junho 29, 2005

THE CREST - CRÍTICA

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Vain City Chronicles CD
Season Of Mist/Recital

De uma assentada, e em poucos anos, a cena norueguesa soube produzir uma série de bandas de metal/rock alternativo com excelentes vocalistas femininas: estou a referir-me a The 3rd & The Mortal, Tactille Gema, Atrox e estes The Crest. Os The Crest têm um início de carreira ligado ao doom metal melódico, mas as raízes electrónicas do guitarrista Kristian e a poderosa voz de Nell, ambos membros fundadores da banda, deixavam antever outros voos. «Letters From Fire», o disco de estreia da banda editado em 2001, cinco anos depois da criação dos The Crest, levantava já uma ponta do véu do que por aí vinha. «Vain city Chronicles» chega quase quatro anos depois, com Nell já anunciada como a nova vocalista das super-estrelas Theatre Of Tragedy, e um punhado de ideias novas. O rock alternativo com influências metal de «Letter From Fire» metamorfoseou-se numa espécie de post-rock melancólico rico em arranjos e melodias com sentido, com uma dimesão muito humana emprestada pela voz de Nell, que – julgo que não por acaso – traz várias vezes à cabeça do ouvinte um nome: The Gathering. Ainda assim, há alma própria em The Crest. «VainCcity Chronicles» pode partir do pressuposto de que o rock tem que ser ‘post’, de que a composição actual já não pode fugir muito ao que foi feito antes, mas os arranjos das músicas, que chegam a incluír um violino velado, resultam bem e conseguem transpôr uma atmosfera melancólica muito intensa para o disco. Mesmo nas primeiras faixas do álbum – as mais descaradamente rock, energéticas e pesadas, de sempre por parte do colectivo norueguês – os The Crest não largam a sua imagem de banda-melancolia, que lhes fica bem e que vai agradar a quem gosta de sofisticação na música que ouve. Não sei como será o novo álbum de Theatre Of Tragedy, mas «Vain City Chronicles» deixa claro o motivo pelo qual Nell não abandonou os The Crest quando foi recrutada pela super-banda norueguesa: é que a música deste grupo contém alguma da mais pujante vitalidade que a cena escandinava já apresentou ao resto da Europa nos últimos anos. (8/10)

Publicado por BillLaswell em junho 29, 2005 01:17 AM
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