16.12.2005 Culto Bar, Cacilhas
Até agora, o aprazível ‘novo’ Culto tem-se celebrizado pelas noites de emoção gótica ou, em oposição, intensidade hardcore lisboeta. Mas na passada semana foi o rock’n’roll puro e duro que serviu de chamariz à casa plantada à beira-Tejo.
Os Drill são um projecto alfacinha, cuja sede mora em pleno Bairro Alto e deram-nos a conhecer, ao longo de onze temas, do que são feitos. Este power-trio apresenta-se em palco de forma tão descontraída quanto competente e o carisma personificado por Manuel Portugal (voz e guitarra) espelha a ‘boa onda’ da banda. O primeiro tema tocado «One Man», pertence ao EP de estreia e dá o mote perfeito para um rock balanceado e gingão, induzindo sempre ter a garrafita de cerveja (vá lá... o copo de plástico) na mão. De seguida «When we Go», um tema novo que antecedeu o já conhecido «Burning».

Após três temas já todos podíamos apontar as principais influências: os Drill misturam a veia típica de Hendrix com uns Queens Of The Stone Age, cujo peso é atenuado também pela influência que Dave Grohl parece exercer através dos Foo Fighters. A secção rítmica está bem oleada e apoia na perfeição as interjeições lead, aquando dos maiores devaneios a solo de Manel. «Hard Road» também pertence ao EP de estreia «Thrill» e aqueceu todos os presentes. O ambiente continuava a propiciar descontracção a todos e o concerto de Drill mais parecia uma festa familiar. Já mais para o final alguns dos presentes - amigos da banda - gritavam “Porn star! Porn star!”... e na ausência de uma actriz do género para subir a palco, os Drill aceitaram o pedido com o último tema presente no primeiro registo da banda, precisamente «Pornstar», talvez o momento mais inspirado da banda até esse momento. Concluindo, os Drill estão ainda a dar os primeiros passos ao vivo, depois de terem ando em roda viva pelas Fnac, mas demonstram já uma boa dose de maturidade e uma composição que, sem inovar, segue um caminho já definido, havendo homogeneidade entre os temas. Um projecto a ter em atenção nos festivais de Verão de 2006.
Texto: João Matos
Fotos: Luis Duarte