade, uma necessidade que me mantém vivo e que define a minha identidade. Fazer música faz com que olhe para mim, com que me analise e me belisque numa permanente constatação da minha existência e respectivas características - não vivo sem criar. É evidente que neste processo há que ter em conta que tenho mais alguns projectos, o que permite uma alternância criativa saudável.
E concertos? Há previsão de poder haver uma certa regularidade? Ou as dificuldades usuais em arranjar locais condignos persistem?
Morcego: Actualmente constatamos de facto ter havido uma decadência considerável relativamente aos circuitos usuais regulares para as bandas alternativas e para o underground em geral. Ainda assim temos tido o prazer de efectuar bastantes concertos, o que nos proporciona sempre um especial prazer.
Um paradigma de bom ambiente é o Santiago Alquimista! Como viveste o vosso concerto de apresentação? Foi algo de especial, não foi?
Dumond: Para nós, todos os concertos têm sempre um ‘toque’ especial, e este particularmente não constitui excepção. O clima criado foi fantástico e o público respondeu da melhor maneira possível. Eles sabem daquilo que somos capazes, o que nos deixa muito satisfeitos.
Queria também que, não tu mas a banda toda em conjunto, elaborasse uma playlist com um top 10 de álbuns que vos agradem... sejam actuais ou ‘da vossa vida’.
Morcego: Muito embora tenhas sugerido a elaboração de uma playlist conjunta, decidimos no entanto enviar-te quatro playlists, uma de cada um de nós, para que se entendam as diferenças saudáveis que residem em cada um de nós individualmente e que de forma influente constituem o todo que representamos...
Pedro Morcego
The Cure – Pornography
Jesus & Mary Chain – Psychocandy
The Cramps – Psychedelic Jungle
Violent Femmes – Violent Femmes
Mão Morta – Mão Morta
Bärchen Und Die Milchbubis – Dann Macht Es Bum
Bauhaus – Press the Eject and Give me the Tape
Sigue Sigue Sputnik – F1rst Generation
X-Mal-Deutschland – Tocsin
Joy Division – Unknown Pleasures
(Dead Kennedy’s – Give Me Convenience or Give Me death )
* Não posso deixar de acrescentar à lista mais este disco imprescindível
David Reis (ex-guitarrista, tendo ainda gravado)
Joy Division - Unknown Pleasures
Bauhaus - Gotham
Siouxsie & The Banshees - Nocturne
The Cure - Pornography
Sex Pistols - Never Mind the Bollocks
Mike Oldfield - Tubular Bells II
Echo & the Bunnymen - Porcupine
Dead Can Dance - Towards the Within
Guitar Legends - 1995
Toy Dolls - Ten Years of Toys
André Joaquim
The Cramps – Off the Bone
The Meteors – Don’t Touch the Bang Bang Fruit
Man or Astroman? – Experiment Zero
Rolling Stones – The Singles and More
Velvet Underground & Nico
The Cure – Staring at the Sea
The Doors – Strange Days
Metallica - …And Justice For All
Xutos & Pontapés – Cerco
John Coltrane – Giant Steps
Pierre Dumond
The Cure - Pornography
De/Vision - Fairyland
Danse Society - The Seduction
Clan of Xymox - Medusa
Bauhaus - Press the Eject and give me the Tape
Joy Division - Closer
Depeche Mode - Ultra
Jesus & Mary Chain - Automatic
Echo & the Bunnymen - Porcupine
The Cramps - Off the Bone