julho 31, 2005

FLËUR – CRÍTICA

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«Siyanie» CD
Prikosnovénie/Equilibrium

Ao terceiro disco, os ucranianos Flëur são já uma das mais apetecidas bandas do catálogo da Prikosnovénie, devido a uma receita aparentemente simples, mas eficaz, de pop etéreo. Os dois discos anteriores deixavam antever uma ensemble musical onde se misturavam influências pop e clássicas, com o uso de instrumentos como o violoncelo, flauta e violino ao lado de guitarra, teclado e bateria. Mas seria pelas vozes sonhadoras, sensuais e exóticas de Olga Pulatova e Elena Voynarovskaya que os Flëur marcariam a diferença – as influências das duas cantoras estão obviamente no grupo de bandas da 4AD, especialmente em Cocteau Twins, mas as influências neo-clássicas e a vocalização em ucraniano dão inegáveis pontos de vantagem aos Flëur. «Siyanie» repete a receita, com oito temas brilhantes onde a banda mostra um refinamento de composição inegável e cinco temas um pouco mais abaixo em termos de qualidade. O equilíbrio entre as influências pop e neo-clássicas dos Flëur encontra neste disco, por vezes, um contraponto interessante em entradas rítmicas jazzísticas, protagonizadas por uma bateria e contrabaixo cada vez mais preponderantes na música na ensemble. O resultado é o pop extremamente etéreo, original, exótico e sonhador do primeiro disco com uma forte componente contemporânea e técnica que os novos temas lhe acrescentam. Há qualquer coisa em Olga e Elena, que voltam a partilhar as responsabilidades vocais nos temas do disco, enquanto se dedicam ao piano e guitarra respectivamente, que parece atrair a atenção do ouvinte e emprestar uma alma própria à música de Flëur. Esbatido o efeito supresa dos dois primeiros discos, podem lamentar-se os cinco temas em que a banda ucraniana parece não estar à altura de si própria no disco e os títulos dos temas em inglês, apesar das letras serem em ucraniano, mas é inegável a sensação físical visceral, de quase náusea, que a música destes nove músicos provoca no nosso estômago depois de criada uma habituação. Como se, na placidez ambiental, beleza melódica e nervosismo rítmico de «Syianie» estivesse encerrada uma viagem de montanha russa que enerva, assusta, faz antecipar, mas que no fim sabe tão bem e nos faz querer repetir. Provavelmente, é o disco certo para colocar na mala de férias, juntamente com o livro que andamos para ler há tanto tempo. (8/10)

Publicado por BillLaswell em julho 31, 2005 02:45 AM | TrackBack
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